Cérebro de tubarões no Rio de Janeiro apresenta vestígios de antidepressivo sertralina em pesquisa inédita
Pesquisadores identificaram a presença de sertralina, um medicamento antidepressivo comum, nos cérebros de tubarões capturados na costa do Rio de Janeiro. A descoberta, feita por equipes multidisciplinares, acende um alerta sobre a contaminação farmacêutica nos ecossistemas marinhos brasileiros.
Os estudos foram conduzidos por especialistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e do Projeto Biopesca. As análises se concentraram em espécies de tubarão-martelo, como *Sphyrna lewini* e *Sphyrna zygaena*, coletadas em áreas costeiras como a Baía de Sepetiba e Angra dos Reis entre 2017 e 2019.
Como o antidepressivo alcança o habitat dos tubarões
A contaminação por substâncias como a sertralina é atribuída ao descarte inadequado de medicamentos e ao tratamento ineficaz de esgoto. Esse resíduo farmacêutico persiste no ambiente aquático por longos períodos, resistindo à degradação e se espalhando pelas águas.

Efeitos observados na fauna aquática e seus reflexos na saúde pública
A detecção do composto em tubarões-martelo, predadores que ocupam o topo da cadeia alimentar, sugere uma ampla disseminação do contaminante por todo o ecossistema. Este achado indica um problema sistêmico onde o resíduo farmacêutico humano não é apenas uma questão localizada, mas se infiltra em partes críticas da teia alimentar, potencialmente desequilibrando a ecologia e levantando questões sobre a bioacumulação de tais compostos em espécies de vida longa. Especialistas levantam a preocupação com possíveis alterações comportamentais nos animais, como modificações no apetite, padrões reprodutivos e até na capacidade de navegação.
Além dos efeitos sobre a fauna marinha, há uma preocupação crescente com a saúde humana. O consumo de peixes e outros frutos do mar que podem estar contaminados representa um risco potencial para as populações que dependem desses recursos.
Aumento da atenção sobre a poluição por fármacos no mundo
O Brasil é um dos países com maior consumo de antidepressivos, o que intensifica a urgência em discutir a gestão desses resíduos. Este cenário ressalta a importância de políticas públicas mais eficazes para o tratamento de esgoto e campanhas de conscientização sobre o descarte correto de medicamentos.

















