Carlo Ancelotti detalha retorno de Neymar ao campo e aponta Rayan como provável titular contra a Escócia
Uma coletiva de imprensa atípica, iniciada com mais de duas horas e meia de atraso em Miami, marcou as declarações do técnico Carlo Ancelotti. O voo que partia de Nova Jersey enfrentou imprevistos climáticos, mas o treinador da Seleção Brasileira demonstrou bom humor ao lidar com a situação, revelando uma postura de liderança mesmo diante de obstáculos logísticos inesperados.
O experiente comandante italiano fez uma piada sobre o horário da coletiva. “É uma experiência muito bonita dar uma coletiva de imprensa às nove da noite”, afirmou, referindo-se ao fuso horário local, uma hora atrás do horário de Brasília.
Após o tom descontraído, Ancelotti foi diretamente questionado sobre o aguardado retorno de Neymar. O atacante se recuperou de uma lesão de grau dois na panturrilha direita, treinou intensamente ao longo da semana e está pronto para sua estreia no quarto Mundial da carreira, no confronto contra a Escócia, marcado para esta quarta-feira (24), às 19h, pela última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo.
“Neymar trabalhou bem esta semana e estamos muito contentes com sua volta. Obviamente que, com a qualidade dele, pode ajudar muito ao time”, destacou o técnico. Ele também abordou a dúvida sobre quantos minutos o camisa 10, que estava inativo há mais de um mês, teria capacidade de atuar.
Ancelotti respondeu com outra brincadeira sobre a condição física do jogador. “Ele pode jogar. Eu posso jogar 90 minutos caminhando [risos]. Ele treinou muito bem, estou muito feliz com ele”, afirmou o treinador.
Possível substituto para Raphinha após lesão
Apesar do otimismo, Neymar deverá começar a partida no banco de reservas, devido à necessidade de readquirir ritmo de jogo. A única mudança confirmada na equipe que venceu o Haiti por 3 a 0 na última sexta-feira (19) é a ausência de Raphinha, que sofreu uma lesão no posterior da coxa direita e está fora.
Sem confirmar nominalmente o substituto do camisa 11, o técnico Carlo Ancelotti deu fortes indicações de que Rayan será o escolhido para iniciar a partida. O atacante, com passagem pelo Vasco e atualmente no Bournemouth, na Inglaterra, disputa a posição de titular com Luiz Henrique.
“Acho que o Rayan, quando entrou no lugar do Raphinha [contra o Haiti], fez um bom jogo. Rayan tem muito potencial nesse aspecto [de ‘alargar o campo’, ou seja, atuar posicionado bem próximo à lateral e gerar espaços para infiltração]”, explicou o italiano, ressaltando a importância tática de ter um jogador que consiga criar profundidade e abrir espaços na defesa adversária. “Temos outros jogadores que podem se adaptar ao sistema, mas se precisarmos dessa amplitude, o Rayan pode fazer esse papel”, concluiu, ao mesmo tempo em que rechaçou a ideia de poupar Douglas Santos e Casemiro, ambos pendurados com um cartão amarelo.
“Pensamos em ganhar o jogo com a melhor escalação possível. Não pensamos em cartão. Temos que jogar um jogo completo”, resumiu Ancelotti, priorizando o desempenho em campo.
Busca pela liderança do grupo e suas vantagens estratégicas
A Seleção Brasileira atualmente lidera o Grupo C da competição, com quatro pontos, o mesmo número de Marrocos, mas à frente pelo saldo de gols (três contra um). A Escócia ocupa a terceira posição com três pontos, enquanto o Haiti não pontuou. No mesmo horário do confronto do Brasil em Miami, Marrocos e Haiti se enfrentarão em Atlanta, em uma partida que influenciará diretamente a classificação final.
O time brasileiro tem como objetivo primordial terminar a fase de grupos na liderança. Esta meta não se deve à preferência por um adversário específico nas oitavas de final, que viria do Grupo F (com Holanda, Japão, Suécia e Tunísia), mas sim por uma questão logística crucial. Garantir o primeiro lugar permitiria à delegação manter a base de concentração em Nova Jersey para a fase eliminatória, minimizando o desgaste com viagens e permitindo que os atletas mantenham uma rotina estável e focada na preparação.
Caso a equipe termine em segundo lugar no grupo, o Brasil teria que viajar para Monterrey, no México, para disputar o confronto dos 16 avos de final. Se avançar, retornaria aos Estados Unidos, mas com bases itinerantes. Existe ainda a possibilidade de classificação como um dos oito melhores terceiros colocados, o que implicaria atuar tanto em território norte-americano quanto mexicano, dependendo dos resultados finais da primeira fase.
“Não vamos focar no jogo de Marrocos. Vamos pensar no que temos de fazer e fazê-lo bem. Melhorar o [que foi feito no] jogo contra o Haiti. A Escócia tem uma boa equipe, estão com a oportunidade de se classificar melhor no grupo”, finalizou Ancelotti, reiterando o foco total no desempenho da própria equipe.

















