Senadora paraguaia acusa Mbappé de violência de gênero e ameaça levar caso à justiça após briga públicaPor Thiago Lemos
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A senadora paraguaia Celeste Amarilla formalizou uma denúncia contra Kylian Mbappé nesta terça-feira, exigindo uma retratação do jogador. A política, que já havia proferido comentários racistas contra ele, o acusou de violência de gênero e ameaçou acionar a justiça, após Mbappé tê-la chamado de “mulher desprezível” em resposta.
Em uma carta aberta divulgada em suas redes sociais, Amarilla afirmou que o craque francês não tem conhecimento sobre sua trajetória para qualificá-la de forma tão ofensiva. Ela destacou que é uma senadora da nação paraguaia, eleita democraticamente pelo voto popular.
A parlamentar questionou a autoridade de Mbappé para humilhá-la ou desprezá-la, classificando a atitude como uma clara violência de gênero e política. Segundo ela, tal comportamento atinge uma mulher que conquistou sua posição por meio da escolha democrática de seu povo.
A senadora paraguaia exigiu um pedido formal de desculpas de Mbappé, pedindo que ele honre sua cidadania francesa. Caso contrário, Amarilla indicou que iniciará processos judiciais por violência de gênero contra o atleta.
Em seu comunicado, a política assegurou que sua contestação não se dirige à França, mas especificamente à postura de Mbappé. Ela criticou a conduta do jogador durante o confronto entre França e Paraguai pelas oitavas de final da Copa do Mundo, um jogo marcado por intensas provocações com os adversários.
Amarilla interpretou uma frase proferida pelo atacante, sobre “colocar as mãos na merda”, como uma referência direta e pejorativa ao estilo de jogo da seleção paraguaia. Ela afirmou que a declaração foi entendida como um ataque aos paraguaios.
A senadora relatou sua profunda irritação com a arrogância e o desdém de Mbappé manifestados antes mesmo do jogo. Ela mencionou a fala do atleta sobre “enfiar as mãos na merda”, compreendendo que a provocação era direcionada à equipe e ao povo paraguaio, assim como outra declaração sobre “pisar em um saco de cocô”.
Amarilla também apontou o desrespeito de Mbappé ao negar o cumprimento ao goleiro paraguaio após a partida. Segundo ela, esse gesto, considerado nobre entre adversários, foi negado, e o jogador teria gritado a vitória diretamente na face do rival.
Celeste Amarilla justificou que suas publicações de cunho racista foram feitas “com o sangue fervendo”, imediatamente após a derrota da seleção do Paraguai. A parlamentar admitiu ter se arrependido e, por isso, apagou as ofensas, alegando ter respondido aos ataques com o mesmo tipo de insulto que costuma receber.
Entenda a sequência do ataque racista após a vitória francesa
As ofensas proferidas pela senadora do Paraguai aconteceram no último sábado, na plataforma X (anteriormente conhecida como Twitter). A manifestação surgiu logo após o triunfo da França sobre a equipe sul-americana, com o placar de 1 a 0.
Em uma das postagens, Celeste Amarilla declarou que o jogador “bruto nem aprendeu a escrever”, e que “em vez de leite materno, mamava cocos”, insinuando que a “coisa mais instruída” que ele havia ouvido eram chimpanzés.
A senadora ainda atacou Mbappé descrevendo-o como um “camaronês colonizado, bancando o durão para parecer francês”. Ela o rotulou de “ressentido, novo-rico, arrogante e feio”, além de afirmar que ele e sua equipe ficaram “nervosos e morrendo de medo” durante toda a partida, vencendo “por pura sorte”. Amarilla inclusive expressou que muitos cobravam que a seleção paraguaia tivesse “dado um tapa de mão aberta” no atleta.
Conteúdo da carta aberta enviada por Celeste Amarilla a Mbappé
Na carta dirigida ao jogador, Amarilla enfatizou que a questão era estritamente pessoal entre os dois, desassociando o país de Mbappé. Ela revelou ter estudado em uma instituição francesa dos 2 aos 17 anos, ressaltando sua formação e apreço pela França, inclusive detalhando suas viagens e o domínio do idioma.
A senadora expressou profundo incômodo com a arrogância e o desprezo demonstrados por Mbappé. Ela citou a declaração do atleta antes do jogo, “Se for preciso colocar as mãos na merda, vamos colocá-las”, afirmando que os paraguaios compreenderam que a “merda” era uma referência à sua seleção nacional.
Celeste Amarilla mencionou outra provocação de Mbappé sobre “tirar o smoking”, interpretada como uma forma de posicionar os franceses como elegantes em contraste com os paraguaios, tidos como brutos e sem conhecimento sobre tal vestimenta. Apesar disso, ela afirmou que todo o Paraguai, incluindo ela, manteve-se em silêncio e suportou as ofensas.
A política detalhou que a atitude de Mbappé durante a partida foi de notável arrogância, com um desprezo evidente por cada adversário, como se sentisse repulsa. Ela ainda acusou o jogador de usar uma expressão “extremamente ofensiva na América Latina”, “la concha de tu madre”, sem cobrir a boca, ciente de seu impacto.
Amarilla concluiu a lista de críticas afirmando que Mbappé desrespeitou o cumprimento ao goleiro paraguaio, negando o aperto de mão e celebrando a vitória em sua frente. Segundo ela, esse gesto, considerado sagrado entre adversários, revelou o desprezo, a arrogância e a falta de educação do atleta em poucos segundos.
A senadora declarou que a conduta de Mbappé causou grande dor a ela e a todo o Paraguai. Ela sugeriu que a França, um país com uma rica história de “cavalheiros” e “savoir-faire”, deveria exigir uma postura diferente de seu jogador e reprovar publicamente sua conduta.
Celeste Amarilla explicou que suas postagens ofensivas foram impulsionadas por um “sangue mestiço” que “fervia” diante da zombaria de Mbappé aos jogadores paraguaios, que, em sua visão, lutaram em igualdade de condições até o final do jogo.
A política, contudo, admitiu ter se arrependido de ter replicado os mesmos insultos que ela própria sofre, sendo “desprezada por ser morena, latina” e chamada de “sulaca”. Ela apagou a publicação, reconhecendo que estava repetindo padrões que detesta e compreendendo que a atitude foi humilhante para Mbappé.
Com base nisso, Amarilla passou a exigir que Mbappé também se retrate e peça desculpas a ela.
A senadora reforçou que não tolerará a violência do atleta, reiterando que ele não tem direito de qualificá-la como “mulher desprezível” ou indigna de seu cargo, visto que ele não a conhece.
Ela enfatizou sua posição como senadora da República do Paraguai, eleita democraticamente, e previamente deputada nacional. Amarilla declarou que milhares de cidadãos a elegeram como sua voz e que seu compromisso primordial é representá-los, defendendo o país.
A parlamentar destacou que representa o Paraguai por ter sido eleita em pleitos livres, encarregada de criar leis e ser a voz de seu povo. Ela questionou se Mbappé compreende a dimensão da importância de um cargo de senadora nacional.
Novamente, Amarilla questionou a legitimidade de Mbappé para julgá-la como “indigna” ou “desprezível”, já que ele não a conhece.
Ela reiterou que a ação do jogador configura “violência de gênero, pura e simples”, além de “violência política” contra uma mulher que alcançou sua posição por meio do voto popular.
Amarilla criticou o fato de Mbappé, que demonstra desprezo por uma mulher, ter atacado sua condição de gênero e sua função política. Ela fez questão de salientar que seus próprios ataques não visavam a cor, preferências ou características pessoais do jogador.
Para finalizar, a senadora paraguaia repetiu a exigência de que Mbappé se retrate e peça desculpas, em respeito à sua cidadania francesa. Caso contrário, ela prometeu dar início a ações judiciais por violência de gênero.







