Um estudo apresentado no Congresso Europeu sobre Obesidade mostrou que perder peso de forma rápida pode trazer resultados superiores aos da perda gradual. A pesquisa acompanhou 284 adultos com obesidade durante 52 semanas. Os participantes que seguiram o programa de emagrecimento acelerado perderam mais peso e mantiveram os resultados com maior frequência.
A equipe do Vestfold Hospital Trust, na Noruega, conduziu o ensaio clínico randomizado em parceria com a Roede AS. Os pesquisadores dividiram os voluntários em dois grupos. Um adotou restrição calórica intensa nas primeiras semanas. O outro seguiu redução moderada ao longo do tempo.
Programa rápido teve restrição maior nas semanas iniciais
Os participantes do grupo de perda rápida consumiram menos de mil calorias por dia nas oito primeiras semanas. Depois, o limite subiu para menos de 1,3 mil calorias entre as semanas 9 e 12. Nas semanas 13 a 16, o teto chegou a menos de 1,5 mil calorias.
O grupo gradual consumiu entre 800 e mil calorias abaixo do gasto diário estimado. A média ficou em torno de 1,4 mil calorias por dia.
Após as 16 semanas iniciais, os dois grupos passaram pelo mesmo programa de manutenção por 36 semanas. Essa fase focou em estratégias para evitar o reganho de peso.
Resultados mostram diferença clara após um ano
O grupo de emagrecimento rápido perdeu em média 12,9% do peso corporal nas primeiras 16 semanas. O gradual registrou 10,5%. Ao final de 52 semanas, a diferença se manteve. O primeiro grupo alcançou perda média de 14,4%. O segundo ficou em 10,5%.
- Maior proporção atingiu IMC igual ou abaixo de 27 kg/m² no grupo rápido
- Mais participantes reduziram a relação cintura-altura para 0,53 ou menos
- Metas ligadas a menor risco de diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares foram mais frequentes no rápido
Os números indicam que a abordagem acelerada, quando supervisionada, não comprometeu a manutenção dos resultados.
Motivação inicial ajuda na adesão ao tratamento
Line Kristin Johnson, autora principal do estudo, destacou o papel dos resultados visíveis logo no começo. Eles podem aumentar a motivação e reforçar a persistência na fase crítica. Johnson frisou que o apoio contínuo e as estratégias de manutenção são decisivos para o sucesso a longo prazo.
A pesquisadora lembrou que a crença na superioridade da perda gradual vem principalmente de estudos observacionais menores. Ensaios clínicos randomizados de alta qualidade como este trazem evidências diferentes.
O ambiente supervisionado foi fundamental. Os profissionais acompanharam os participantes de perto durante todo o período.
Cuidados são essenciais para evitar riscos
Johnson alertou que os benefícios aparecem em contextos estruturados. Sem supervisão, a perda rápida pode levar a deficiências nutricionais, desistência precoce e métodos inseguros.
Grupos específicos devem evitar essa abordagem. Gestantes, lactantes, idosos, pacientes com câncer, pessoas com doenças crônicas graves e quem tem transtornos alimentares ou risco elevado não devem tentar emagrecimento acelerado sem orientação médica adequada.
Cerca de 90% da amostra do estudo era composta por mulheres. Isso limita a generalização direta para homens.
Implicações para quem usa medicamentos injetáveis
O debate ganha relevância com o uso crescente de canetas emagrecedoras, como as baseadas em semaglutida. Muitos usuários buscam resultados rápidos. O estudo sugere que a velocidade pode ser aliada quando combinada com dieta, acompanhamento e mudanças de hábito consistentes.
Especialistas reforçam que o medicamento sozinho não substitui o programa estruturado. A adesão a orientações nutricionais e comportamentais continua central.
O ensaio ocorreu em cenário real, o que aproxima os achados da prática clínica cotidiana. Os pesquisadores planejam análises adicionais para entender melhor os mecanismos por trás da maior adesão.
Perder peso continua a exigir avaliação individual. Cada caso demanda plano personalizado, com metas realistas e monitoramento profissional. O estudo contribui para atualizar recomendações clínicas sobre ritmo de emagrecimento em adultos com obesidade.

