Epidemia de Ebola ligada à souche Bundibugyo causa 50 óbitos na RDC sem imunizante aprovado

    Categories: Saúde
Ebola vírus

Ebola vírus - Motortion/ iStock

A República Democrática do Congo lida com uma epidemia de Ebola causada pela souche Bundibugyo. As autoridades confirmaram cerca de 320 casos e registraram 50 mortes. O vírus circula principalmente na província de Ituri, no nordeste do país. Casos suspeitos chegam a mais de mil, conforme diferentes fontes. A doença se espalhou para áreas próximas, inclusive com registros em Uganda.

O único vacina disponível no momento é o Ervebo, do laboratório Merck. Ele foi aprovado em 2019 e demonstrou boa eficácia contra a souche Zaïre. No entanto, as evidências de proteção contra Bundibugyo permanecem limitadas. Estudos em primatas indicaram alguma sobrevivência maior nos animais vacinados, mas os resultados não foram considerados conclusivos. Organizações como a OMS e a MSF acompanham o debate sobre a possível aplicação do imunizante em contextos controlados.

Casos confirmados e suspeitos aumentam em Ituri

A província de Ituri concentra a maior parte dos registros. Equipes de saúde atuam em zonas como Mongbwalu, Rwampara e Bunia. O Ministério da Saúde da RDC declarou a epidemia no dia 15 de maio. Desde então, o número de casos evoluiu rapidamente.

  • Casos confirmados por laboratório: cerca de 320
  • Mortes registradas: 50
  • Casos suspeitos: entre 116 e mais de 1.100, dependendo da fonte
  • Regiões afetadas: Ituri, com possíveis ligações para North Kivu

A insegurança na região complica o trabalho de rastreamento de contatos. Deslocamentos populacionais e atividades de mineração favorecem a circulação do vírus.

Vacina Ervebo divide opiniões entre especialistas

O imunizante Ervebo mostrou excelente perfil de tolerância em campanhas anteriores contra a souche Zaïre. Ele foi usado em estratégias de vacinação em anel, que protegem contatos diretos de casos confirmados. Contra Bundibugyo, porém, os dados são preliminares.

Uma reunião de especialistas convocada pela OMS analisou o potencial do produto. A recomendação atual é evitar o uso fora de protocolos de pesquisa rigorosos. O objetivo é avaliar o desempenho real contra esta souche específica. Enquanto isso, pesquisadores aceleram o desenvolvimento de vacinas direcionadas para Bundibugyo.

Cuidados de suporte salvam vidas mesmo sem tratamento específico

Médicos relatam recuperações em pacientes que recebem atendimento precoce. Quatro enfermeiros internados em Bunia receberam alta após tratamento. A OMS reforça que o suporte clínico adequado aumenta as chances de sobrevivência. Sintomas incluem febre, dores no corpo, fraqueza, vômitos e, em alguns casos, sangramentos.

O atendimento envolve hidratação, controle de sintomas e isolamento adequado. Equipes da MSF operam centros de tratamento na região. A organização destaca a importância de engajamento comunitário para reduzir a transmissão.

Resposta internacional mobiliza recursos para contenção

A OMS declarou emergência de saúde pública de alcance internacional no dia 17 de maio. O CDC americano emitiu alertas de viagem para a RDC e Uganda. Países vizinhos reforçaram a vigilância nas fronteiras.

Especialistas internacionais se reúnem para definir estratégias. O foco está em identificação rápida de casos, rastreamento e enterros seguros. Dois candidatos de vacina para Bundibugyo estão em desenvolvimento acelerado. Um deles pode estar pronto para testes em poucos meses.

A situação permanece dinâmica. Autoridades locais e parceiros globais continuam o trabalho de campo para limitar o avanço da epidemia.

Veja Também