Daraxonrasib dobra sobrevida mediana em câncer de pâncreas metastático

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Câncer de pâncreas

Foto: Panuwat Dangsungnoen/ Istockphoto.com

Daraxonrasib, um inibidor oral experimental do oncogene RAS, dobrou a sobrevida mediana de pacientes com adenocarcinoma pancreático metastático. O medicamento foi testado no estudo internacional de fase 3 RASolute 302. Os resultados foram apresentados no congresso da American Society of Clinical Oncology, em Chicago, e publicados simultaneamente no New England Journal of Medicine.

O ensaio randomizou 500 pacientes já tratados. Desses, 248 receberam daraxonrasib e 252 passaram por quimioterapia padrão. A sobrevida mediana chegou a 13,2 meses no grupo do novo fármaco. No braço de controle, o índice foi de 6,7 meses. A redução do risco de morte alcançou 60%.

Apresentação gera aplausos no congresso ASCO

A sessão plenária do ASCO 2026 registrou reação incomum. O coordenador do estudo, Brian M. Wolpin, do Dana-Farber Cancer Institute, exibiu os dados de redução de mortalidade. O auditório reagiu com aplausos que duraram 42 segundos.

Médicos presentes manifestaram entusiasmo. O resultado representa avanço significativo para uma doença com opções terapêuticas limitadas até aqui. O câncer de pâncreas em fase avançada mantém prognóstico desfavorável na maioria dos casos.

Mecanismo do daraxonrasib silencia mutação RAS

O daraxonrasib atua como inibidor multisseletivo do RAS(ON). Ele bloqueia a forma ativada do oncogene, responsável por crescimento descontrolado em mais de 90% dos tumores pancreáticos.

O medicamento é administrado em comprimido oral de 300 mg uma vez ao dia. Diferente de tratamentos anteriores, ele consegue atingir um alvo considerado por décadas como “não farmacológico”. A FDA concedeu designação de terapia inovadora para mutações KRAS G12X.

Efeitos colaterais e tolerabilidade do tratamento

Os participantes do estudo com daraxonrasib relataram rash cutâneo e estomatite como principais eventos adversos. Esses efeitos foram considerados toleráveis na maioria dos casos.

A taxa de interrupção por toxicidade ficou em 1,2% no braço experimental. No grupo de quimioterapia, o índice subiu para 11,2%. Eventos adversos graves também foram menos frequentes com o novo fármaco.

  • Redução de 60% no risco de morte
  • Sobrevida livre de progressão de 7,2 meses versus 3,6 meses
  • Taxa de resposta objetiva de 31,6% contra 11,2% na quimioterapia
  • Melhora na qualidade de vida relatada por pacientes
  • Perfil de segurança gerenciável em uso contínuo

Revolution Medicines lidera desenvolvimento da terapia

A Revolution Medicines, empresa especializada em tratamentos direcionados para tumores RAS-dependentes, conduz o desenvolvimento. O daraxonrasib surge como principal candidato da companhia.

Especialistas avaliam que o resultado pode alterar o padrão de cuidado em segunda linha. Jennifer J. Knox, da Princess Margaret Cancer Centre, destacou o papel futuro de inibidores RAS ao longo do espectro da doença pancreática.

Impacto para pacientes com poucas alternativas

O adenocarcinoma pancreático metastático responde mal a quimioterapias convencionais. A maioria dos doentes sobrevive menos de um ano após progressão. O novo dado abre perspectiva de meses adicionais com melhor controle de sintomas.

Estudos futuros devem testar o daraxonrasib em linhas mais precoces da doença. A combinação com outros agentes também está em avaliação. Reguladores globais devem receber os dados para análise de aprovação.

O ensaio RASolute 302 envolveu centros na América do Norte, Europa e Ásia. A população incluiu grande proporção de pacientes com mutações RAS G12. Os benefícios se mantiveram consistentes no grupo total, independentemente da mutação identificada.

Próximos passos após os resultados de fase 3

A Revolution Medicines planeja submeter o dossiê a agências reguladoras. A expectativa é de revisão prioritária nos Estados Unidos.

Oncologistas acompanham com atenção os desdobramentos. O avanço marca ponto de inflexão no tratamento de um dos cânceres mais agressivos. Pesquisas continuam para ampliar o benefício a mais pacientes.

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