Copa do Mundo 2026: FIFA reverte suspensão de Balogun após interferência de TrumpPor Maria
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A vice-presidente da UEFA, Laura McAllister, expressou profunda preocupação com a possibilidade de uma “zona de corrupção” no futebol global, após a decisão da Fifa de anular a suspensão do atacante Folarin Balogun na Copa do Mundo. O jogador foi liberado para atuar mesmo após ter recebido um cartão vermelho em partida anterior.
Balogun, centroavante do Monaco, estava impedido de jogar a partida das oitavas de final dos Estados Unidos contra a Bélgica, devido a um cartão vermelho que havia recebido no confronto anterior contra a Bósnia-Herzegovina.
Contrariando as expectativas, o atleta entrou em campo contra os belgas depois que a Fifa interveio e suspendeu sua punição de um jogo. A reviravolta ocorreu após uma solicitação direta do presidente dos EUA, Donald Trump.
A decisão do órgão máximo do futebol gerou uma série de críticas internacionais, especialmente depois que Trump confirmou ter pedido pessoalmente a revisão da expulsão de Balogun, alegando que “não considerava ter sido falta”.
A UEFA, responsável pela governança do futebol na Europa, manifestou sua “incredulidade diante de uma decisão tão inédita, incompreensível e injustificável” por parte da Fifa.
McAllister, que também é ex-jogadora da seleção galesa e atua como vice-presidente da UEFA desde 2023, manifestou inquietação sobre as implicações futuras para o esporte, dada a decisão sobre Balogun e o envolvimento direto de Trump.
“Vocês estão criando um verdadeiro antro de corrupção para o futuro, porque qualquer pessoa pode recorrer”, declarou ela, em uma rádio, destacando o perigoso precedente que foi aberto.
A líder da UEFA ressaltou que “qualquer líder político poderia potencialmente pegar o telefone e dizer que existe um precedente para mudar uma punição aplicada a um jogador, e eu acho isso extremamente perigoso”.
Ela ainda enfatizou: “Eu trabalho com a UEFA e temos muita clareza sobre quais são as regras das nossas competições. Sabemos exatamente quais regras e regulamentos são aplicados – assim como todos os participantes desde o início –, então, criar um ambiente onde se possa minar a aplicação de punições em campo, sejam elas certas ou erradas, é muito perigoso.”
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, confirmou ter recebido um telefonema de Trump. Ele informou ao líder americano que existia “um processo legal em andamento envolvendo os órgãos judiciais independentes da Fifa e que o caso seria decidido oportunamente pelos órgãos competentes”.
A UEFA classificou a intervenção da Fifa para anular uma suspensão em um torneio como algo que “cruzou uma linha vermelha”.

Sepp Blatter, ex-presidente da Fifa que deixou o cargo em 2016 após escândalos de corrupção e foi substituído por Infantino, usou as redes sociais para alertar que “o futebol nunca deve se tornar um campo de batalha para o poder político”.
McAllister reconheceu que Infantino se encontra em uma situação delicada, mas acrescentou que a “política que opera no futebol”, especialmente em nível global, é “muito diferente de tudo aquilo que normalmente aceitaríamos e toleraríamos”.
“Acho que em um ambiente normal haveria dúvidas sobre a liderança de Infantino, mas temos que reconhecer que o futebol não é um ambiente normal”, ponderou McAllister.
Ela também opinou que, na preparação para a atual Copa do Mundo, era compreensível que Gianni Infantino buscasse o apoio de Trump para garantir a realização do grande torneio, que, na prática, é a principal fonte de financiamento da Fifa.
Contudo, a vice-presidente da UEFA avalia que a situação “foi longe demais e ele ficou preso nesse turbilhão de relacionamento com Trump, o que significava que o que aconteceu no fim de semana era quase inevitável”.
McAllister, que também leciona políticas públicas na Universidade de Cardiff, observou que “Trump recebeu um status muito além do de líder de um país anfitrião – porque não se esqueçam que havia outros dois países anfitriões – e de alguma forma foi envolvido em toda a organização do torneio”.
“Seu discurso na Casa Branca praticamente deixou claro que ele achava que a decisão sobre se a jogada foi falta ou não era dele, quando, na verdade, deveria ser do próprio órgão dirigente”, criticou.
Apesar da polêmica participação de Balogun, a seleção dos Estados Unidos foi eliminada do torneio, após ser derrotada por 4 a 1 pelos belgas em Seattle.
Após o confronto, o meio-campista belga Nicolas Raskin afirmou que sua equipe sentiu uma “sensação de injustiça” com a suspensão da punição de Balogun.
A conta oficial do Instagram da seleção belga também pareceu ironizar o episódio, ao publicar uma foto do atacante Romelu Lukaku com a mão na orelha e a legenda “revertam isso”.







