Tribunal de San Isidro ouve filha de Diego Maradona e coordenadores médicos sobre morte do ídolo

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maradona - Instagram/@maradona

O Tribunal Oral de San Isidro retomou as audiências do processo que investiga as circunstâncias do falecimento de Diego Armando Maradona, ocorrido em novembro de 2020, quando o ex-jogador tinha 60 anos. Nesta terça-feira, a corte argentina dedicou a sessão para ouvir os depoimentos de Mariano Perroni, coordenador de enfermagem, e Nancy Forlini, coordenadora de atendimento domiciliar da empresa de saúde Swiss Medical. A audiência também contou com a participação de Dalma Maradona, filha do ídolo esportivo e uma das principais vozes da acusação formal. O caso analisa a responsabilidade criminal de sete profissionais de saúde na condução do tratamento do paciente durante suas últimas semanas de vida.

Estrutura de atendimento domiciliar entra no foco das investigações

A fase atual do julgamento concentra esforços em detalhar como funcionava a logística de cuidados na residência alugada no bairro de San Andrés, na região de Tigre. Perroni e Forlini, que até então não haviam apresentado suas versões completas no novo trâmite judicial iniciado em abril de 2026, responderam a questionamentos incisivos sobre a hierarquia médica. A promotoria busca entender de forma clara quem tomava as decisões finais sobre a administração de medicamentos e o monitoramento dos sinais vitais. O processo anterior havia sido anulado por irregularidades judiciais, o que forçou a reabertura de toda a fase de instrução e coleta de testemunhos.

Os promotores argumentam que a internação domiciliar montada após a cirurgia no cérebro apresentou falhas estruturais graves e incompatíveis com o quadro clínico. O ex-atleta havia passado por um procedimento complexo para drenar um hematoma subdural semanas antes de seu falecimento. Segundo os autos do processo, o ambiente não contava com os equipamentos básicos necessários para uma emergência cardiológica. Faltavam desfibriladores, tubos de oxigênio adequados e monitores contínuos. Essa ausência de infraestrutura contraria frontalmente os protocolos padrão exigidos para pacientes com o histórico de comorbidades apresentado por ele.

A defesa dos coordenadores tenta demonstrar que as orientações seguiam estritamente as diretrizes estabelecidas pelos médicos assistentes diretos que comandavam o caso. Durante as falas perante os juízes, os profissionais da empresa de saúde argumentaram sobre os limites legais e práticos de suas atuações profissionais dentro da residência. A análise documental das trocas de mensagens de texto e áudio entre a equipe de enfermagem de plantão e os supervisores constitui uma das principais provas avaliadas pelos magistrados neste momento processual, buscando identificar omissões de socorro.

Participação de Dalma Maradona reforça cobrança familiar por justiça

O comparecimento de Dalma Maradona ao tribunal adicionou uma camada de forte tensão emocional à audiência. Como parte querelante no processo, a família tem mantido uma postura firme e inabalável na exigência de condenações severas para todos os envolvidos na cadeia de cuidados. O depoimento da filha abordou as imensas dificuldades de comunicação com a equipe médica nos dias que antecederam a parada cardiorrespiratória fatal. Ela também descreveu com detalhes o estado físico e cognitivo deteriorado do pai durante as últimas visitas permitidas pelos cuidadores.

As filhas do ex-jogador sustentam a tese central de que o pai foi isolado de seu círculo íntimo de forma deliberada e deixado à própria sorte pelos profissionais contratados especificamente para protegê-lo. Os advogados que representam a família buscam comprovar mediante laudos que os alertas sobre a piora da saúde foram sistematicamente ignorados pela coordenação. A acusação formal aponta para a figura jurídica do homicídio por negligência, com agravantes que sugerem dolo eventual. Essa tipificação ocorre quando o autor assume o risco de produzir o resultado morte, mesmo sem a intenção direta de matar.

Caso os juízes acatem a denúncia do Ministério Público em sua totalidade, as penas aplicadas aos réus podem alcançar até 25 anos de reclusão no sistema penitenciário argentino. Os promotores trabalham com a premissa técnica de que a equipe de saúde possuía conhecimento suficiente para prever o desfecho letal iminente. Apesar dos sinais claros de falência múltipla, os responsáveis optaram por não alterar o curso do tratamento terapêutico ou solicitar uma transferência imediata para uma unidade hospitalar de alta complexidade, o que poderia ter revertido o quadro.

Pontos centrais analisados pela promotoria no processo judicial

O novo julgamento revisita laudos periciais extensos e documentos médicos acumulados ao longo de anos de investigação policial. Uma junta médica convocada anteriormente pelo Ministério Público já havia emitido um relatório contundente e detalhado sobre as múltiplas deficiências do atendimento prestado na casa de repouso improvisada. O documento técnico serve como espinha dorsal para os interrogatórios conduzidos pelos promotores contra os sete acusados.

  • Falta absoluta de equipamentos de suporte avançado de vida na residência de internação em Tigre.
  • Ausência de um médico clínico geral designado para coordenar o complexo quadro de comorbidades do paciente.
  • Falhas graves na comunicação diária entre os enfermeiros de plantão e os supervisores da Swiss Medical.
  • Sinais evidentes de alerta cardiológico e inchaço ignorados nas 48 horas cruciais que antecederam o óbito.

A revisão minuciosa desses elementos técnicos exige que o Tribunal Oral de San Isidro ouça dezenas de testemunhas ao longo das próximas semanas. A lista inclui peritos forenses independentes, toxicologistas, cardiologistas e antigos funcionários que faziam parte do entorno diário do ex-atleta. A complexidade do quadro clínico geral, que envolvia histórico de dependência química, problemas cardíacos crônicos não tratados e recuperação neurológica recente, torna a delimitação exata de responsabilidades um desafio jurídico de grandes proporções para os magistrados.

Desdobramentos legais e cronograma das próximas audiências

O calendário oficial do tribunal prevê sessões semanais contínuas para garantir a oitiva de todas as partes envolvidas sem comprometer o andamento de outros processos criminais na jurisdição. Os magistrados responsáveis pelo caso determinaram um cronograma rigoroso para evitar novos atrasos ou manobras protelatórias. A corte considera a imensa repercussão internacional do caso e a pressão pública constante por um veredito definitivo. A segurança no entorno do prédio judicial foi significativamente reforçada pela polícia local para controlar o acesso da imprensa mundial e de manifestantes.

Nos próximos dias de julgamento, a expectativa principal recai sobre os depoimentos dos médicos que assinavam as prescrições e definiam a estratégia terapêutica global. A acareação prevista entre os relatos dos enfermeiros que cumpriam os exaustivos turnos diários e as ordens emitidas pelos coordenadores de atendimento domiciliar deve esclarecer as lacunas sobre o monitoramento noturno. O cruzamento de dados telefônicos, mensagens de aplicativos e registros de ponto continuará sendo explorado exaustivamente pela equipe de acusação para desmontar os álibis.

O sistema de justiça argentino trata o andamento deste processo como um marco fundamental na jurisprudência nacional sobre responsabilidade médica em internações domiciliares. A decisão final dos juízes não apenas definirá o futuro e a liberdade dos sete profissionais de saúde sentados no banco dos réus. O veredito também estabelecerá precedentes jurídicos duradouros sobre os limites, protocolos e obrigações legais das empresas de home care em todo o país. O trâmite processual segue sob escrutínio público rigoroso, com as equipes de defesa preparando recursos técnicos complexos para tentar contestar a validade das perícias criminais apresentadas até o momento.

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