Copa do Mundo 2026: como assistir jogos no trabalho sem prejudicar a carreira

pessoas assintindo partida de futebol

pessoas assintindo partida de futebol - Nomad_Soul/Shutterstock.com

A Copa do Mundo 2026 está em andamento desde esta quinta-feira (11) e o clima de futebol já invade os ambientes corporativos. Com partidas em diversos horários, muitos profissionais se questionam como conciliar a torcida com as obrigações do expediente.

A competição, sediada nos Estados Unidos, Canadá e México, tem jogos que caem em dias úteis, o que reacende dúvidas sobre folgas, flexibilização de horários e o comportamento adequado durante as transmissões. Muitos torcedores pretendem acompanhar as partidas mesmo em horário de trabalho.

Lei não garante folga automática

Pela legislação trabalhista brasileira, os dias de jogos da Copa do Mundo não são feriados nacionais e não geram direito automático a folga ou redução de jornada. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não prevê dispensa obrigatória, cabendo a cada empresa decidir se libera funcionários, ajusta horários ou permite o acompanhamento das partidas.

Essa prática é comum em diversos setores, mas depende da política interna de cada organização ou de acordos coletivos. Quem planeja assistir aos jogos deve verificar previamente as regras da empresa para evitar contratempos.

Especialistas orientam diálogo prévio

Renato Mendes Baptista, CEO da Mendes Talent, recomenda consultar as normas internas ou alinhar expectativas com a liderança antes das partidas. Torcer, comentar jogos e participar de ações internas pode fortalecer a integração das equipes, desde que não comprometa entregas, atendimento a clientes ou o respeito entre colegas.

Gritos excessivos, provocações insistentes, palavrões e abandono de responsabilidades estão entre os comportamentos que mais geram desconforto, segundo o executivo com mais de 20 anos em Recursos Humanos. Ele também ressalta a importância de respeitar quem não acompanha futebol.

Eliane Aere, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP), afirma que o evento pode melhorar o clima organizacional, desde que o profissionalismo seja mantido. A descontração não funciona como “passe livre” para esquecer o ambiente corporativo. O limite é ultrapassado quando o comportamento afeta a rotina da equipe ou incomoda colegas.

Planejamento evita conflitos

Fernando Pedro, diretor-geral da Assigna, empresa do Talenses Group, destaca que o segredo está no planejamento. Muitas companhias criam ações leves, como transmissões coletivas, pausas programadas ou flexibilização pontual, sem prejudicar a operação.

O setor de Recursos Humanos deve estabelecer orientações claras sobre horários, uso de espaços comuns, código de vestimenta, consumo de álcool e postura esperada. As atividades relacionadas à Copa precisam ser opcionais, respeitando quem prefere manter a rotina normal.

Empresas como a startup GetNinjas, em São Paulo, decoraram o ambiente de trabalho e autorizaram funcionários a assistirem aos jogos no escritório ou em casa, ilustrando formas práticas de adaptação.

Dicas para equilibrar torcida e produtividade

  • Verifique as regras da empresa antes dos jogos e converse com o gestor.
  • Evite exageros na torcida, como gritos altos, interrupções constantes ou batidas na mesa.
  • Use o celular com moderação para checar placares, sem passar o expediente nas redes sociais.
  • Respeite colegas que não acompanham a Copa ou não torcem por nenhuma seleção.
  • Mantenha entregas e prazos em dia, mesmo durante as partidas.
  • Evite palavrões, provocações agressivas ou consumo de álcool no ambiente de trabalho.
  • Volte ao foco rapidamente após o fim do jogo.

Quando bem gerenciada, a Copa do Mundo pode gerar integração e engajamento nas equipes. O bom senso e o respeito seguem essenciais para que o clima festivo não se transforme em problema profissional.

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