Alertas climáticos severos no Sul do Brasil preveem chuvas intensas, ventos de 130 km/h e granizo

Tempestades, chuva forte - ernesto-fotos/ Istockphoto.com
Foto: Tempestades, chuva forte - ernesto-fotos/ Istockphoto.com

Sul do Brasil se prepara para período meteorológico complexo

A Região Sul do Brasil e países do Cone Sul, como Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai, estão em contagem regressiva para um período meteorológico descrito por especialistas como extraordinariamente severo. A partir desta quarta-feira, 15 de julho de 2026, a combinação de intensas massas de ar frio e quente irá romper o padrão de baixas temperaturas dos últimos três meses, inaugurando uma sequência de fenômenos extremos. Estes incluem tempestades violentas, vendavais, precipitação de granizo e volumes pluviométricos e nevadas que podem ser recordes, tudo impulsionado pela atuação simultânea de “rios atmosféricos” e pressões atmosféricas atipicamente baixas que desestabilizam a atmosfera.

As projeções da MetSul Meteorologia indicam que a instabilidade é impulsionada pela formação de dois canais de umidade concentrada na atmosfera, os chamados rios atmosféricos. Um deles virá do Oceano Pacífico em direção ao Chile, enquanto o outro conectará a Bolívia diretamente ao Rio Grande do Sul. Este cenário complexo cria as condições ideais para a intensidade dos eventos previstos.

As expectativas para cada uma das regiões afetadas

As previsões detalham impactos distintos para cada área, com focos em diferentes tipos de fenômenos meteorológicos.

No Rio Grande do Sul e Santa Catarina

  • Principais fenômenos: Chuva em volume extremo, ventos que podem alcançar 130 km/h e temperaturas elevadas atípicas para a estação, chegando a 33°C.
  • Impactos esperados: Risco de alagamentos generalizados, elevação significativa do nível dos rios, quedas de árvores e deslizamentos de terra.

No Chile (regiões Central e Atacama)

  • Principais fenômenos: Acúmulo de chuva que pode atingir até 500 mm e potencial para tornados na costa.
  • Impactos esperados: Grandes enchentes, deslizamentos de terra em vasta escala e volumes de chuva equivalentes ao total de um ano.

Na Argentina (Cordilheira e Norte)

  • Principais fenômenos: Nevadas intensas de até 3 metros, atuação do vento Zonda (acima de 100 km/h) e baixa pressão atmosférica em níveis recordes.
  • Impactos esperados: Bloqueio de estradas, fenômeno de “vento branco” e vendavais fortes nas áreas de pré-cordilheira.

No Uruguai e Paraguai

  • Principais fenômenos: Ocorrência de tempestades severas acompanhadas de vento e granizo, além de um vento Norte persistente.
  • Impactos esperados: Danos estruturais localizados e temporais em pontos específicos.

Acúmulo de chuvas extremas no Chile e Rio Grande do Sul

O Chile será o primeiro país a sentir os efeitos de uma série de frentes frias, conectadas a um “rio atmosférico” de categoria 4, considerada extrema. Partes do centro do país podem registrar entre 300 mm e 500 mm de chuva, levando a inundações de grande proporção. Surpreendentemente, até mesmo o Deserto do Atacama, um dos locais mais áridos do mundo, pode receber de 100 mm a 150 mm, volume que excede a média anual. Especialistas apontam que este poderá ser o maior evento chuvoso em solo chileno desde os anos 1980 e 1990.

No território brasileiro, o Rio Grande do Sul se destaca como o principal foco de atenção. Uma frente quente, que se formará entre o Uruguai e o estado gaúcho nesta quinta-feira (16), marcará o início de um longo período de instabilidade. Até o final de semana, o sistema se manterá quase estacionário na fronteira com Santa Catarina.

Grande parte do Rio Grande do Sul pode acumular de 100 mm a 200 mm de chuva nos próximos sete dias, com algumas áreas do Oeste, Centro e Sul superando a marca dos 300 mm. Os riscos são elevados para alagamentos em áreas urbanas, transbordamento de rios e ocorrências de deslizamentos de terra.

Temperaturas atípicas de 33°C no inverno e ventos acima de 100 km/h

Concomitantemente às chuvas, o Sul do Brasil vivenciará uma “Corrente de Jato em Baixos Níveis” (JBN) de intensidade excepcional. Esse corredor de ventos fortes trará ar muito quente da Bolívia e do Centro-Oeste em direção ao Sul, impulsionado por um centro de baixa pressão atmosférica (chegando a 990 hPa) no Norte da Argentina.

A presença desse ar quente fará com que as temperaturas disparem em pleno mês de julho. Os termômetros podem registrar até 10°C acima da média histórica, com máximas entre 30°C e 33°C no Rio Grande do Sul na sexta-feira (17) e no sábado (18).

O sistema também trará consigo um vento Norte forte e incomum para a época. As rajadas podem variar entre 40 km/h e 70 km/h na maioria das cidades do Rio Grande do Sul, Oeste de Santa Catarina e Paraná. Em vales e encostas, no entanto, as rajadas podem atingir de 70 km/h a 90 km/h, superando isoladamente os 100 km/h em localidades como Santa Maria. Há um risco real de quedas de árvores, destelhamentos e interrupção no fornecimento de energia, mesmo sem a presença de chuva intensa.

Formação de tempestades severas e risco de tornados

O intenso choque térmico entre a massa de ar quente e a massa de ar frio que começará a avançar da Patagônia criará um ambiente propício para o surgimento de supercélulas de tempestade.

Entre o Uruguai, o Nordeste da Argentina e o Sul do Brasil, existe um risco considerável de temporais severos com queda de granizo de médio a grande porte, vendavais capazes de causar destruição e ocorrências isoladas de microexplosões ou tornados. No Chile, as áreas costeiras centrais também terão um risco elevado para o surgimento de tornados e trombas marinhas.

Alerta de neve histórica na Cordilheira dos Andes

Para os habitantes da Argentina, o Serviço Meteorológico Nacional (SMN) emitiu um alerta vermelho para a região da Cordilheira dos Andes. Entre os dias 15 e 20 de julho, a passagem consecutiva de frentes frias deverá provocar nevadas de proporções históricas.

Nas partes mais elevadas de Mendoza e no Sul de San Juan, o acúmulo de neve poderá atingir até 3 metros. O evento será acompanhado pelo perigoso fenômeno do “vento branco” (nevasca com perda total de visibilidade) e rajadas que podem chegar a 160 km/h nos picos das montanhas. Nas áreas mais baixas e de pré-cordilheira, a atuação do vento Zonda — um vento seco e muito quente — poderá ultrapassar os 100 km/h, causando sérios transtornos para a população local.

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