EUA bombardeiam sul do Irã enquanto negociações sobre acordo seguem incertas

Missel

Míssel - Foto: Anelo/shutterstock.com

O Comando Central dos Estados Unidos anunciou ataques aéreos contra bases no sul do Irã no dia 25. Os bombardeios visaram instalações de mísseis e navios envolvidos no lançamento de minas, segundo comunicado oficial. A ação ocorreu após o Ministério das Relações Exteriores iraniano declarar que um acordo para encerrar os combates “não é iminente”, apesar de avanços nas negociações.

O porta-voz do Comando Central, Tim Hawkins, enquadrou os ataques como medida de “autodefesa” destinada a “proteger nossas tropas da ameaça militar iraniana”. Ele reforçou que as forças armadas americanas “continuam a defender suas tropas, ao mesmo tempo que demonstram moderação em relação ao cessar-fogo em curso”.

Ataques focam em Bandar Abbas e zona portuária

Segundo o New York Times, os bombardeios tiveram como alvo áreas próximas a Bandar Abbas, cidade portuária no sul do Irã voltada para o Estreito de Ormuz, onde funciona uma base naval importante. A mídia estatal iraniana informou que uma explosão foi ouvida na região e que autoridades locais abriram investigação. Até o momento, o Irã não respondeu militarmente aos ataques.

O Estreito de Ormuz representa ponto crítico nas negociações. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a passagem “precisa ser aberta eventualmente” e descreveu a situação atual como “ilegal, ilícita, insustentável para o mundo e inaceitável”.

Negociações avançam mas encontram obstáculos

Rubio declarou a jornalistas na Índia que um acordo com o Irã ainda é possível. Ele citou encontro marcado para o dia 26 entre negociadores iranianos e o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, que media as conversas. “Veremos se é possível avançar. Creio que houve bastante discussão em relação à redação específica do documento inicial, então levará alguns dias,” afirmou o secretário.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Baghay, reconheceu que “conclusões foram alcançadas sobre a maioria das questões em discussão” no dia 25. Contudo, enfatizou que isso “não significa que a assinatura de um acordo seja iminente”.

Documentos em análise incluem:

  • Prorrogação de 60 dias do cessar-fogo
  • Reabertura do Estreito de Ormuz
  • Continuação de negociações sobre programa nuclear iraniano
  • Levantamento de sanções e congelamento financeiro contra o Irã
  • Contenção do programa nuclear iraniano

Urânio enriquecido emerge como questão central

O Irã possui aproximadamente 440 quilos de urânio enriquecido a 60% de pureza, nível inferior aos 90% necessários para armas nucleares. Trump publicou no Truth Social na noite do dia 25 que esse urânio seria entregue aos Estados Unidos “imediatamente” ou “destruído no local apropriado, de preferência em coordenação com a República Islâmica do Irã”.

O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, declarou na televisão estatal que seu país está pronto para “garantir ao mundo que não estamos buscando armas nucleares”. O Irã mantém consistentemente que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos.

Autoridades da inteligência americana, conforme reportado pela CBS News, acreditam que negociações estão sendo atrasadas. O Líder Supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, estaria escondido em local não divulgado, dificultando contato com delegação iraniana. Khamenei perdeu seu pai, ex-líder supremo aiatolá Ali Khamenei, e ficou ferido no ataque israelense no primeiro dia da guerra em 28 de fevereiro.

Divisões republicanas na avaliação do acordo

Dentro do Partido Republicano, que comanda o governo Trump, surgem críticas ao acordo. O senador Ted Cruz argumentou no dia 23 que, se os detalhes forem verdadeiros, seria um “erro catastrófico”. O senador Roger Wicker, presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado, afirmou que estender o cessar-fogo por 60 dias “revogaria tudo o que foi conquistado na Operação Epic Fury”.

O senador Lindsey Graham, inicialmente crítico da proposta, elogiou no dia 25 a ideia de incluir Arábia Saudita e outros países nos “Acordos de Abraão”, que normalizam relações com Israel como parte do encerramento das hostilidades com o Irã, chamando-a de “simplesmente brilhante”.

Trump descartou críticos, chamando-os de “perdedores”, e afirmou: “O acordo com o Irã será fantástico e significativo, ou não acontecerá”.

Recuperação econômica global pode levar meses

Especialistas em logística alertam que impactos econômicos de um acordo demorarem a aparecer. Lars Jensen, CEO da consultoria marítima dinamarquesa Vespucci Maritime e ex-conselheiro da Maersk, informou à BBC Radio 4 que pode levar meses para a indústria naval recuperar as cadeias de suprimentos aos níveis anteriores à crise.

Jensen explicou que, mesmo com anúncio de acordo em poucos dias, a indústria manteria postura “cautelosa e hesitante” antes de mudanças operacionais significativas. Os preços do petróleo bruto dispararam globalmente devido ao conflito no Oriente Médio.

O conflito começou em 28 de fevereiro quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra vasta área do Irã. Em resposta, o Irã atacou Israel e aliados no Golfo Pérsico, bloqueando efetivamente o Estreito de Ormuz. Um cessar-fogo foi acordado em abril. Imediatamente depois, os Estados Unidos impuseram bloqueio naval contra navios que entravam e saíam de portos iranianos, medida que Trump afirmou permanecer “em pleno vigor até que o acordo seja alcançado, certificado e assinado”.

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