Substituto de Rui Costa no São Paulo terá que equilibrar negociações, contratos e dívidas elevadas
A diretoria do São Paulo está em busca de um novo nome para a posição de diretor executivo de futebol, após a saída de Rui Costa, em um período crucial para o clube. O profissional que assumir a função terá que lidar com negociações já iniciadas, contratos de jogadores próximos do fim e um panorama financeiro que impõe severas restrições.
Para preencher a lacuna deixada por Rui Costa, o gerente de futebol Rafinha foi encarregado de forma interina. O ex-atleta passará a atuar ativamente nas conversas sobre transferências e contará com o suporte da equipe do departamento de futebol, que já auxiliava o ex-diretor na formulação de acordos e na condução das tratativas.
O clube descarta a possibilidade de indicar um dirigente estatutário, priorizando a contratação de um profissional com experiência de mercado. Entre os nomes que estão sendo considerados pela diretoria, destaca-se o ex-jogador Edmílson.
Com as eleições presidenciais do São Paulo previstas para o final do ano, a expectativa é que o executivo escolhido permaneça no cargo, no mínimo, até essa data. A seguir, são detalhados os principais desafios que o sucessor de Rui Costa enfrentará.
Movimentações no mercado por novos jogadores
O time tricolor busca reforçar seu elenco com ao menos dois novos atletas para a sequência da temporada. A janela de transferências será aberta em 20 de julho, e a responsabilidade de tocar as negociações com empresários e outros clubes, que antes era de Rui Costa, passará ao novo executivo.
Um dos casos pendentes é a contratação de Arthur Chaves, zagueiro que está no Hoffenheim. Rui Costa estava à frente das conversas, junto ao representante do jogador, Maurício Nassif, na tentativa de selar um acordo com a equipe alemã. Duas propostas de empréstimo já foram recusadas, e os alemães agora exigem um pagamento financeiro para dar prosseguimento às negociações.
Outra tratativa em andamento envolve uma possível troca de Newton e Ferraresi com o Botafogo. O São Paulo tem interesse em um volante e avalia a liberação em definitivo do zagueiro para concretizar a operação. A condução dessas negociações também será uma atribuição do próximo executivo.
Já o atacante Victor Sá finalizou seu acerto com o São Paulo e realizou exames médicos. Ele aguarda somente a liberação do Krasnodar, clube com o qual tem contrato até o fim deste mês, para ser oficialmente anunciado. O jogador de 32 anos assinou um vínculo válido até dezembro de 2029.
Acompanhamento da situação contratual de jogadores importantes
Rui Costa tinha participação direta na gestão do elenco, incluindo as negociações para a renovação de contratos dos atletas. Atualmente, o São Paulo tem sete jogadores cujos vínculos se encerram no final do ano: Calleri, Lucas Moura, Luan, Young, Matheus Belém, Rafael Tolói e Felipe Preis.
Entre esses atletas, o Tricolor já autorizou Luan, Matheus Belém e Young a procurarem novos clubes para o segundo semestre. A expectativa é que Rafael Tolói também não permaneça, enquanto Felipe Preis ainda será avaliado pela comissão técnica.
Os casos de Calleri e Lucas Moura são considerados os mais delicados. Internamente, o São Paulo demonstra otimismo na renovação do contrato do centroavante argentino. Calleri solicitou um contrato de duas temporadas, com a possibilidade de estender por mais um ano caso atinja metas esportivas. A diretoria está analisando os termos da proposta, além de precisar resolver pendências financeiras entre as partes.
A situação de Lucas Moura, de 33 anos, é cercada por maior incerteza. O meia-atacante está em recuperação de uma cirurgia para corrigir uma ruptura total do tendão de Aquiles na perna direita, e seu retorno aos gramados está previsto apenas para 2027. O São Paulo ainda não tomou uma decisão sobre a abertura de negociações para a renovação de seu contrato.
Desafios orçamentários e estratégia de mercado do clube
Além das exigências esportivas, o novo executivo precisará atuar dentro de um cenário de fortes restrições orçamentárias. O São Paulo registrou uma dívida total de R$ 865 milhões, conforme o balanço financeiro divulgado em abril. Este montante elevado, comum a muitos grandes clubes brasileiros, impõe que a estratégia de mercado priorize alternativas como jogadores sem contrato ou empréstimos, limitando investimentos diretos.
Na temporada passada, o investimento do Tricolor no departamento de futebol totalizou R$ 55,9 milhões. As contratações realizadas em 2025 foram, em sua maioria, de atletas que estavam livres no mercado ou que vieram por empréstimo, uma estratégia que deve ser mantida.
O futuro executivo terá ciência de que o espaço para investimentos na aquisição de direitos econômicos de jogadores será reduzido, o que naturalmente limita o poder de compra do clube. Neste ano, o São Paulo já efetuou seis contratações: o goleiro Carlos Coronel, o lateral-direito Lucas Ramon, o zagueiro Dória, o volante Danielzinho, o meia Cauly e o atacante Artur.
Adicionalmente, o clube espera negociar alguns jogadores na próxima janela de transferências. Para o orçamento de 2025, o São Paulo projeta arrecadar R$ 180 milhões com a venda de atletas, uma meta que se tornará prioridade para o próximo responsável pelo departamento de futebol.

















