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Com as recentes eliminações de suas seleções no Mundial, craques como Neymar e Cristiano Ronaldo agora figuram em uma seleta lista de atletas que, apesar de brilharem intensamente no futebol, nunca levantaram a taça da Copa do Mundo. Ambos os jogadores já anunciaram o encerramento de suas participações em Mundiais.

Essa realidade destaca a natureza desafiadora e, por vezes, imprevisível do torneio, que exige não apenas talento individual, mas também um desempenho coletivo excepcional e, muitas vezes, uma dose de sorte para a conquista máxima. A competição é um verdadeiro divisor de águas na carreira de qualquer esportista.

Dessa forma, os dois se juntam a outros grandes nomes da história do esporte que, por diversas razões, também não conseguiram erguer o troféu mais cobiçado do futebol.

Neymar
Neymar – Rafael Ribeiro/CBF

A saga de Ferenc Puskás no Mundial de 1954

Considerado o maior jogador húngaro de todos os tempos, o atacante Ferenc Puskás participou de duas edições da Copa do Mundo. Sua maior proximidade com o título ocorreu em 1954, quando liderou a seleção da Hungria, uma das mais memoráveis da história, marcando quatro gols em apenas três jogos. Contudo, na final contra a Alemanha, a equipe amargou o vice-campeonato, em um episódio conhecido como “Milagre de Berna”.

Puskás, que se tornou um ídolo do Real Madrid, disputou seu segundo Mundial em 1962, vestindo a camisa da Espanha, algo permitido pelas regras da época, mas não chegou a sair do banco de reservas. Atualmente, o seu nome é eternizado no prêmio da Fifa de gol mais bonito do ano e no principal estádio da Hungria.

Lev Yashin: o ‘Aranha Negra’ e sua busca pelo título

Eleito pela Fifa como o melhor goleiro do século 20, Lev Yashin defendeu a União Soviética em quatro Copas do Mundo. Sua melhor performance foi um quarto lugar no Mundial de 1966.

Conhecido como o “Aranha Negra”, Yashin havia competido nas edições de 1958 e 1962, onde a equipe foi eliminada nas quartas de final. Já em seus últimos anos de carreira, o goleiro esteve presente na Copa do México, em 1970, mas apenas como reserva, sem ser utilizado em campo. Ao longo de sua trajetória, ele acumulou 13 partidas em Mundiais.

A ausência de Alfredo Di Stéfano nos palcos da Copa

Um dos maiores nomes da história do Real Madrid, o argentino Alfredo Di Stéfano é um caso peculiar, pois jamais disputou uma partida em uma Copa do Mundo, mesmo tendo representado três seleções diferentes: Argentina, Espanha e Colômbia.

Pela Argentina, ele foi prejudicado pela decisão do país de não participar das Copas de 1950, no Brasil, e 1954, devido a desentendimentos com a Fifa. Em 1958, já atuando pela Espanha, a equipe não conseguiu se classificar. Finalmente, em 1962, foi convocado pela Fúria, mas, aos 36 anos e já veterano, não entrou em campo na competição.

Eusébio e o brilho solitário de Portugal em 1966

Antes da era de Cristiano Ronaldo, o grande nome do futebol português era Eusébio. O craque liderou a seleção de Portugal à terceira colocação na Copa de 1966, na primeira participação do país no torneio.

Naquele Mundial, o atacante se destacou como artilheiro, com nove gols em seis partidas. Dois desses gols foram marcados contra o Brasil, contribuindo para a eliminação dos então bicampeões ainda na fase de grupos. Essa foi a única participação de Eusébio em uma Copa, pois Portugal só voltaria a se classificar para o torneio em 1986.

Johan Cruyff e a lenda da Holanda de 1974

Considerado o maior jogador holandês da história, Johan Cruyff foi a figura central da lendária seleção da Holanda na Copa de 1974, uma equipe que revolucionou o futebol mundial. Usando a camisa 14, ele disputou sete partidas naquela edição, registrando três gols e cinco assistências. No entanto, sua equipe terminou com o vice-campeonato, perdendo a final para a Alemanha, que jogava em casa.

Por uma decisão pessoal, Cruyff optou por não participar da Copa de 1978, na Argentina, quando a Holanda novamente alcançou o vice-campeonato, sendo derrotada pelos donos da casa.

Zico: o Galinho e a frustração em três Copas do Mundo

Maior ídolo do Flamengo, Zico defendeu a seleção brasileira em três Copas do Mundo. Em sua primeira participação, em 1978, não foi titular e viu a equipe terminar a competição invicta, mas na terceira posição.

Já em 1982, o Galinho era o maestro de um time que encantou o mundo, mas que acabou eliminado na segunda fase pela Itália de Paolo Rossi. Quatro anos depois, em 1986, Zico, já longe de sua melhor forma física, ficou marcado por um pênalti perdido na partida que resultou na eliminação para a França, nas quartas de final. Ao todo, o craque somou 14 jogos, cinco gols e seis assistências em Mundiais.

Michel Platini: as semifinais e os desafios na Alemanha

Craque francês contemporâneo de Zico, Michel Platini também disputou as Copas de 1978, 1982 e 1986 pela França, acumulando números semelhantes aos do Galinho. Foram 14 jogos, cinco gols e três assistências. A diferença é que o camisa 10 francês chegou mais perto do título em duas oportunidades.

Na Copa da Espanha, em 1982, a França alcançou a semifinal, sendo eliminada pela Alemanha na primeira decisão por pênaltis da história dos Mundiais. Quatro anos mais tarde, após despachar o Brasil nas quartas de final, Platini e a seleção francesa caíram novamente nas semifinais, outra vez para a Alemanha.

Roberto Baggio: o talento italiano marcado por pênaltis

O representante italiano nesta lista é Roberto Baggio, um craque que teve sua trajetória em Copas do Mundo amaldiçoada pela disputa de pênaltis. Afinal, ele sofreu três eliminações nesse formato. A mais notável, sem dúvida, foi na final de 1994, quando sua cobrança isolada decretou o tetracampeonato do Brasil.

Quatro anos antes, quando a Itália foi anfitriã do Mundial de 1990, a equipe foi eliminada nas semifinais pela Argentina, também nos pênaltis, embora Baggio tenha convertido sua cobrança naquela ocasião. Sua despedida ocorreu na Copa de 1998, na qual a Itália foi eliminada nas quartas de final, novamente nos pênaltis, desta vez pela França. Baggio também converteu seu chute nessa disputa.

Cristiano Ronaldo e a despedida sem o troféu mundial

Maior jogador português da história, Cristiano Ronaldo encerrou sua participação em Copas do Mundo em 2026, com a eliminação de Portugal para a Espanha nas oitavas de final. Ele se despede da competição como o único atleta a marcar gols em seis edições do Mundial, totalizando 11 gols em 27 partidas.

Curiosamente, a edição em que esteve mais próximo do título foi a primeira que disputou, em 2006, quando Portugal foi eliminado nas semifinais após perder para a França por 1 a 0, com um gol de Zidane.

Neymar: o maior artilheiro brasileiro e a busca frustrada

Maior artilheiro da história da seleção brasileira, com 80 gols em 130 partidas, Neymar também se despede dos Mundiais em 2026, após quatro tentativas frustradas de conquistar o hexacampeonato.

Em Copas, ele acumulou 15 jogos, nove gols e quatro assistências. Sua melhor campanha foi em seu primeiro Mundial, em 2014. No entanto, uma lesão o impediu de participar da semifinal contra a Alemanha, na histórica derrota por 7 a 1. Nas edições seguintes, foi eliminado nas quartas de final pela Bélgica, em 2018, pela Croácia, em 2022, e agora pela Noruega, nas oitavas de final. Neymar se torna o segundo jogador brasileiro a disputar quatro Copas do Mundo sem conquistar o título, sendo Thiago Silva o primeiro. Pela seleção principal, seu único título é a Copa das Confederações de 2013, além da medalha de ouro na Olimpíada de 2016 com a equipe sub-23.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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