Instagram inunda feeds de usuários com conteúdo explícito após mudança de regras da Meta

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aplicativo celular rede social instagram Foto: rafastockbr/shutterstock.com

Na sexta-feira, 10 de julho, a Meta flexibilizou suas políticas de conteúdo explícito, resultando na disseminação de vídeos com teor sexual em larga escala no Instagram. Estes materiais têm aparecido nos feeds dos usuários através de hashtags que não possuem relação direta com pornografia, como “aeronaves”, “ets” e “ciência”.

A colunista Bruna Maia observou a transformação do conteúdo adulto, que antes dependia da busca ativa do usuário, em algo que se mistura à navegação comum na plataforma de Mark Zuckerberg. Ela descreveu o fenômeno como uma espécie de “spam visual” de natureza sexual.

Conteúdo explícito se espalha por hashtags aleatórias

Bruna Maia notou o mecanismo ao começar a receber vídeos de mulheres vestindo roupas cor da pele em situações cotidianas, como dobrar lençóis, abastecer veículos, experimentar joias e passear com cachorros. Um conhecido da colunista classificou essas produções como “soft porn”, feitas para contornar as restrições a conteúdos adultos.

Mesmo bloqueando as contas, Bruna relatou que novas semelhantes surgiam continuamente. Apenas após alterar seu padrão de interação, ela conseguiu direcionar seu feed para conteúdos desejados, como vídeos de lontras e texugos do mel, mostrando a dificuldade de controle por parte do usuário.

Riscos do novo algoritmo para crianças e adolescentes

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Este cenário acende um alerta sobre os riscos para crianças e adolescentes, além de reforçar a objetificação do corpo feminino. A Meta, que frequentemente enfrenta desafios relacionados à moderação de conteúdo e à disseminação de informações sensíveis, se depara agora com uma nova camada de complexidade em sua plataforma.

A mudança na formação do desejo sexual digital

Bruna Maia concentrou sua análise no impacto dessa exposição sobre a formação do desejo sexual. Segundo a colunista, “o consumo de pornografia vira algorítmico e compulsório”, uma vez que o conteúdo é empurrado para o usuário, e não procurado ativamente.

Ela fez uma comparação com as formas anteriores de acesso à pornografia, que incluíam revistas, fitas VHS, sites especializados e plataformas pagas como OnlyFans e Privacy. A principal diferença é que o Instagram, um espaço onde familiares compartilham crochês, animais de estimação e cenas do dia a dia, agora introduz esse tipo de material sem consentimento.

Reação dos usuários e o desafio da moderação

Quando o desejo ou o impulso de buscar conteúdo sexual é substituído pela exposição passiva, o sexo assume a conotação de spam – um material não solicitado e, muitas vezes, indesejado. A colunista afirmou que sua reação a esse excesso de estímulo tende a ser de irritação ou indiferença, em vez de interesse.

Essa alteração na política de conteúdo levanta questões importantes sobre a autonomia do usuário e a responsabilidade das plataformas. A capacidade de um algoritmo de injetar conteúdo explícito em um ambiente que deveria ser familiar e seguro representa um desafio significativo para a saúde digital e a experiência dos usuários.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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