Músico Oliver Tree excluiu parentes do testamento antes de morrer em queda de helicóptero no Rio
O cantor estadunidense Oliver Tree, que perdeu a vida recentemente na queda de uma aeronave no Rio de Janeiro, tomou uma atitude drástica em relação aos seus bens materiais. Poucas semanas antes do desastre aéreo, o compositor detalhou publicamente que seus familiares não teriam direito a nenhuma parte do dinheiro acumulado durante sua carreira.
Essa escolha financeira foi explicada no dia 24 de abril, quando o astro participou do Zach Sang Show, um dos podcasts mais populares entre o público jovem nos Estados Unidos. Durante a transmissão, ele aprofundou os motivos que o levaram a deserdar os parentes.
“Eu tenho a convicção de que nenhum bem material ou lucro derivado do meu trabalho me pertence de verdade”, pontuou o vocalista na entrevista. Ele foi categórico ao afirmar: “Meu documento de últimas vontades já estabelece que, após o meu falecimento, nenhum membro da minha linhagem familiar vai colocar a mão em um único centavo”.
De acordo com as declarações do próprio artista, a totalidade dos recursos financeiros obtidos com suas músicas será transferida para uma organização de caridade idealizada por ele mesmo.
“O meu objetivo principal é garantir que, na minha ausência, toda a verba retorne para as mãos de outros criadores”, detalhou o estadunidense. Ele também descreveu o funcionamento do projeto: “Fundei uma instituição chamada Bolsas de Arte para Jovens Gênios do Dr. Oliver Tree. O sistema funciona de um jeito que os rendimentos contínuos das minhas faixas sustentam financeiramente as doações”.
Declarações antecipadas do compositor sobre o fim da vida e o impacto de suas obras
Ao longo daquela mesma entrevista, o produtor musical fez análises profundas sobre como o público passaria a enxergar seu trabalho depois que ele não estivesse mais vivo.
“Apenas no momento em que eu não estiver mais aqui, o público vai dar valor aos meus clipes absurdos e às minhas composições malucas. É assim que a sociedade aprende a valorizar. Via de regra, o passe de um criador sobe muito após o óbito”, declarou Oliver Tree.
O astro concluiu o raciocínio alertando para a fragilidade da existência humana. “Ninguém tem como prever qual será o meu último lançamento de estúdio. Meu fim pode acontecer a qualquer instante. Eu corria o risco de perder a vida no trajeto até este estúdio”, relatou o jovem na ocasião.
Detalhes do desastre aéreo na capital fluminense e as homenagens da comunidade artística
A compositora Melanie Martinez usou seus perfis nas redes sociais para publicar um texto comovente em memória de Oliver Tree, que faleceu aos 32 anos de idade.
O produtor musical estava entre as seis vítimas fatais de um choque no ar envolvendo dois helicópteros, tragédia registrada no último domingo (14) sobre a região do Recreio dos Bandeirantes, uma área litorânea da Zona Oeste carioca conhecida pelos sobrevoos turísticos.
Os dois artistas assumiram um romance publicamente no ano de 2019 e, mesmo após o rompimento da relação em 2021, continuaram demonstrando respeito mútuo perante os fãs.
Através de um longo desabafo virtual, Martinez deixou claro o tamanho da dor causada pela partida precoce do antigo parceiro amoroso.
“Ele entregava a alma para a própria arte, uma característica que eu sempre olhei com muita admiração e respeito”, publicou Melanie. A jovem complementou o relato: “Acredito que todas as pessoas do convívio dele vão acessar a memória e recordar dos instantes de diversão que ele criava com tanta naturalidade. O sorriso dele contagiava qualquer ambiente e trazia muito calor humano”.
Mensagem de despedida destaca a personalidade única e o talento do produtor musical
No mesmo texto de despedida, a cantora fez questão de exaltar a genialidade do antigo namorado e a forma como ele conseguia se manter autêntico dentro da indústria fonográfica.
“A capacidade que ele possuía de guiar projetos com inovação, sem perder aquele olhar de fascínio típico de uma criança, servia de inspiração diária. Ele carregava uma doçura imensa no peito e respirava arte em todas as suas atitudes”, pontuou a estrela pop.
O tributo digital foi encerrado com algumas palavras direcionadas diretamente ao espírito do músico acidentado.
“Encontre a paz, Oliver. Tenho certeza de que você já está arrancando gargalhadas dos anjos. Vou ficar por aqui tentando adivinhar qual é a próxima loucura ou invenção que você está planejando aí no paraíso. Receba todo o meu amor”, finalizou a compositora.
Ascensão profissional e os números impressionantes alcançados pelo astro nas plataformas digitais
Natural da cidade de Santa Cruz, no estado da Califórnia, onde nasceu em 1993, Oliver Tree ganhou fama global misturando melodias cativantes com uma identidade visual propositalmente bizarra. O estilo inconfundível envolvia peças de roupa gigantescas, cortes de cabelo fora do padrão e shows ao vivo que funcionavam como uma mistura de esquetes humorísticas, lutas coreografadas e sátiras de programas de televisão.
Antes do acidente, o perfil do cantor registrava a marca de 11 milhões de reproduções mensais no aplicativo Spotify, além de uma base de fãs superior a 2 milhões de perfis no Instagram. O currículo do estadunidense inclui parcerias de peso com nomes como David Guetta, Marshmello, KSI, BoyWithUke e o grupo Little Big.
Os primeiros passos na indústria aconteceram ainda na fase escolar, através de produções independentes. A virada de chave ocorreu na temporada de 2017, momento em que a faixa “When I’m Down” explodiu em popularidade e dominou os fóruns da internet.
No ano de 2020, o artista colocou no mercado o disco “Ugly Is Beautiful”, seu projeto de estreia por uma gravadora de grande porte, que garantiu o topo das paradas de rock e cravou a 14ª colocação na cobiçada lista Billboard 200.
O auge do sucesso comercial veio na sequência com o hit “Life Goes On” (2021) e ganhou ainda mais força com “Miss You” (2022), impulsionada por uma versão remixada pelo DJ Robin Schulz. Somando apenas essas duas canções, o produtor ultrapassou a impressionante barreira de 1,4 bilhão de execuções no Spotify.











