Aos 41 anos, Cristiano Ronaldo ainda é central em Portugal mas uso de Martínez gera críticasPor Beatriz
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O nome de Cristiano Ronaldo continua no centro das discussões na seleção de Portugal, às vésperas de um confronto decisivo de mata-mata contra a Croácia.
Com 41 anos de idade, o craque português não é mais tratado como um atleta comum. Cada aparição em campo do camisa 7 agora vem acompanhada de uma avaliação rigorosa.
Quando balança as redes, ele reafirma seu valor inquestionável. No entanto, a ausência de gols rapidamente levanta a dúvida: estaria a equipe portuguesa desenvolvendo uma dependência excessiva de Cristiano Ronaldo?
O recente empate em 0 a 0 contra a Colômbia intensificou essa discussão. Naquela partida, Ronaldo teve apenas 35 toques na bola, permanecendo quase isolado no setor ofensivo e com pouca participação efetiva na grande área.
É importante ressaltar que não foi um confronto onde Ronaldo recebeu muito apoio. Quando os atletas de meio-campo e defesa não conseguem engrenar, até mesmo o atacante mais bem posicionado encontra obstáculos para fazer a diferença.
Contudo, a questão central reside em outro aspecto. Ronaldo jogou os 90 minutos integrais em todos os três jogos da fase de grupos. Mesmo na goleada de Portugal por 5 a 0 sobre o Uzbequistão, com o placar já em 4 a 0 aos 60 minutos e o astro já tendo marcado dois gols, o técnico Roberto Martínez optou por não substituí-lo. Esse tipo de decisão vai além de simples análises profissionais e levanta questionamentos sobre a gestão de energia e a otimização do elenco para as fases decisivas, um fator crucial no futebol moderno de alta intensidade.
Roberto Martínez declarou que “jogar os 90 minutos não é um problema para Cristiano”. Do ponto de vista da condição física individual, essa afirmação pode ser verdadeira, visto que Ronaldo é famoso por sua resistência impressionante e profissionalismo exemplar. No entanto, o futebol de alto nível atual exige mais do que apenas a capacidade de correr por uma partida inteira. O ponto crucial é se a equipe consegue otimizar seu ritmo de jogo, a intensidade da marcação, a rotação do elenco e a vitalidade de seus atletas para os embates eliminatórios.
Não é por acaso, portanto, que a comparação com Lionel Messi surgiu. Messi foi poupado em um jogo contra a Jordânia, entrou em campo na sequência e marcou de falta. Ronaldo, ao contrário, esteve em campo ininterruptamente. Martínez rejeitou essa comparação, classificando-a como “infantil”. No entanto, gerenciar a condição física de um craque no futebol atual não é uma tarefa simples; é parte integrante de uma estratégia bem definida.
Decisões táticas de Roberto Martínez causam divergências sobre uso de CR7 em campo
O desafio para Portugal reside no fato de que o impacto de Ronaldo permanece inquestionável. Ele não está em campo apenas para aguardar a bola e finalizar. Martínez tem insistido no papel do jogador dentro da área, atraindo defensores adversários e abrindo espaços para a infiltração de Bruno Fernandes ou Vitinha vindos da segunda linha. Em um time com tantos meio-campistas criativos, a obediência posicional de Ronaldo é vista como uma ferramenta tática essencial.
No entanto, esse diferencial só se manifesta quando o esquema tático funciona de forma coesa. Se Ronaldo for isolado, como aconteceu no jogo contra a Colômbia, Portugal não perde apenas um atacante, mas também um elemento tático fundamental no segundo tempo. Nessas circunstâncias, mantê-lo em campo por todos os 90 minutos torna-se uma escolha bastante questionável.
Confronto com a Croácia revive marcos de Cristiano Ronaldo e testa técnico
Para o confronto diante da Croácia, Martínez indicou que há espaço para alterações no time. Contudo, é difícil imaginar que Ronaldo não começaria como titular em um jogo de eliminação direta se estivesse em plenas condições. Este oponente, inclusive, traz diversas lembranças marcantes para o atacante. Ele já balançou as redes contra a Croácia em uma ocasião, marcando seu gol de número 900 na Liga das Nações. Nos cinco duelos anteriores contra a seleção balcânica, Ronaldo conquistou três vitórias, um empate, uma derrota e anotou três gols.
O próximo embate com Luka Modric, portanto, não representa apenas o reencontro de dois grandes ícones do futebol. É também um verdadeiro teste para a personalidade de Martínez. Um técnico de excelência não apenas respeita o legado de um superastro, mas precisa ser sagaz o suficiente para priorizar os interesses coletivos da equipe acima de qualquer preferência individual na escalação dos jogadores.
Cristiano Ronaldo ainda tem a capacidade de decidir uma partida em um piscar de olhos. No entanto, Portugal, que almeja chegar longe na competição, não pode depender exclusivamente dessa percepção. Para Martínez, a verdadeira questão não é se Ronaldo merece ser titular, mas sim se ele terá a coragem de integrá-lo como parte de um esquema tático, em vez de permitir que toda a estratégia da equipe gire em torno do jogador.







