Fies 2026 abre inscrições com juros zero e prazo de até 18 anos para pagamento do financiamento
O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) oferece em 2026 condições especiais para estudantes brasileiros que desejam ingressar no ensino superior privado. O programa permite o financiamento de até 100% das mensalidades em cursos de graduação, com juros zero para famílias de baixa renda e prazo de pagamento que pode chegar a 18 anos após a formatura. O sistema opera com cotas semestrais definidas pelo Ministério da Educação, distribuídas entre instituições de ensino cadastradas em todo o país.
A modalidade de financiamento se divide em três categorias distintas, cada uma com critérios específicos de renda familiar per capita. O Fies social atende famílias com renda mensal de até três salários mínimos por pessoa, oferecendo taxa de juros zero e cobertura total da mensalidade. Já o P-Fies regional destina-se a estudantes de regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste com renda familiar per capita de até cinco salários mínimos. A terceira modalidade, P-Fies graduação, aceita candidatos com renda per capita de até cinco salários mínimos em qualquer região do Brasil, sendo que estas duas últimas categorias contam com fundos garantidores e instituições financeiras parceiras.

Requisitos e documentação necessária para solicitar o financiamento estudantil
Para participar do processo seletivo do Fies, o candidato precisa ter realizado o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir da edição de 2010. A nota mínima exigida é de 450 pontos na média das provas, além de pontuação superior a zero na redação. O estudante não pode ter concluído curso de ensino superior com financiamento do Fies anteriormente, exceto em casos de nova graduação permitidos pela legislação vigente.
A documentação básica inclui comprovante de residência atualizado, documento de identidade com CPF, comprovantes de renda de todos os membros do grupo familiar e certificado de conclusão do ensino médio. Estudantes que se enquadram em políticas de cotas devem apresentar também declarações específicas das instituições de ensino. O processo de inscrição acontece exclusivamente pela plataforma digital do Sistema de Seleção do Fies (SisFies), disponível no portal oficial do governo federal.
Etapas do processo seletivo desde a inscrição até a contratação
O calendário do Fies funciona em dois períodos anuais, com inscrições abertas geralmente no primeiro e no segundo semestre. Após o período de inscrição, que dura em média cinco dias úteis, o sistema divulga a lista de pré-selecionados em duas chamadas sucessivas. Os candidatos aprovados na primeira chamada têm cinco dias corridos para complementar as informações no sistema e apresentar a documentação na Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento (CPSA) da instituição de ensino escolhida.
A validação das informações pela CPSA leva até três dias úteis. Em seguida, o estudante tem até dez dias corridos para comparecer ao banco responsável pelo financiamento e assinar o contrato. O não comparecimento em qualquer uma das etapas dentro dos prazos estabelecidos resulta na perda automática da vaga. Candidatos não selecionados nas duas primeiras chamadas podem manifestar interesse na lista de espera, que funciona conforme a disponibilidade de vagas remanescentes em cada curso e instituição.
Sistema de amortização e carência no período de estudos
Durante todo o curso de graduação, o estudante beneficiário do Fies não paga as parcelas do financiamento propriamente dito. Nesse período, chamado de utilização, o aluno deve realizar trimestralmente o pagamento de um valor simbólico que varia entre R$ 50,00 e R$ 150,00, dependendo da renda familiar. Esse montante não abate o saldo devedor, servindo apenas como contribuição periódica para manutenção do cadastro ativo no programa.
Após a conclusão do curso ou o desligamento do programa, inicia-se o período de carência de 18 meses. Durante a carência, o ex-estudante paga mensalmente até 50% do valor que pagava durante a utilização. Somente depois desse período começam as parcelas efetivas de amortização do saldo devedor, calculadas com base na renda do egresso e no tempo de utilização do financiamento. O sistema de amortização considera a capacidade de pagamento do profissional formado, podendo ajustar os valores conforme a evolução da renda declarada anualmente.
Modalidades de pagamento e prazo máximo de quitação do débito
- Período de utilização com pagamentos trimestrais de até R$ 150,00 durante todo o curso
- Carência de 18 meses após formatura com parcelas reduzidas a 50% do valor trimestral
- Amortização em até três vezes o período financiado, limitado ao máximo de 20 anos
- Possibilidade de quitação antecipada total ou parcial com descontos sobre juros
- Renegociação de dívidas para contratos anteriores a 2017 com condições especiais
O prazo de amortização corresponde a até três vezes o período em que o estudante utilizou o financiamento, respeitando o limite máximo de 20 anos. Para um curso de quatro anos totalmente financiado, o egresso terá até 12 anos para quitar o débito após o término da carência. Os contratos firmados a partir de 2018 seguem o Sistema de Amortização Constante (SAC), no qual as parcelas diminuem progressivamente ao longo do tempo.
Controle de inadimplência e consequências do atraso nas parcelas
O acompanhamento do contrato do Fies pode ser feito pelo aplicativo Fies Beneficiário ou diretamente no portal do agente financeiro responsável. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil são os principais agentes operadores do programa. O não pagamento das parcelas mensais gera inclusão do nome do devedor nos sistemas de proteção ao crédito após 90 dias de atraso, além de cobrança de multa de 2% e juros de mora conforme a taxa Selic.
Beneficiários em situação de desemprego ou dificuldades financeiras podem solicitar suspensão temporária das parcelas de amortização por até seis meses, mediante comprovação da condição junto ao agente financeiro. O programa também oferece a possibilidade de migração de modalidade em casos específicos, permitindo que estudantes que melhoraram sua condição socioeconômica ajustem os termos do contrato. A transparência no cumprimento das obrigações financeiras garante a manutenção do benefício e evita complicações futuras no histórico de crédito do egresso.



