A pesquisadora Tatiana Sampaio informou que o estudo sobre a polilaminina passará por revisão por pares em uma revista científica. A declaração foi feita nesta quarta-feira. Ela lidera os trabalhos na Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre a proteína derivada da placenta. O tratamento experimental busca regenerar nervos em lesões na medula espinhal.
A cientista não forneceu detalhes sobre qual publicação aceitou o texto ou a data prevista para a liberação. O anúncio ocorre após recusas anteriores em duas revistas. Especialistas cobram mais evidências de segurança e eficácia antes de aplicações em larga escala.
Versão anterior do estudo enfrentou rejeições
O manuscrito preliminar da pesquisa já havia sido submetido a periódicos como Nature Communications e Journal of Neurosurgery. Ambas recusaram a publicação. Os editores apontaram divergências na taxa de recuperação de pacientes e a falta de registro prévio do ensaio clínico em banco internacional.
Tatiana Sampaio admitiu erros em um gráfico anterior. Um paciente que morreu poucos dias após o procedimento aparecia com dados de melhora registrados 400 dias depois. A pesquisadora atribuiu o problema a erro de digitação nos dados do participante.
Outros pontos questionados envolviam a apresentação de exames de eletromiografia e explicações sobre o estado de choque medular nos casos avaliados. A nova versão corrige esses aspectos, segundo a cientista.
Polilaminina ainda está em fase inicial de testes
A proteína derivada da placenta estimula regeneração nervosa em modelos animais. Resultados preliminares em humanos surgiram em estudo com oito pacientes. A Cristália, que detém a patente, investiu mais de R$ 110 milhões no desenvolvimento.
Até o momento, não existe publicação científica final sobre o tema. O que circula é uma versão pré-print, sujeita a correções.
- Ensaios clínicos de fase 1 avaliam segurança em pequeno grupo de pacientes
- Fase 2 e 3 testam eficácia, doses e efeitos adversos em populações maiores
- Registro sanitário na Anvisa ocorre apenas após sucesso nas etapas anteriores
A agência reguladora autorizou o início da fase 1 para cinco pacientes com lesões agudas completas. O estudo ainda aguarda aprovação final da comissão de ética.
Uso compassivo já atende dezenas de pacientes
A Anvisa liberou o tratamento experimental por via compassiva em casos graves sem alternativas. A Cristália informou que 84 pacientes receberam autorização. Desse total, 44 vieram por decisão judicial e 40 por vias administrativas.
Esses usos não fazem parte do protocolo de pesquisa oficial. Os pacientes não recebem acompanhamento sistemático da equipe de Tatiana Sampaio.
Especialistas ouvidos em reportagens anteriores reforçam a necessidade de cautela. A Academia Brasileira de Neurologia e pesquisadores internacionais defendem que resultados promissores em fase inicial não substituem evidências robustas de ensaios controlados.
Próximos passos dependem de validação científica
A fase 1 deve começar em breve no Hospital das Clínicas da USP. O comitê de ética da instituição ainda analisa o protocolo. A expectativa inicial era de início mais rápido, mas houve atrasos administrativos.
Pesquisadores acompanham o caso com interesse. A polilaminina representa uma abordagem inovadora, mas ainda experimental. Resultados definitivos só virão após conclusão das fases clínicas completas.
O interesse público cresceu após relatos de pacientes que recuperaram movimentos. A comunidade científica pede equilíbrio entre esperança e rigor metodológico.

