Câmara dos Deputados aprova fim da escala 6×1 e redução da jornada para 40 horas em primeiro turno
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição que reduz a carga horária de 44 para 40 horas semanais. A votação em primeiro turno registrou 472 votos favoráveis e 22 contrários na sessão desta quarta-feira. A medida também determina a extinção da escala 6×1 no mercado de trabalho nacional. O projeto estabelece um prazo de transição de até 14 meses para a implementação total das novas regras nas empresas de todo o país.
A aprovação expressiva reflete um acordo construído entre diferentes frentes parlamentares e o setor produtivo. O texto agora precisa passar por uma segunda rodada de votação na Casa antes de seguir para a análise do Senado Federal. Representantes de confederações patronais solicitaram o modelo de implantação gradativa para mitigar impactos imediatos nas folhas de pagamento. O governo federal apoiou a transição escalonada para garantir a adaptação econômica e a manutenção dos postos de trabalho.
Cronograma de transição e novas regras para empresas
O documento validado pelos parlamentares altera a Constituição Federal para fixar o limite de oito horas diárias e quarenta horas semanais. A legislação manterá a permissão para compensações de horários e reduções de jornada mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. A diminuição das quatro horas semanais ocorrerá de forma fatiada para facilitar o ajuste operacional dos empregadores. O modelo visa a proteger o nível de emprego durante a fase de adequação das operações comerciais e industriais.
A implementação do novo limite de horas trabalhadas seguirá um calendário específico aprovado no plenário. As empresas precisarão reestruturar os turnos de suas equipes de acordo com os prazos legais estipulados na proposta de emenda constitucional.
- A redução inicial de duas horas na jornada semanal entrará em vigor em até dois meses após a promulgação da matéria.
- O corte das duas horas restantes acontecerá no prazo de 12 meses contados a partir da conclusão da primeira etapa.
- Os acordos coletivos incompatíveis com a nova legislação perderão a validade 60 dias após a publicação oficial do texto.
A extinção da escala 6×1 garante aos profissionais o direito a duas folgas semanais obrigatórias. A regra determina que um dos dias de descanso deverá coincidir preferencialmente com os domingos. Esta alteração específica passará a valer 60 dias após a promulgação definitiva da emenda. Sindicatos e empregadores terão este intervalo para renegociar contratos e estabelecer novas escalas de revezamento que atendam à demanda de produção e serviços.
Articulação política e votação no plenário
A tramitação da proposta ganhou celeridade após a aprovação na comissão especial da Câmara dos Deputados. O relator da matéria, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), apresentou um parecer que recebeu 34 votos favoráveis e quatro contrários no colegiado. Os votos divergentes nesta fase inicial partiram exclusivamente de parlamentares filiados ao Partido Liberal (PL) e ao partido Novo. A base governista e os partidos de centro formaram maioria para avançar com o texto de forma rápida.
Durante a análise no plenário, os deputados rejeitaram um destaque apresentado pela bancada do Partido Liberal. A legenda tentava modificar o período de transição para instituir diretamente a escala 5×2. O relatório original protocolado na segunda-feira permaneceu inalterado após a deliberação dos parlamentares. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou sessões extraordinárias para acelerar a contagem de prazos regimentais e viabilizar a votação principal.
A aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição exige o apoio mínimo de 308 deputados em dois turnos de votação. O regimento interno da Casa estabelece um intervalo de cinco sessões entre as duas análises no plenário. Os líderes partidários costumam aprovar requerimentos de quebra de interstício para realizar as votações no mesmo dia ou na mesma semana. A estratégia acelera o envio da matéria para a próxima etapa legislativa e evita o esvaziamento das sessões.
Origem do projeto e negociações no Congresso
O texto aprovado consolida propostas que tramitavam paralelamente no Congresso Nacional. A comissão especial analisou inicialmente duas matérias distintas sobre o tema trabalhista. O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) assinaram os textos originais que basearam as discussões. As versões iniciais sugeriam uma redução mais acentuada da carga horária, com o objetivo de fixar o limite em 36 horas semanais para todas as categorias.
As rodadas de negociação com o setor empresarial e lideranças partidárias resultaram no formato atual de 40 horas. O consenso garantiu a viabilidade política para a aprovação do texto com ampla margem de votos. A exigência de duas folgas remuneradas por semana passa a integrar o texto constitucional de forma permanente. A redação especifica que um dos descansos deve ocorrer dentro do período máximo de uma semana de trabalho contínuo, alterando a dinâmica de diversos setores da economia.
O mecanismo de invalidação de acordos coletivos antigos forçará uma atualização geral nas relações trabalhistas do país. As categorias profissionais precisarão sentar à mesa com os sindicatos patronais para readequar os bancos de horas e os regimes de plantão. Especialistas apontam que setores como comércio varejista, serviços de alimentação e saúde enfrentarão os maiores desafios logísticos na montagem das novas escalas de trabalho para manter o atendimento ao público.
Exceções à regra e próximos passos no Senado Federal
A legislação estabelece critérios de exclusão para um grupo específico de profissionais de alta renda. Os trabalhadores que possuem diploma de nível superior e recebem salários elevados não estarão sujeitos às novas regras de controle de jornada. O limite financeiro para o enquadramento na exceção é o recebimento de valores a partir de duas vezes e meia o teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O montante atualizado corresponde a cerca de R$ 21,1 mil mensais na cotação vigente.
A medida que isenta este grupo visa a combater a prática da contratação como pessoa jurídica no mercado de trabalho formal. A ausência de controle de ponto para estes profissionais busca conferir maior autonomia na execução de funções de gestão, tecnologia e direção corporativa. A regra mantém a proteção constitucional para a grande maioria dos trabalhadores celetistas que atuam nas faixas salariais inferiores ao limite financeiro estabelecido pelo relator.
O texto seguirá para o Senado Federal após a conclusão do segundo turno na Câmara dos Deputados. A matéria precisará dos votos de pelo menos 49 senadores em duas rodadas de votação para ser promulgada e entrar no ordenamento jurídico. O calendário de análise na Casa revisora ainda depende de definição do colégio de líderes. Economistas indicam que a mudança estrutural exigirá investimentos em tecnologia e qualificação profissional para manter os níveis de produtividade da economia nacional durante a fase de adaptação.
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