Astrônomos identificaram uma nova classe de corpo celeste a partir de observações avançadas do Telescópio Espacial James Webb. O exoplaneta L 98-59 d, situado a uma distância de 35 anos-luz da Terra, abriga um oceano global e permanente de magma em seu interior. A descoberta altera de forma significativa a compreensão atual sobre a formação e a evolução de mundos rochosos no universo. O equipamento espacial captou dados espectroscópicos inéditos que revelam uma estrutura interna altamente aquecida e dinâmica.
O estudo detalhado sobre o achado astronômico foi publicado na revista científica Nature Astronomy no dia 16 de março de 2026. Pesquisadores notaram que o planeta possui cerca de 1,6 vezes o tamanho da Terra, mas apresenta uma densidade muito inferior ao padrão esperado para composições puramente metálicas e rochosas. Essa característica peculiar aponta para um manto derretido que atua como um gigantesco reservatório de elementos voláteis. A configuração explica a retenção prolongada de gases essenciais, como hidrogênio e enxofre, ao longo de bilhões de anos de evolução planetária.
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Baixa densidade desafia classificações astronômicas convencionais
A equipe internacional de cientistas constatou que a densidade do L 98-59 d gira em torno de 2,2 g/cm³ em estimativas recentes. O valor numérico contrasta de forma drástica com a densidade média da Terra, que atinge aproximadamente 5,5 g/cm³. A discrepância acentuada nos números forçou os especialistas a descartarem cenários tradicionais que classificavam o corpo celeste como um mundo aquático ou um anão gasoso. O modelo físico e matemático que melhor se adequou aos dados captados aponta para um interior rico em material fundido.
Medições anteriores realizadas por observatórios terrestres já indicavam uma massa equivalente a 1,64 vezes a do nosso planeta, combinada com um raio de 1,627 vezes o terrestre. A relação direta entre essas duas medidas resulta em uma densidade incompatível com a presença de um núcleo de ferro puro cercado por um manto rochoso sólido. Equipes de pesquisa precisaram ajustar as simulações computacionais de formação planetária. Os novos cálculos incluíram obrigatoriamente um alto conteúdo inicial de enxofre e hidrogênio para explicar a estrutura física observada no espaço.
O manto do exoplaneta distante é composto majoritariamente por silicato fundido. O material se assemelha à lava expelida durante erupções vulcânicas terrestres, mas distribuído em uma escala global e ininterrupta. Esse oceano de magma atinge milhares de quilômetros de profundidade. O estado líquido permanece estável devido a processos internos contínuos de transferência de energia. O aquecimento tidal, gerado pela forte interação gravitacional com a estrela hospedeira, fornece a energia térmica necessária para manter a alta temperatura do núcleo ao manto.
Interações químicas moldam atmosfera rica em enxofre
Os espectros de trânsito captados pelos instrumentos infravermelhos do James Webb revelaram detalhes precisos sobre a composição gasosa do planeta. A análise indica que o sulfeto de hidrogênio domina a atmosfera do L 98-59 d. A radiação ultravioleta emitida pela estrela hospedeira atinge as camadas superiores e desencadeia reações fotoquímicas intensas. O processo transforma parte do gás original em dióxido de enxofre de maneira constante.
A dinâmica atmosférica observada apresenta paralelos com fenômenos terrestres. O processo ocorre em condições extremas. A formação do dióxido de enxofre lembra o mecanismo que gera a camada de ozônio na Terra, mas o ambiente do exoplaneta é quimicamente redutor e submetido a temperaturas escaldantes. O oceano de magma funciona como uma fonte contínua de liberação de gases para a superfície.
O processo de liberação gradual, conhecido no meio científico como degassing, mantém a espessura e a composição da atmosfera. A dinâmica diferencia o L 98-59 d de outros planetas que perdem seus gases rapidamente para o vácuo do espaço. O reservatório interno sustenta a retenção dos elementos voláteis por períodos geológicos extensos.
- O exoplaneta orbita uma estrela anã vermelha de menor massa que o Sol.
- A fração de fusão do manto atinge a marca de 45% segundo os modelos.
- Mais de 1,8% da massa inicial pode estar armazenada como voláteis.
- O carbono e o hidrogênio migram para a atmosfera de forma contínua.
Modelos evolutivos demonstram que o corpo celeste passou por um resfriamento secular ao longo de sua história. O processo ocorreu em conjunto com a erosão atmosférica causada pelos ventos estelares. Apesar do desgaste externo, o manto fundido continua ativo e preserva uma fração significativa de material derretido. A configuração interna explica o motivo pelo qual o planeta não se encaixa nas categorias tradicionais de catalogação astronômica.
Nova classe de mundos superaquecidos na vala de raio
Astrônomos destacam que o L 98-59 d se localiza próximo a uma região conhecida como vala de raio. O termo descreve uma faixa de tamanho onde as super-Terras rochosas e os mini-Netunos gasosos se separam em populações distintas. A presença de um oceano de magma permanente oferece uma nova perspectiva sobre os mecanismos físicos que moldam essa divisão planetária. A descoberta ajuda a preencher lacunas no entendimento da evolução estelar.
A equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Oxford concluiu que o interior fundido representa um caminho evolutivo alternativo. O processo envolve a retenção prolongada de voláteis no manto durante a fase inicial de formação. A trajetória se alinha com tendências estatísticas observadas em grandes levantamentos astronômicos, como o California-Kepler Survey. A integração de dados espaciais e terrestres permitiu testar múltiplos cenários de composição com alta precisão.
Nenhum modelo baseado em um planeta seco ou dominado por água conseguiu explicar de forma adequada os sinais detectados pelos telescópios. A combinação de uma superfície escaldante com uma atmosfera enriquecida por compostos de enxofre estabelece o L 98-59 d como o primeiro exemplo de uma classe inédita. Os pesquisadores enfatizam que os processos internos e ambientais atuam em conjunto para gerar a diversidade observada no cosmos.
Sistema estelar funciona como laboratório natural
O exoplaneta integra um sistema complexo com múltiplos corpos orbitando a mesma estrela anã vermelha. A arquitetura do sistema permite que os cientistas realizem comparações diretas entre planetas de tamanhos e composições diferentes submetidos ao mesmo ambiente de radiação. O L 98-59 d se destaca como o corpo mais externo entre os planetas já confirmados na órbita da estrela. A proximidade orbital favorece o aquecimento gravitacional constante.
A estrela hospedeira irradia energia de maneira a manter o planeta em uma zona de aquecimento intenso, mesmo possuindo menor temperatura que o Sol. O oceano de magma atua como um regulador químico que controla a liberação de gases ao longo do tempo. Futuras observações com o Telescópio Espacial James Webb e outros instrumentos de ponta poderão mapear variações específicas na atmosfera. Os cientistas buscam confirmar a extensão exata do reservatório fundido no subsolo rochoso.
Os dados disponíveis até o momento já demonstram que planetas com características semelhantes podem ser mais comuns do que a comunidade científica imaginava. A descoberta reforça a capacidade dos novos telescópios de sondar atmosferas e interiores de mundos distantes com precisão sem precedentes. Cada nova informação captada contribui para reconstruir os processos fundamentais que formam e transformam os sistemas planetários além do nosso Sistema Solar.

