China reconhece território brasileiro como livre de febre aftosaPor Janderson Luiz
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O governo da China reconheceu todo o território brasileiro como livre de febre aftosa. O anúncio ocorreu nesta terça-feira, 2 de junho, durante visita do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Pequim. A decisão encerra negociações que duraram mais de duas décadas.
A medida suspende as proibições relacionadas à doença no norte do país e abre caminho para ampliação das exportações de carne bovina e suína. A China é o principal destino do agronegócio brasileiro.
Decisão encerra processo de mais de 20 anos
As tratativas entre Brasil e China sobre o tema sanitário começaram ainda na primeira década dos anos 2000. O status anterior permitia exportações apenas de regiões específicas, como Santa Catarina.
Com o novo reconhecimento, o Brasil ganha credibilidade adicional no mercado internacional. Produtores e indústrias esperam ampliar o volume de embarques para o país asiático.
A Administração Geral das Alfândegas da China formalizou a decisão em comunicado oficial. O movimento ocorre em momento em que a China enfrenta seus próprios desafios sanitários com a doença.
Impacto nas exportações de carne bovina
O reconhecimento permite a venda de produtos com maior valor agregado, como carne com osso e miúdos. Até agora, essas categorias enfrentavam restrições em vários estados.
- Estados como Rio Grande do Sul e Mato Grosso passam a ter facilidades imediatas para exportar esses itens
- Plantas já habilitadas nesses locais ganham novo impulso comercial
- Possibilidade de habilitação de novas unidades em outras regiões do país
- Redução de exigências para couro wet blue sem certificado sanitário específico
- Abertura para discutir ampliação do protocolo atual de carne bovina
O Brasil mantém o maior rebanho bovino do mundo com status sanitário elevado. A decisão reforça a posição do país como fornecedor confiável.
Setor suíno também celebra avanço
A Associação Brasileira de Proteína Animal estima ganho superior a 40 mil toneladas anuais em exportações para a China. O impacto deve se concentrar em unidades de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.
A ABPA destacou que o reconhecimento fortalece a parceria comercial entre os dois países. O foco está em produtos de maior valor, como miúdos externos suínos.
O ministro da Agricultura, André de Paula, acompanhou as discussões recentes em Pequim. Ele tratou o tema como prioridade na agenda bilateral.
Reação das associações do setor
A Abiec, que representa as indústrias exportadoras de carne, comemorou o fim de uma longa negociação. A entidade ressaltou o esforço conjunto de produtores, serviços veterinários e governos.
O trabalho de vigilância e monitoramento sanitário ao longo dos anos foi fundamental para alcançar o resultado. A China representa mais da metade das exportações brasileiras de carne bovina.
Especialistas do setor veem a decisão como oportunidade para consolidar e expandir presença em outros mercados exigentes. O Brasil já era reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação em grande parte do território.
Perspectivas para o agronegócio brasileiro
O anúncio chega em um ano de forte presença chinesa nas importações agrícolas do Brasil. Em 2025, as vendas para o país asiático superaram US$ 50 bilhões.
Analistas apontam que o status sanitário unificado facilita novas tratativas comerciais. Temas como biotecnologia e fertilizantes também estiveram na pauta das reuniões recentes.
O Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério das Relações Exteriores atuaram de forma integrada nas negociações. O resultado é visto como vitória diplomática e técnica.
A expectativa é de que o reconhecimento gere efeitos positivos na renda de produtores rurais e na geração de empregos ao longo da cadeia produtiva. O Brasil segue investindo em defesa agropecuária para manter o status conquistado.







