Cientistas na Malásia identificam novo parasita que consome ‘fungos zumbis’ e pode revolucionar medicina

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Mulheres cientistas

Mulheres cientistas - Zamrznuti tonovi/shutterstock.com

Uma nova espécie de fungo parasita, batizada de *Pleurocordyceps cornusynnemata*, foi recentemente identificada por pesquisadores nas selvas de Bornéu, na Malásia. Com uma forma peculiar que lembra um chifre, esta criatura surpreendente se alimenta de “fungos zumbis”, os quais são conhecidos por infectar e controlar formigas, levando-as a um comportamento estranho e, eventualmente, à morte.

O achado inédito foi documentado em 2 de junho por uma equipe de cientistas da Universiti Malaysia Sabah (UMS) e publicado na renomada revista científica Phytotaxa. A professora associada Jaya Seelan liderou a pesquisa que localizou o parasita em uma formiga já sem vida, na Área de Conservação do Vale de Danum, localizada em Lahad Datu.

O mecanismo de ação do novo hiperparasita

A professora Seelan explicou à agência France-Presse (AFP) que o fungo recém-descoberto foi classificado como um “hiperparasita” devido à sua notável capacidade de parasitar outras criaturas. Seu alvo são os “fungos zumbis” da espécie *Ophiocordyceps*, famosos por alterar o sistema nervoso de formigas, fazendo com que elas exibam comportamentos bizarros antes de morrer, e depois emergirem de seus corpos.

Em vez de manipular diretamente o sistema nervoso do inseto hospedeiro, o *Pleurocordyceps* age de forma diferente. Ele se infiltra e consome o tecido do *Ophiocordyceps* que está se desenvolvendo dentro da formiga, detalhou Seelan.

A especialista ressaltou que, embora este não seja o primeiro “hiperparasita” conhecido, ele se destaca como o primeiro membro de seu gênero a apresentar uma estrutura física distinta em forma de chifre.

Fungo zumbi – Alen thien/ Shutterstock.com

A importância da descoberta para a biodiversidade

Esta descoberta reforça a posição da Malásia como um polo global de biodiversidade, abrigando inúmeras espécies que ainda aguardam documentação científica. A morfologia singular em formato de chifre do novo fungo o distingue das outras 26 espécies de *Pleurocordyceps* já catalogadas na China, Tailândia e Japão.

A pesquisadora Seelan apontou que os fungos recém-identificados oferecem um vasto potencial para o avanço da ciência. Eles podem ser estudados tanto para o desenvolvimento de uma nova geração de medicamentos antimicrobianos, combatendo infecções resistentes, quanto para a criação de agentes de biocontrole altamente eficazes no combate a pragas agrícolas, oferecendo uma alternativa mais sustentável.

Em um comunicado oficial, o vice-reitor da UMS, Datuk Dr. Kasim Mansor, enfatizou que esta conquista reflete a visão da universidade de se posicionar como o “cérebro de Bornéu”. Ele destacou, ainda, a capacidade dos cientistas locais em conduzir pesquisas de alto impacto que capturam a atenção da comunidade científica internacional.

Além da nova espécie globalmente reconhecida, a equipe de pesquisa também fez o primeiro registro na Malásia de outros dois fungos: o *Pleurocordyceps aurantiaca* e o *Pleurocordyceps nipponica*.

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