Harry Kane impulsiona Bellingham com tática de Ancelotti e o ‘Belligol’ ressurge na InglaterraPor Thiago Lemos
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Jude Bellingham brilhou novamente como o “Belligol” na Copa do Mundo de 2026. O meio-campista foi o responsável pelos dois gols na vitória por 2 a 1 sobre a Noruega, na terça-feira, 14 de julho de 2026, resultado que garantiu a Inglaterra nas semifinais do torneio. Com seis gols na competição, o camisa 10 reencontrou na seleção inglesa a performance decisiva que marcou seu início no Real Madrid, na temporada 2023/2024, quando alcançou o auge pelo clube com 23 gols e 13 assistências em 42 partidas.
A excelente fase de Bellingham não se deve apenas a uma alteração em seu posicionamento. Ela também envolve a presença crucial de Harry Kane. Com sua habilidade de recuar no campo, participar da criação de jogadas e atrair defensores adversários, o centroavante abre o corredor central, permitindo as infiltrações de seu companheiro de equipe.
Essa dinâmica tática replica um modelo desenvolvido por Carlo Ancelotti durante a temporada 2023/24, período em que Bellingham chegou ao Real Madrid.

Após a saída de Karim Benzema para a Arábia Saudita e sem a contratação imediata de outro atacante de referência, o técnico italiano adaptou o jovem inglês para atuar como um jogador de chegada na área. Naquela época, a estratégia provou ser bem-sucedida, culminando em importantes títulos como a LaLiga e a Champions League para o clube espanhol.
Desempenho decisivo de Bellingham nos jogos da Inglaterra
Na avaliação do jornalista Fernando Sánchez Tavero, que acompanhou o Real Madrid de Ancelotti e cobre a Copa do Mundo, foi precisamente nesse papel que Bellingham demonstrou o melhor futebol de sua carreira.
“Bellingham teve uma evolução muito significativa ao chegar ao Real Madrid. Ele era um meio-campista com chegada, mas ainda um interior. Ancelotti compreendeu que, com a saída de Benzema e sem um novo centroavante, o jogador de área da equipe precisava ser Jude Bellingham”, explicou Tavero.
Rodrygo e Vinicius Junior, atuando como atacantes, movimentavam-se pelas laterais do campo, liberando o espaço central para que Bellingham o ocupasse. O meia aproveitava esse corredor para atacar a área vindo de trás e finalizar as jogadas.
“Ancelotti construiu a equipe em torno dessa concepção, com Rodrygo e Vinicius como atacantes que saíam da referência e deixavam o corredor central para Bellingham. Foi assim que vimos sua melhor versão nos primeiros seis meses, quando ele se tornou um forte candidato à Bola de Ouro”, acrescentou Tavero.
O jogador inglês encerrou sua primeira temporada no Real Madrid com 23 gols, estabelecendo-se como uma das principais referências ofensivas do time. Mais do que apenas organizar o jogo, Bellingham era encarregado de preencher a área e aproveitar os espaços criados pelos outros atacantes. Contra a Noruega, ele apareceu duas vezes na área para garantir a classificação da Inglaterra para a semifinal.
“Ele se transformou em um jogador extremamente perigoso. É, com grande diferença, a melhor versão de Bellingham que presenciamos até agora na Espanha. Um atleta com um poder ofensivo notável”, analisou o jornalista.
Transformações no papel de Bellingham com a chegada de Mbappé
O cenário tático para Bellingham sofreu mudanças significativas com a chegada de Kylian Mbappé. Com o atacante francês ocupando a faixa central e assumindo a função de principal finalizador, Bellingham passou a atuar em posições mais afastadas da área.
O inglês retornou a desempenhar funções mais típicas de meio-campista, com maior envolvimento na construção de jogadas e nas responsabilidades defensivas. Em certos momentos, ele também foi deslocado para o lado esquerdo do campo para auxiliar na marcação.
“No período seguinte no Real Madrid, quando teve que dividir o campo com Kylian Mbappé e Vinicius, Bellingham ficou em uma posição um tanto indefinida. Ele começou a atuar como meio-campista e, por vezes, aberto pelo lado esquerdo para defender. Consequentemente, ele deixou de ocupar tantas zonas de finalização”, explicou Tavero.
Esses espaços de finalização passaram a ser preenchidos prioritariamente por Mbappé. Para o jornalista, encontrar uma forma de maximizar o poder ofensivo de ambos os jogadores é um dos grandes desafios do Real Madrid com Mourinho no comando.
“Essa zona de finalização pertence mais a Kylian Mbappé, e a convivência entre os dois não tem sido simples. Uma das tarefas do treinador é fazer com que Bellingham e Mbappé sejam compatíveis. Acredito que isso é até mais crucial do que trabalhar a compatibilidade entre Vinicius e Mbappé, pois essa me parece mais fácil do que as pessoas imaginam”, destacou Tavero.
A contribuição de Kane para o ressurgimento do ‘Belligol’
Na seleção inglesa, Harry Kane tem sido fundamental para devolver a Bellingham os espaços que o meia havia perdido no Real Madrid. Apesar de ser a principal referência ofensiva da Inglaterra, o camisa 9 não se prende entre os zagueiros. O atacante frequentemente recua para participar da construção das jogadas, aproximando-se dos meio-campistas e abrindo corredores para que Bellingham ataque a última linha defensiva. Essa movimentação permitiu ao camisa 10 aparecer novamente em posições de finalização, resultando em quatro gols nos últimos dois jogos da Inglaterra.
“Harry Kane é um atacante que compreende muito bem a sua posição. Para mim, ele é o centroavante mais inteligente do mundo e o que melhor interpreta os companheiros. Ele está entendendo que o melhor Bellingham é aquele que chega de trás e encontra espaço para aparecer”, enfatizou Tavero.
Segundo o jornalista, Kane sabe exatamente o momento de sair da área para que Bellingham possa assumir a função de finalizador. Essa movimentação estratégica ajuda a reproduzir o cenário tático que Ancelotti criou na primeira temporada do inglês em Madri.
“Bellingham está marcando gols como um camisa 9 porque, embora seja um meio-campista, possui faro de atacante. Ele também tem o físico e a capacidade para chegar rapidamente à área e finalizar. Neste Mundial, estamos observando um Bellingham muito similar ao dos seus primeiros seis meses no Real Madrid”, comentou Tavero.
Apesar de ser escalado como meio-campista, a influência de Bellingham cresce exponencialmente quando ele se aproxima do gol. Kane, além de sua capacidade técnica, compreende quais espaços devem ser liberados para potencializar o camisa 10.
“Analisando os jogos da Inglaterra, a influência de Bellingham se manifesta quando ele pisa na área e consegue ocupar zonas de finalização. Kane é inteligente e sabe que precisa deixar esses espaços. Bellingham também demonstra uma capacidade aérea incomum e pode ser muito perigoso pelo alto”, afirmou o jornalista.
O desenvolvimento de Bellingham como um jogador mais versátil
Apesar dos desafios, a mudança de função no Real Madrid não trouxe apenas aspectos negativos. A necessidade de atuar mais recuado e assumir diferentes responsabilidades contribuiu para que Bellingham ampliasse seu repertório de jogo.
Para Tavero, o jogador inglês pode utilizar essa combinação de funções, sua capacidade de chegada e o papel que precisa desempenhar no Real Madrid como meio-campista para se tornar um atleta ainda mais completo. O desafio principal reside em manter essa evolução sem comprometer o poder de finalização que o transformou em um dos jogadores mais decisivos do futebol europeu.
No entanto, na Copa do Mundo, a Inglaterra proporcionou a Bellingham o ambiente ideal onde ele mais se destacou. Kane participa da construção, se afasta da área e cria espaços, permitindo que Bellingham chegue de trás e finalize. É a mesma estratégia que Ancelotti implementou no Real Madrid, agora reproduzida com a participação fundamental do camisa 9 inglês.
“Estamos vendo um Bellingham semelhante ao primeiro Bellingham do Real Madrid, ao jogador dos primeiros seis meses com Ancelotti. Até agora, aquela foi sua melhor versão. Foi o melhor Bellingham que vimos na carreira”, concluiu Tavero.
As semifinais da Copa do Mundo estão agendadas para esta semana. A primeira partida será nesta terça-feira, entre França e Espanha, às 16h (horário de Brasília), em Dallas. Na quarta-feira, Inglaterra e Argentina se enfrentarão no mesmo horário, em Atlanta. Os vencedores disputarão a grande final no próximo domingo.







