O esquadrão nacional de voleibol masculino concluiu a primeira etapa da Liga das Nações (VNL) entregando um espetáculo de superação aos torcedores. Em um duelo tenso diante da seleção argentina, a equipe comandada por Bernardinho precisou suar a camisa para buscar um triunfo espetacular no quinto e último set.
O embate sul-americano ocorreu na noite deste domingo (14), no Distrito Federal, e exigiu nervos de aço dos anfitriões, que começaram perdendo as duas primeiras parciais. Mostrando resiliência, o grupo verde e amarelo buscou a igualdade e fechou o marcador geral em 3 a 2, registrando as pontuações de 18-25, 24-26, 25-19, 25-23 e um imponente 15-9 na etapa de desempate.
Com esse desfecho positivo, o elenco nacional carimba uma trajetória perfeita nesta janela inaugural da competição sediada em solo brasileiro. Foram quatro triunfos em quatro compromissos, um desempenho de 100% que não apenas consolida a liderança provisória no torneio, mas também rende pontos valiosos no ranking mundial da FIVB, fundamental para o ranqueamento em futuras competições internacionais.
A dinâmica do clássico apresentou duas metades completamente opostas: um início apático dos donos da casa e uma reação fulminante na reta final. Toda essa montanha-russa emocional incendiou os quase oito mil torcedores (exatos 7.976 presentes) que tomaram as arquibancadas do ginásio Nilson Nelson, criando um ambiente de festa absoluta no apito final.
Durante a primeira parcial, os visitantes ditaram o ritmo do confronto, cometendo falhas mínimas e atacando com extrema precisão. Impulsionados pelas atuações inspiradas dos ponteiros Luciano Vicintin e Luciano Palonsky, os argentinos precisaram de apenas 28 minutos para liquidar a etapa inicial com um folgado 25 a 18.
Na sequência do jogo, os brasileiros até tentaram esboçar uma melhora, mas viram os rivais abrirem uma margem perigosa de 14 a 9 no placar. Mesmo demonstrando garra para buscar o prejuízo e encostar em 20 a 19, a reação esbarrou em erros não forçados nos momentos decisivos, permitindo que Vicintin cravasse a bola final e garantisse o segundo set para a Argentina por 26 a 24, após 29 minutos de disputa.
Mudança de postura a partir da terceira parcial recoloca o Brasil na partida
O terceiro período trouxe uma trocação franca de pontos entre os dois lados da quadra. Foi nesse momento que o bloqueio nacional começou a funcionar, somado às cortadas agressivas de Honorato e Darlan, levantando o público ao cravar 17 a 14 no marcador. Mantendo a consistência, o grupo verde e amarelo administrou a folga e venceu por 25 a 19 em rápidos 25 minutos, respirando no confronto.
Contudo, o início da quarta parcial trouxe um balde de água fria e parecia encaminhar a derrota definitiva dos mandantes. Novamente guiados pelo talento de Vicintin, os argentinos abriram uma larga vantagem de cinco pontos logo de cara, anotando 10 a 5 no painel.
Diante da desvantagem no placar, o técnico Bernardinho mexeu nas peças em quadra e a estratégia surtiu efeito imediato, pulverizando a diferença adversária. O oposto Bryan chamou a responsabilidade no saque e anotou um ace para empatar em 20 a 20, seguido por um paredão de Judson que virou o jogo para 22 a 21. Aproveitando a energia da torcida, Arthur Bento soltou o braço no ataque para fechar a conta em 25 a 23, levando a decisão para o set desempate.
Embalados pela recuperação épica, os atletas do Brasil entraram no tie-break atropelando a linha de recepção rival. Uma interceptação perfeita de Honorato na rede e outro saque indefensável de Bryan construíram um rápido 5 a 2, margem que trouxe tranquilidade para a equipe trabalhar as viradas de bola até o fim.
Na reta final, o central Barreto roubou a cena ao erguer um muro intransponível, anotando dois bloqueios seguidos que deixaram o placar em 14 a 9. A consagração veio logo no lance seguinte, quando Luciano Vicintin tentou forçar o ataque e mandou a bola para fora, decretando a vitória brasileira na parcial curta por 15 a 9 e o triunfo no clássico.
Em entrevista ao canal Sportv após o apito final, Honorato celebrou o resultado e reconheceu a complexidade do desafio sul-americano. O atleta destacou que o grupo mostrou a verdadeira identidade do voleibol nacional ao transcender as próprias limitações físicas e táticas, ressaltando que, embora haja espaço para crescimento técnico, o elenco segue focado em evoluir a cada rodada.
Agora, a delegação arruma as malas para o próximo desafio da Liga das Nações de 2026, que mudará de continente. A segunda semana de disputas do torneio masculino ocorrerá na Eslovênia, com os primeiros saques programados para o dia 24 de junho.
