Requisitos e cálculo da aposentadoria por hérnia de disco no INSS em 2026

Médico mostrando vertebra com hérnia de disco
Foto: Médico mostrando vertebra com hérnia de disco - Natali _ Mis/shutterstock.com

Pessoas com hérnia de disco podem receber benefícios previdenciários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que variam, em 2026, entre o salário mínimo projetado de R$1.621,00 e o teto de R$8.475,55, conforme o histórico de contribuições. Muitos segurados, por falta de informação detalhada, acabam não acessando o valor mais vantajoso ou solicitam o benefício inadequado. Entender as regras de cálculo e os tipos de aposentadoria é essencial para evitar perdas financeiras.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a hérnia de disco atinge cerca de 80% da população global. Para quem enfrenta a doença e sente que sua capacidade de trabalho foi comprometida, é crucial conhecer os caminhos para assegurar um benefício que ofereça o melhor suporte financeiro possível, garantindo a dignidade e o sustento em um momento de vulnerabilidade.

Este artigo detalha o cálculo da aposentadoria, quais documentos são necessários para a perícia médica e as ações a serem tomadas caso o pedido seja negado. Dominar essas informações é o primeiro passo para o segurado não ser prejudicado por desconhecimento das normas previdenciárias vigentes.

Hérnia de disco garante direito à aposentadoria?

Sim, a condição de hérnia de disco pode conceder o direito à aposentadoria por incapacidade permanente, anteriormente conhecida como aposentadoria por invalidez, quando a doença impossibilita totalmente o exercício de qualquer atividade profissional. Se a hérnia de disco for resultado direto da atividade laboral ou de um acidente de trabalho, o segurado pode ter acesso à aposentadoria por invalidez acidentária, que geralmente oferece um valor mais benéfico.

O INSS distingue dois formatos de aposentadoria por invalidez. Uma delas é a aposentadoria comum (identificada pelo código B32), destinada a enfermidades sem ligação direta com o ambiente de trabalho. A outra modalidade é a acidentária (código B92), voltada para quem desenvolveu a doença ou sofreu um acidente devido ao trabalho.

No cenário da aposentadoria B92, não há exigência de tempo mínimo de contribuição, ou seja, carência. Além disso, este benefício pode garantir maior proteção ao segurado, incluindo a manutenção dos depósitos no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) enquanto recebe a aposentadoria. Em ambas as situações, certos critérios precisam ser preenchidos.

Para a aposentadoria por invalidez comum (B32) por hérnia de disco, o requerente deve cumprir condições básicas impostas pelo INSS, como manter a qualidade de segurado e comprovar a inaptidão laboral. Os pontos principais para verificação são:

  • Ter qualidade de segurado: Isso significa estar contribuindo ativamente para o INSS ou estar dentro do período de graça, que permite solicitar o benefício por um tempo que varia de 12 a 36 meses após parar de contribuir.
  • Estar totalmente e permanentemente incapaz para o trabalho: É fundamental demonstrar que não é mais possível exercer qualquer função.
  • Ter cumprido a carência mínima: O segurado deve ter realizado, no mínimo, 12 contribuições mensais ao INSS.

A comprovação da incapacidade resultante da hérnia de disco ocorre durante a perícia médica do INSS, onde um profissional avalia a possibilidade de recuperação ou reabilitação profissional. Caso a hérnia tenha sido causada por um acidente de qualquer natureza, a exigência das 12 contribuições mínimas é dispensada, facilitando o acesso ao direito.

Para solicitar a aposentadoria por invalidez acidentária (B92), os critérios envolvem a qualidade de segurado, a demonstração da incapacidade permanente para o trabalho e a comprovação da relação da hérnia de disco com o ambiente laboral. As condições são ligeiramente diferentes, pois a origem da doença está ligada à atividade profissional. Observe o que é necessário:

  • Ser segurado do INSS: Significa estar contribuindo de forma regular ou estar coberto pelo “período de graça”.
  • Comprovar o nexo causal: É preciso provar que a hérnia de disco tem ligação com o trabalho, seja como doença ocupacional ou acidente de trajeto até a empresa.
  • Estar incapacitado de forma total e definitiva: O segurado não consegue mais desempenhar nenhuma função devido à hérnia.

Neste tipo de aposentadoria, a carência é dispensada, o que significa que não é preciso ter completado as 12 contribuições mínimas. A comprovação da conexão entre a hérnia e o trabalho, assim como a incapacidade permanente, é feita na perícia médica, onde o médico do INSS analisará a condição de saúde do paciente, exames, laudos e relatórios médicos.

Uma recomendação valiosa é solicitar ao médico assistente que detalhe no laudo a relação da hérnia com as atividades laborais, informando também o Código Internacional de Doenças (CID). Essa informação é crucial para auxiliar o perito do INSS a reconhecer que a condição foi provocada pelas exigências da profissão.

É igualmente importante que a empresa solicite a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). Este documento formaliza acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais junto ao INSS. A CAT é vital para estabelecer o nexo entre a função exercida e o problema de saúde, simplificando consideravelmente a prova de que a condição da coluna resultou de obrigações profissionais.

INSS
INSS – Foto: rafastockbr / Shutterstock.com

Como é calculado o benefício de quem se aposenta por hérnia de disco?

O valor da aposentadoria por hérnia de disco não é fixo; ele varia conforme a data em que o requerimento foi feito e o tipo de aposentadoria concedida. As regras de cálculo sofreram alterações significativas nos últimos anos. Em situações específicas, é possível ainda adicionar 25% sobre o valor total do benefício, caso o segurado necessite de assistência permanente de terceiros para atividades básicas.

Em seguida, serão detalhadas as formas de cálculo da aposentadoria por invalidez, antes e depois da Reforma da Previdência, o montante da aposentadoria por invalidez acidentária (B92) e a possibilidade de um acréscimo no benefício.

Para quem já possuía a condição de hérnia de disco e preenchia os requisitos para se aposentar até 13 de novembro de 2019, antes da Reforma da Previdência, aplica-se o direito adquirido. Nesse caso, o valor do benefício é calculado da seguinte forma:

  • Realiza-se a média dos 80% maiores salários de contribuição a partir de julho de 1994, descartando os 20% menores.
  • O resultado dessa média corresponde ao valor integral do benefício.

Nessa regra anterior, o segurado recebia 100% da média apurada, o que a tornava mais vantajosa em comparação com as mudanças trazidas pela Reforma.

Consideremos o exemplo de Laurita, que trabalhava como operadora de telemarketing. Em abril de 2018, ela teve uma crise aguda de coluna e foi diagnosticada com hérnia de disco após exames. Após tentar todos os tratamentos sem sucesso, ela percebeu que não conseguia mais trabalhar e solicitou a aposentadoria por invalidez em outubro de 2018, um ano antes das novas regras. A média dos 80% maiores salários de Laurita desde julho de 1994 foi de R$2.500,00. Como a regra antiga garantia o pagamento integral dessa média, a aposentadoria de Laurita foi fixada em R$2.500,00, sem aplicação de redutores.

Para quem desenvolveu hérnia de disco ou solicitou a aposentadoria por invalidez a partir de 13 de novembro de 2019, as regras se tornaram mais rigorosas. Atualmente, o cálculo é feito da seguinte maneira:

  • Calcula-se a média de 100% de todas as contribuições desde julho de 1994, sem descartar as menores.
  • Sobre essa média, o segurado recebe 60% do valor, acrescido de 2% para cada ano que exceder o tempo mínimo de contribuição:

– Mulheres: 15 anos de tempo de contribuição;
– Homens: 20 anos de tempo de contribuição.

Com o caso de Jacinto, é possível compreender melhor como esse novo cálculo é aplicado na prática.

Jacinto, um servente de pedreiro com 23 anos de experiência na construção civil, começou a sentir dores intensas na coluna. Em dezembro de 2019, ao carregar blocos de tijolo, ele sofreu dores insuportáveis que o fizeram cair. Após atendimento médico e exames, Jacinto foi diagnosticado com hérnia de disco e compressão severa do nervo ciático. Mesmo com tratamento, sua condição não melhorou, e o médico recomendou que ele parasse de trabalhar. Em fevereiro de 2020, ele deu entrada no pedido de aposentadoria por incapacidade permanente.

Considerando que a média de todos os salários de Jacinto ao longo dos 23 anos de contribuição resultou em R$3.000,00, o cálculo do seu benefício ficou assim:

  • Pela regra atual, ele recebe 60% da média mais 2% para cada ano que exceda 20 anos de contribuição.
  • Isso totaliza 60% + 6% (3 anos x 2%) = 66%.
  • Portanto, 66% de R$3.000,00 equivale a R$1.980,00.

Percebe-se que, apesar de ter uma boa média salarial, o valor final do benefício de Jacinto diminuiu significativamente devido às novas regras da Reforma, resultando em R$1.980,00. Antes das mudanças, Jacinto poderia ter recebido o valor integral de R$3.000,00.

Na aposentadoria por invalidez acidentária (B92), o segurado tem direito a 100% da média de todas as contribuições realizadas desde julho de 1994. É vantajoso, então, provar que a hérnia de disco é uma doença ocupacional, conforme demonstrado a seguir.

Voltando ao exemplo de Jacinto: se ele tivesse comprovado que sua hérnia surgiu devido ao trabalho de carregar sacos de cimento na obra, ele teria sido aposentado por invalidez acidentária. Nesse caso, ele não receberia os R$1.980,00, mas sim os R$3.000,00 integrais de sua média salarial.

Essa diferença representa um montante de R$1.020,00 por mês. Em um ano, incluindo o décimo terceiro salário, a perda acumulada seria de R$13.260,00. Por essa razão, a comprovação da ligação da hérnia de disco com o trabalho é um fator crítico para evitar perdas financeiras significativas.

Um adicional de 25% no valor da aposentadoria é concedido se a hérnia de disco for tão severa a ponto de exigir auxílio constante de terceiros para ações diárias como tomar banho, se vestir ou se alimentar. Muitos segurados desconhecem essa possibilidade e deixam de receber um valor essencial para custear os cuidados necessários no dia a dia.

Este acréscimo é pago mesmo que o beneficiário já receba o teto do INSS, pois tem caráter assistencial. Ele se destina a auxiliar nos gastos com cuidadores ou familiares que dedicam seu tempo a essa assistência. Para obtê-lo, basta formalizar o pedido e passar por uma perícia que ateste a dependência.

O valor do seu benefício não permanece inalterado. A cada mês de janeiro, o governo aplica um reajuste para garantir que o poder de compra do dinheiro seja mantido frente à inflação.

Se o segurado recebe o salário mínimo, o aumento segue o índice de valorização nacional. Para quem ganha acima do mínimo, o reajuste é baseado no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Esse ajuste visa assegurar que o beneficiário consiga cobrir despesas com medicamentos e manter sua qualidade de vida. Em 2024, o salário mínimo é de R$ 1.412,00 e o teto do INSS é de R$ 7.786,02, valores que sofrerão reajuste até 2026, quando o piso será de R$1.621,00 e o teto de R$8.475,55, com projeção de um reajuste de 3,9% em relação a 2025.

Como solicitar a aposentadoria por hérnia de disco no INSS?

Para iniciar o pedido de aposentadoria por hérnia de disco, o segurado pode procurar uma agência do INSS, ligar para o telefone 135 ou realizar a solicitação pelo site ou aplicativo Meu INSS. A última opção é recomendada, pois permite anexar documentos médicos e acompanhar o
andamento do processo de casa.

A seguir, veja o passo a passo para fazer o pedido através do Meu INSS.

Para dar entrada na aposentadoria por invalidez usando a plataforma Meu INSS, siga estas instruções:

  • Acesse o site ou o aplicativo Meu INSS.
  • Clique na opção “Entrar com gov.br”.
  • Faça o login com o seu CPF e continue.
  • Digite a sua senha cadastrada e clique em “Entrar”.
  • Selecione “Benefício por Incapacidade” ou utilize a barra de busca com o ícone de lupa para encontrá-lo.
  • Clique em “Pedir Novo Benefício” na tela de “Serviços Disponíveis”.
  • Leia com atenção as informações sobre “Benefício por Incapacidade” e clique em “Avançar”.
  • Preencha os dados para criar o seu pedido no Meu INSS.
  • Na etapa “Dados do Pedido”, indique como você se identifica e clique em “Avançar”.
  • Prossiga com os demais passos e etapas solicitadas para concluir a sua aposentadoria por incapacidade permanente.

O procedimento para solicitar a aposentadoria por invalidez acidentária (B92) é bastante semelhante ao da aposentadoria por invalidez comum (B32). Observe:

  • Organize previamente toda a documentação necessária.
  • Acesse o Meu INSS e clique na opção “Entrar com gov.br”.
  • Realize o login informando seu CPF e a senha já cadastrada.
  • Ao acessar o sistema, localize a opção “Benefício por Incapacidade” através do menu principal ou da barra de busca.
  • Selecione “Pedir Novo Benefício por Incapacidade” na seção de serviços disponíveis.
  • Na tela seguinte, leia atentamente as orientações sobre o benefício por incapacidade e avance.
  • Preencha todas as informações solicitadas para iniciar o requerimento.
  • Siga as instruções da plataforma e anexe todos os documentos médicos.
  • Quando solicitado, indique que a incapacidade é decorrente de acidente de trabalho.
  • Após concluir o preenchimento e o envio do pedido de aposentadoria por invalidez acidentária (B92), aguarde o agendamento da perícia médica.

Uma recomendação crucial: anexe a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) emitida pela empresa ou pelo sindicato. Se não possuir a CAT, apresente outros documentos que comprovem o esforço físico exigido em sua função, como fotografias no local de trabalho ou contratos que detalhem atividades pesadas. Isso pode ser fundamental para que o perito relacione a hérnia de disco ao emprego.

O que fazer para ser aprovado na perícia do INSS por hérnia de disco?

Para garantir a aprovação na perícia do INSS, é fundamental ser claro e direto nas respostas, além de apresentar toda a documentação que ateste que a hérnia de disco impede o exercício da atividade laboral. A perícia médica é um momento que gera apreensão, mas com a preparação adequada, as chances de sucesso aumentam consideravelmente.

No dia da perícia, certos documentos são indispensáveis e devem ser organizados em uma pasta:

  • Documento de identificação com foto (RG, CNH, CIN ou CTPS).
  • Laudo médico atualizado, contendo o CID (Código Internacional de Doenças) e a descrição detalhada da limitação.
  • Exames de imagem, como Ressonância Magnética, Tomografia e Raio-X.
  • Receitas de medicamentos, especialmente relaxantes musculares, anti-inflamatórios potentes e analgésicos opioides.
  • Comprovantes de tratamentos realizados, como sessões de fisioterapia.
  • Relatório médico indicando explicitamente a impossibilidade de trabalhar.

Durante a conversa com o perito, seja objetivo. Em vez de uma afirmação genérica como “tenho hérnia”, descreva as limitações funcionais. Por exemplo, diga “não consigo permanecer sentado por mais de 15 minutos porque minha perna adormece” ou “não consigo levantar peso devido à perda de força nos braços”. Concentre-se em detalhar o que a condição impede você de fazer no dia a dia.

O que fazer se o INSS negar o pedido de aposentadoria?

Caso o INSS rejeite o pedido de aposentadoria, o segurado tem a opção de reverter a decisão por meio de um recurso administrativo ou de uma ação judicial. Cada via possui suas particularidades e prazos.

O recurso administrativo pode ser interposto pelo próprio segurado através do Meu INSS, dentro do prazo de 30 dias a partir da data em que a negativa é comunicada. Neste recurso, é possível contestar o resultado da perícia, anexar novos laudos, exames ou relatórios médicos e esclarecer pontos que não foram considerados na análise inicial do benefício.

Se o recurso administrativo não for aceito, ou se o segurado preferir uma via mais ágil e, por vezes, mais eficaz, é possível ingressar com uma ação na Justiça. Nesse cenário, o ideal é buscar o auxílio de um advogado especialista em Direito Previdenciário. Esse profissional poderá analisar as razões da negativa, verificar a completude da documentação, definir a melhor estratégia jurídica e acompanhar todo o processo judicial.

No âmbito judicial, a avaliação da incapacidade é realizada por um perito indicado pelo juiz, agindo de forma independente do INSS e com base nos documentos apresentados. Esta etapa proporciona uma reavaliação do caso com maior atenção e, frequentemente, resulta em um desfecho diferente do inicialmente determinado pelo órgão previdenciário.

Avaliação final sobre a aposentadoria por hérnia de disco

Confrontar uma hérnia de disco já representa um grande desafio físico, e não é necessário que as questões financeiras se tornem outro obstáculo. O valor da sua aposentadoria por hérnia de disco é influenciado por múltiplos fatores, como a modalidade do benefício (comum ou acidentário), os requisitos do INSS, a forma de comprovação da incapacidade e, primordialmente, o método de cálculo aplicado.

Este guia mostrou em detalhes como a data do requerimento, o tempo de contribuição e a prova da relação da doença com o trabalho podem impactar diretamente o valor final a ser recebido, gerando diferenças significativas ao longo dos anos. A distinção entre aposentadoria comum e acidentária, por exemplo, pode resultar em uma perda anual de mais de R$ 13 mil, como demonstrado no caso de Jacinto, reforçando a importância de uma estratégia bem definida.

Portanto, embora o processo de solicitação possa ser feito individualmente, a assistência de um especialista é crucial, sobretudo em situações mais complexas. Um profissional qualificado pode identificar a modalidade de benefício mais vantajosa, revisar os cálculos, orientar sobre a documentação correta e prevenir que o segurado perca dinheiro ou tenha o pedido indeferido por falhas estratégicas.

Para garantir o melhor valor possível e aumentar as chances de aprovação, é fortemente recomendável buscar um profissional especializado em Direito Previdenciário.

Esperamos que este conteúdo tenha oferecido o esclarecimento necessário para você seguir em frente e tomar as melhores decisões. Compartilhe este guia para ajudar outras pessoas a compreender um tema que, à primeira vista, pode parecer complicado.

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