Valor de figurinha rara de Messi atinge R$ 3,6 mil na Argentina em meio à severa crise econômica
A cobiça por figurinhas de Lionel Messi impulsionou uma escalada de preços notável na Argentina. Modelos exclusivos ou holográficos do craque foram anunciados com valores que oscilam entre US$ 70 (equivalente a R$ 360) e US$ 300 (cerca de R$ 1.545).
Em certas ocasiões, anúncios na internet mostraram ofertas de até US$ 700 (aproximadamente R$ 3,6 mil) por apenas uma unidade do item colecionável. Essa movimentação reflete a alta demanda em um mercado com características peculiares.
A falta das figurinhas do capitão da seleção argentina tem se tornado uma verdadeira lição prática para as crianças do país, que aprendem sobre conceitos como oferta e demanda, inflação, formação de preços e a dinâmica dos mercados paralelos.
Enquanto crianças em outras nações utilizam o álbum da Copa para se familiarizar com seleções e geografia, os jovens argentinos acabam recebendo noções básicas de macroeconomia de forma lúdica.
Na prática, eles percebem que o valor de uma figurinha não é determinado apenas pelo preço de tabela original, mas também pela disposição dos compradores em pagar um montante maior por ela.
É importante ressaltar que os valores mencionados correspondem a ofertas feitas por vendedores em plataformas online e não significam, necessariamente, que todas as transações foram efetivamente concretizadas por esses preços máximos.
Aumento da demanda impulsionado pela provável despedida de Messi na Copa
Um dos motivos que explicam a intensa procura pelas figurinhas está na possibilidade de esta ser a última participação de Messi em uma Copa do Mundo. O jogador está prestes a completar 39 anos, o que sugere que ele talvez não figure no álbum do Mundial de 2030.
Essa perspectiva gera um interesse ainda maior entre os colecionadores e contribui para a valorização das atuais figurinhas que retratam o talentoso atleta argentino.
O custo de uma figurinha de Messi chega a ser comparado à soma dos valores de vários outros craques, como Cristiano Ronaldo, Kylian Mbappé, Mohamed Salah e mais uma dezena de jogadores renomados.
Essa comparação também estabelece um paralelo entre o mercado de figurinhas e uma realidade bem conhecida pelas famílias argentinas: a flutuação das taxas de câmbio. Assim como os pais acompanham diariamente a cotação do dólar em relação ao peso, as crianças observam a formação de uma “cotação” entre os jogadores no álbum.
Contudo, sem a existência de um “banco central de figurinhas”, não há nenhuma autoridade formal que possa intervir ou regular esses valores de mercado.
Aumento expressivo no preço dos pacotes de figurinhas: de 5 para 2 mil pesos
Os valores oficiais dos pacotes de figurinhas também servem como um termômetro para a progressão da inflação na Argentina, revelando um aumento drástico ao longo dos anos.
Na Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, cada envelope podia ser adquirido por 5 pesos. Quatro anos depois, durante o Mundial da Rússia, o preço havia triplicado, alcançando 15 pesos.
Já na Copa do Catar, em 2022, o pacote era comercializado por 150 pesos. Atualmente, a aquisição de cada envelope exige um desembolso de 2 mil pesos, demonstrando o impacto inflacionário.
População argentina prioriza recuperação econômica em detrimento do título mundial
Uma pesquisa conduzida pela consultoria Jacob de Opinião Pública indicou que 71,5% dos entrevistados têm a expectativa de que a seleção argentina sairá vitoriosa na próxima Copa.
Apesar desse otimismo quanto ao desempenho esportivo, a maioria dos entrevistados afirmou que preferiria uma melhora substancial e duradoura na economia do país à conquista do campeonato.
Conforme o levantamento, 48,8% dos cidadãos optariam pela recuperação econômica, mesmo que isso significasse a Argentina não vencer o Mundial. Outros 44% declararam que aceitariam a continuidade da crise econômica em troca do troféu.
A seleção argentina tem um confronto marcado com a Áustria nesta segunda-feira (22).

















