Total Eclipse of the Heart: Bonnie Tyler, voz icônica do pop, morre aos 75 anosPor Carolina Costa
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A voz rouca de Bonnie Tyler transformou “Total Eclipse of the Heart” em um dos maiores clássicos da música pop e fez da cantora uma das artistas britânicas mais populares dos anos 1980. A aclamada cantora faleceu aos 75 anos em um hospital em Portugal, onde recebia tratamento para uma doença, informou a família nesta quinta-feira, 9 de julho.
Tyler estava internada em estado grave na UTI desde meados de junho, após sair de um coma induzido. Em maio, a artista passou por uma cirurgia intestinal de emergência e, no dia seguinte, sofreu uma parada cardiorrespiratória.
Conheça a trajetória de Bonnie Tyler, dona de uma voz inconfundível
Batizada como Gaynor Hopkins, no País de Gales, Bonnie Tyler se destacou como uma das artistas britânicas de maior sucesso comercial nas décadas de 1970 e 1980. Dona de uma voz rouca e potente, ela transformou seu timbre marcante em sua principal assinatura e construiu uma carreira notável com baladas dramáticas e produções grandiosas que mesclavam rock, pop e influências country.
Filha de um mineiro de carvão, ela nasceu e cresceu em uma habitação social em Skewen, no sul do País de Gales, a cerca de 11 quilômetros de Swansea. A casa da família possuía banheiro externo, e ela compartilhava a infância com três irmãs e dois irmãos.
Desde cedo, demonstrou paixão pela música. Era fã dos Beatles e teve como primeiro disco A Hard Day’s Night. Aos 13 anos, comprou seu primeiro compacto, “Hippy Hippy Shake”, da banda Swinging Blue Jeans. Conforme relatou na autobiografia Straight From the Heart, ela também acompanhava religiosamente o programa musical Top of the Pops, gravando as apresentações em um gravador de rolo de duas pistas para ouvir novamente e anotando à mão as letras de suas músicas favoritas, de artistas como Janis Joplin, Nina Simone, Tina Turner, Wilson Pickett e Otis Redding.
Antes da fama, Tyler cantava em bandas locais. Em 1976, precisou passar por uma cirurgia para remover nódulos nas cordas vocais. Durante a recuperação, desrespeitou a recomendação médica de permanecer em repouso e voltou a cantar antes do tempo. O esforço alterou permanentemente sua voz, dando origem ao timbre rouco que mais tarde se tornaria sua marca registrada.
Na época, ela se apresentava com o nome Sherene Davis e era vocalista de uma banda de soul. Foi descoberta pelo caçador de talentos Roger Bell, que a levou para Londres para gravar demos. Após um período em busca de uma gravadora, assinou contrato com a RCA, que também sugeriu a adoção do nome artístico Bonnie Tyler.
Seu álbum de estreia, The World Starts Tonight (1977), trouxe o primeiro sucesso comercial, “Lost in France”, e lhe rendeu uma indicação na categoria de artista revelação do Brit Awards. No ano seguinte, alcançou o terceiro lugar nas paradas britânicas com “It’s a Heartache”, consolidando seu nome internacionalmente.
Após um período de menor destaque, Tyler assinou com a Sony e buscou reinventar a carreira. Ao assistir a uma apresentação de Meat Loaf interpretando Bat Out of Hell na BBC, ficou impressionada com o estilo grandioso das composições de Jim Steinman. Decidida a trabalhar com ele, pediu uma oportunidade ao compositor e produtor, parceria que daria origem, anos depois, ao maior sucesso de sua trajetória.
A criação e o impacto do sucesso ‘Total Eclipse of the Heart’
Steinman apresentou a ela sua canção “Total Eclipse of the Heart”, que se tornaria o single de estreia de seu quinto álbum de estúdio, “Faster Than the Speed of Night”. Ele pegou emprestado um dos versos da música “Turn around, bright eyes” de seu musical de 1969, “The Dream Engine”, escrito quando era estudante na Amherst College, em Massachusetts. O compositor disse a ela que a canção era de uma possível versão musical de “Nosferatu”.
Com a participação de Roy Bittan no piano e Max Weinberg na bateria, membros da E Street Band, “Total Eclipse” é uma reflexão comovente sobre o amor perdido. A letra expressa a dor da ausência: “Era uma vez, havia luz na minha vida/Mas agora só existe amor na escuridão”, ela canta.
O vídeo, um clássico dos primórdios da MTV, foi gravado em um antigo e assustador manicômio gótico em Surrey. Aparentemente, os cães de guarda não entravam nos cômodos do andar de baixo, onde costumavam aplicar eletrochoques nos pacientes.








