Avi Loeb, astrônomo de Harvard e defensor de teorias alienígenas, liderará novo painel da Casa Branca sobre UAPs
A Casa Branca designou um renomado astrônomo da Universidade Harvard, conhecido por suas ideias singulares acerca de visitas de civilizações extraterrestres, para comandar um grupo de pesquisadores externos. Essa equipe tem como objetivo principal investigar as ameaças que Fenômenos Anômalos Não Identificados (OVNIs) podem representar à segurança do país.
Avi Loeb, um cosmólogo com histórico de estudos sobre buracos negros e ex-diretor do departamento de astronomia de Harvard até 2020, foi formalmente indicado para presidir um recém-criado conselho consultivo científico. A missão do grupo é explorar as origens de objetos voadores não identificados e de outras ocorrências relatadas por militares nos últimos anos, conforme a iniciativa de desclassificação de informações do ex-presidente Donald Trump.
O grupo coordenado por Loeb reportará diretamente a um novo painel da Casa Branca, cuja atuação é voltada para os OVNIs, atualmente mais conhecidos pela sigla UAP (Fenômenos Anômalos Não Identificados).

“É comparável a uma investigação de detetive”, comentou Loeb em uma declaração. Ele ainda acrescentou que o trabalho é bastante prazeroso, desde que as críticas não sejam levadas tão a sério.
Na última década, o professor Loeb dedicou-se intensivamente à procura por vestígios de vida extraterrestre inteligente, tanto no espaço quanto nos oceanos. Essa jornada começou em 2017, quando um objeto interestelar intrigou a comunidade científica ao se aproximar da Terra. Contrariando a maioria que o identificava como cometa ou fragmento de gelo, Loeb sugeriu que poderia ser uma “vela de luz” de origem alienígena.
As propostas de Loeb conquistaram adeptos em comunidades ufológicas, mas, por outro lado, geraram desavenças com outros cientistas. Vários astrônomos criticam-no por apresentar hipóteses pouco embasadas. Além disso, a forma como ele publica suas conclusões diretamente ao público, muitas vezes ignorando a revisão por pares, é uma fonte de desconforto para parte da academia.
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Steve Desch, astrofísico da Universidade Estadual do Arizona, que já havia confrontado algumas das ideias de Loeb, criticou o colega. Desch argumenta que Loeb emprega metodologias questionáveis para alcançar deduções improváveis sobre vida extraterrestre, ao mesmo tempo em que desconsidera áreas da ciência já consolidadas na busca por vida fora da Terra.
Desch expressou preocupação, afirmando que a presença de Loeb no painel da Casa Branca pode comprometer a credibilidade de toda a iniciativa.
“Não consigo prever o futuro, mas sob a sua liderança, acredito que não avançaremos na busca por respostas para essas questões”, declarou Desch.
A composição da equipe é diversificada, contando com pesquisadores, entusiastas de OVNIs e até um bilionário.
Loeb, por sua vez, desconsidera as críticas, sugerindo que os oponentes carecem de criatividade para aceitar novas perspectivas. Ele assegura que sua atuação para a Casa Branca terá um viés pragmático. Ao examinar os UAPs, sua premissa inicial é a de que se tratam de fenômenos de origem terrestre, analisando-os primariamente sob o prisma da segurança nacional.
Contudo, ele projeta um cenário onde seu esforço poderá render resultados mais amplos. Loeb argumenta que, caso o governo federal invista em aprimorar a coleta de dados sobre UAPs, o antigo debate sobre a existência de vida extraterrestre poderia ser definitivamente esclarecido.
A equipe, selecionada com rigor, é composta por mais de doze especialistas entre cientistas e ativistas de OVNIs. Dentre os membros, destacam-se Timothy Gallaudet, um contra-almirante reformado que já alertou sobre UAPs sob controle de “inteligência não humana” e que os Estados Unidos teriam recuperado aeronaves acidentadas. Outro nome é Ben Lamm, um bilionário envolvido em projetos de ressurgimento de espécies extintas.
No mês anterior, após seu encontro inicial, o grupo encaminhou ao Pentágono um pedido formal por mais de 50 registros, incluindo vídeos, imagens e outros documentos referentes a ocorrências conhecidas de UAPs. As reuniões da equipe de Loeb acontecem em caráter sigiloso, mas ele prometeu comunicar os resultados ao público e estabelecer uma plataforma online para divulgar as informações.
“Em um período onde a ciência nem sempre é devidamente apreciada, esta se apresenta como uma chance real de beneficiar a todos os participantes”, afirmou Loeb.
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A criação do novo conselho sobre UAPs e a determinação de Donald Trump pela transparência
No começo deste ano, o então presidente Donald Trump instruiu sua administração a ampliar a clareza sobre assuntos envolvendo OVNIs e possíveis vidas extraterrestres. Em resposta, o Pentágono já tornou públicos três pacotes de documentos, que abrangem desde relatórios do FBI de décadas passadas até vídeos militares recentes que exibem esferas em movimento veloz ou pairando nos céus.
A ordem de Trump resultou na formação de um Conselho de Governança de UAPs, sob a supervisão do Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional. Esse conselho realizou sua primeira sessão em junho e recebe o suporte tanto da equipe de Loeb quanto de outras várias entidades consultivas, conforme informações do próprio gabinete.
Esse anúncio acontece em um contexto de pressão crescente do Congresso sobre a Casa Branca, com um apelo bipartidário por mais ações. Alguns congressistas republicanos, em particular, têm reforçado a tese de que os Estados Unidos estariam retendo evidências de contatos com seres de outros planetas. A Casa Branca, por sua vez, incentivou a apresentação de qualquer informação relevante, embora um departamento do Pentágono dedicado à investigação de UAPs tenha declarado não ter descoberto provas de vida extraterrestre até o momento.
Loeb declarou que não subscreve as teorias de encobrimento. “Acredito que a administração governamental está confusa por não conseguir desvendar a natureza de certos objetos”, explicou.
A carreira acadêmica de Avi Loeb antes de sua busca por vida extraterrestre
Previamente à sua notoriedade pelas concepções sobre vida fora da Terra, Loeb era um cosmólogo altamente conceituado, com centenas de publicações em seu nome, e um especialista em buracos negros e na dinâmica de formação de galáxias. Ele esteve à frente do departamento de astronomia de Harvard por aproximadamente dez anos.
A trajetória profissional de Loeb tomou um novo rumo em 2017, com o surgimento de sua teoria da “vela solar”, inicialmente detalhada em um artigo científico e, mais tarde, em uma obra literária. Em seguida, ele estabeleceu o Projeto Galileu na Universidade Harvard, cujo propósito explícito é a identificação de artefatos provenientes de civilizações extraterrestres.
Em 2023, sua equipe conquistou destaque ao empregar ímãs para resgatar centenas de minúsculas esferas do leito do Oceano Pacífico, próximo à área provável de um impacto de meteorito ocorrido em 2014. Após a análise dessas “esférulas” metálicas, Loeb cogitou a hipótese de que elas poderiam ter se originado de um planeta remoto ou, de forma alternativa, de tecnologia alienígena.
No entanto, outros pesquisadores contestaram essa interpretação, sugerindo que o material seria, com maior probabilidade, rocha vulcânica ou resíduos de carvão.
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Sean Kirkpatrick, físico que já atuou na investigação de UAPs pelo Escritório de Resolução de Anomalias de Todos os Domínios do Pentágono, declarou que Loeb “não goza de grande estima” na comunidade científica e não possui expertise em segurança nacional. Ele ainda indicou que a constituição do grupo de Loeb leva a crer que a Casa Branca está mais inclinada a teorias especulativas do que a uma abordagem científica estrita.
A Casa Branca não se manifestou quando questionada sobre as críticas dirigidas à escolha.
Loeb, por sua vez, garantiu que sua intenção é seguir os preceitos científicos sem se desviar. “Manteremos o foco nos objetos”, afirmou, “e não nas discussões em redes sociais.”

















