O Avaí Futebol Clube divulgou nesta terça-feira a proposta oficial de R$ 400 milhões da Kactus Capital para adquirir 90% da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Leão da Ilha. A informação foi confirmada pelo presidente do clube, Bernardo Pessi.
Durante uma coletiva de imprensa na Ressacada, Pessi apresentou os detalhes da oferta. Segundo o dirigente, o compromisso inicial da Kactus Capital é quitar a totalidade da dívida atual do Avaí, que soma aproximadamente R$ 290 milhões.
“Temos um programa de investimento que supera os R$ 400 milhões. É um montante expressivo, um valor sem precedentes, comparável aos maiores negócios de SAF no país e, sem dúvida, o maior já visto em Santa Catarina. A proposta abrange todas as obrigações financeiras do Avaí hoje: recuperação judicial, tributos, transações fiscais, tudo o que acumulou no ano passado e o que for gerado neste ano até a conclusão do negócio”, explicou o presidente.
- R$ 75 milhões destinados ao projeto esportivo do Avaí
- R$ 20 milhões para investimento direto nas categorias de base
- R$ 5 milhões reservados para a infraestrutura do clube, incluindo o centro de treinamento e o estádio
Adicionalmente, a Kactus Capital assumiu o compromisso de cobrir os custos operacionais e de manutenção diária do clube.
“Conseguimos incluir na proposta que a Kactus garanta uma folha salarial mínima, adaptada à série em que o Avaí estiver competindo. Para a Série B, um valor de R$ 2,5 milhões, mais encargos. E, caso o clube esteja na Série A, uma folha de, no mínimo, R$ 7 milhões, também com impostos adicionais”, detalhou Pessi.
“Há também um contrato que prevê um empréstimo-ponte imediato, o que oferece uma tranquilidade financeira imediata para situações de urgência do Avaí”, completou.
Garantias e próximos passos na transição para SAF
- Participação assegurada de um terço das cadeiras no conselho de administração do clube
- Direito de veto em decisões estratégicas, como alterações no nome da agremiação, cores, hino, estádio e cidade-sede
- Poder de veto sobre qualquer outra negociação que a Kactus Capital possa tentar realizar com terceiros, seja para entrada, saída ou substituição de parceiros comerciais
- Garantia total de todo o patrimônio do Avaí, englobando a Ressacada e o centro de treinamento
Ainda nesta terça-feira, a diretoria do Avaí convocou uma reunião do Conselho Deliberativo para o dia 30 de junho, onde a proposta de aquisição da SAF será submetida à votação. Caso aprovada, a oferta seguirá para deliberação dos sócios avaianos em uma assembleia posterior.
A proposta da SAF somente será homologada e efetivada após a validação tanto do Conselho Deliberativo quanto dos sócios do clube.
“Ao longo deste período, continuaremos a estruturar um vasto conjunto de contratos inerentes a uma negociação de tal magnitude, desde a utilização do estádio e do CT, as negociações relativas à marca, até os contratos de patrocínio existentes. Cuidaremos de todos os acordos em andamento. Os colaboradores e toda a equipe que atua no Avaí serão envolvidos nesse processo de cuidado, que engloba inúmeros entendimentos vinculados ao contrato principal de investimento”, afirmou o presidente.
Detalhes adicionais sobre a transação e o futuro do clube
O Avaí tem sido alvo de diversas consultas sobre investimentos em SAF nos últimos cinco anos. Desde a criação da lei da SAF, o clube tem recebido abordagens frequentes. Embora outras propostas tenham chegado perto, nenhuma delas se mostrou suficientemente pronta para ser apresentada ao Conselho Deliberativo, ou capaz de garantir os interesses do clube. Atualmente, esta é a única oferta que atende às necessidades do Avaí.
A Kactus Capital já indicou que os recursos financeiros estão disponíveis e serão aportados imediatamente após a conclusão dos trâmites burocráticos e aprovações internas necessárias.
O sucesso do empreendimento dependerá da seriedade do trabalho envolvido. Mesmo com o avanço do investimento, o clube manterá um papel ativo e vigilante. “Ninguém vai simplesmente entregar as chaves do clube, dar as costas e permitir que um investidor faça o que bem entender”, enfatizou Pessi.
A própria Kactus Capital tem interesse em uma participação colaborativa, pois o esforço conjunto é fundamental para o bom funcionamento. A diretoria não pretende “vender sonhos” aos torcedores, mas sim garantir segurança, responsabilidade e muito trabalho.
Não há nenhuma previsão de que a representatividade do Avaí na SAF seja diluída. Existem garantias contratuais de participação no conselho de administração, além de uma extensa lista de decisões que dependem exclusivamente do Avaí. O presidente continuará representando o clube na negociação, assegurando que a voz da instituição e dos torcedores seja ouvida e respeitada.
Os R$ 5 milhões reservados para investimentos em infraestrutura dependem da aprovação de um plano detalhado pelo próprio Avaí, visto que o patrimônio permanece sob a posse do clube. Qualquer melhoria no patrimônio exige a autorização da diretoria.
“Na minha visão, esse montante precisará ser ampliado, naturalmente, com o envolvimento de equipes, arquitetos e especialistas da área. Precisamos investir em nosso centro de treinamento, especialmente nos departamentos médico, de fisioterapia e de recuperação de atletas. Essa estrutura física para treinamentos é algo que temos observado em outros clubes brasileiros e será, certamente, o foco inicial deste tipo de investimento aqui no Avaí”, concluiu Pessi.

