Fifa enfrenta pressão de especialistas para adiar jogo entre França e Paraguai devido a onda de calor nos EUAPor Carolina Costa
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O intenso calor previsto nos Estados Unidos pode impactar diretamente as partidas da Copa do Mundo 2026 agendadas para este sábado (4) e domingo (5). Especialistas indicam que o confronto entre França e Paraguai, previsto para ocorrer na Filadélfia no sábado, tem potencial para ser o mais quente de todo o torneio.
Meteorologistas do Serviço Nacional de Meteorologia alertam para a persistência de uma forte onda de calor nas regiões leste e central dos EUA. As temperaturas máximas esperadas, considerando os índices de calor, podem variar entre 37,78 °C e impressionantes 46,11 °C até o fim desta semana.
Em um evento recente, no início desta semana, os jogadores da seleção francesa já precisaram de auxílio de aspersores no campo para se refrescarem. Isso ocorreu durante o jogo contra a Suécia, em Nova Jersey, onde os termômetros marcavam cerca de 32,22°C.
Apesar de a Fifa ter implementado paradas para hidratação durante os jogos da Copa, a medida tem recebido críticas por não ser suficiente diante de condições climáticas extremas. Cientistas, em declarações à agência Associated Press, questionam a eficácia das diretrizes de segurança vigentes, afirmando que são “impossíveis de justificar” em cenários tão severos.
Diante da previsão de condições particularmente adversas para a partida entre França e Paraguai, especialmente com temperaturas esperadas acima de 37,78°C, houve um apelo formal de diversos especialistas e entidades pelo adiamento do jogo. Esta recomendação, até o momento, foca exclusivamente neste confronto específico.
Por razões de segurança e saúde dos jogadores, tanto o sindicato global dos atletas, FIFPRO, quanto o respeitado Colégio Americano de Medicina Esportiva, sugerem o adiamento de partidas quando a temperatura ambiente atinge 28°C. Essa medida preventiva visa proteger os atletas de riscos de exaustão e outras complicações relacionadas ao calor extremo.
Ryan Calsbeek, professor de ciências biológicas no Dartmouth College, explica que, em 35°C, especialmente com a combinação de alta umidade e vento, o corpo humano começa a perder rapidamente a capacidade de se resfriar, elevando os riscos de insolação e desidratação.
A Fifa, por sua vez, comunicou que já limita os jogos ao ar livre durante os picos de calor e que prioriza estádios cobertos para as partidas agendadas em períodos mais quentes do dia, buscando minimizar a exposição direta dos atletas e do público.
As normas internas da entidade máxima do futebol estabelecem que um jogo pode ser suspenso ou adiado se a temperatura de bulbo úmido, que considera a umidade e outros fatores, alcançar 32°C. Essa métrica busca uma avaliação mais precisa do estresse térmico.
Douglas Casa, CEO do Instituto Korey Stringer da Universidade de Connecticut, alerta à AP que uma temperatura de bulbo úmido de 32°C é comparável a condições de “bandeira preta” nas forças armadas americanas, onde todo treinamento é cancelado. Isso sublinha a gravidade das condições que a Fifa considera como limite operacional para um jogo.
Até o momento, a Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa) não emitiu uma declaração oficial em resposta aos pedidos de adiamento. A saúde dos atletas e dos torcedores, especialmente em estádios sem sistemas de refrigeração adequados, permanece como o centro das preocupações.







