Derrota na estreia de Pedro Emanuel ressalta problemas crônicos do Vasco no BrasileirãoPor Thiago Lemos
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O técnico Pedro Emanuel iniciou sua jornada à frente do Vasco com um revés de 1 a 0 contra o Vitória, na quinta-feira, 17 de julho, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro. Após um intervalo de 46 dias sem jogos, a torcida vascaína foi confrontada novamente com a dura realidade do clube, intensificando o alerta sobre a proximidade da zona de rebaixamento.
A partida evidenciou que as dificuldades persistentes desde o último jogo, a derrota para o Atlético-MG em 31 de maio, permanecem inalteradas. A equipe demonstrou uma postura de falta de confiança e baixa intensidade, características de um time em crise, e o elenco conta com apenas Paulinho como reforço confirmado para a segunda metade da temporada, embora ele não tenha sido escalado por decisão técnica.
O retorno ao Campeonato Brasileiro, depois de um período de grande futebol na Copa do Mundo, trouxe uma constatação sombria para o Vasco. A apresentação no Barradão foi marcada por pouca intensidade, com raras investidas ao gol adversário, falhando em conquistar um resultado crucial na batalha para se afastar da zona de degola.
Contudo, seria precoce qualquer avaliação aprofundada sobre a metodologia de Pedro Emanuel neste primeiro confronto. O treinador português, que foi anunciado na segunda-feira anterior, dispôs de apenas três dias de treinamento com o plantel antes de sua primeira partida. Observado à beira do campo, o novo técnico exigia mais empenho em certos lances e não escondia seu desconforto com o desempenho da equipe.
Devido ao curto período no comando, o novo técnico optou por manter a mesma formação titular utilizada na primeira parte do ano. A única alteração na escalação foi a ausência de Andrés Gómez, que ficou de fora dos onze iniciais por ter passado um período extenso afastado dos treinos da equipe, devido à sua participação na Copa do Mundo com a seleção colombiana.
Nuno Moreira foi escalado pelo lado esquerdo, porém, de forma geral, não teve uma performance destacada, refletindo o desempenho mediano do time. O Vasco enfrentou grandes problemas na criação de jogadas ofensivas, com as mudanças de posição se mostrando ineficazes. O meio-campo, composto por Nuno, Rojas e Adson, cometeu diversos erros, enquanto Spinelli teve dificuldades nos confrontos diretos com a defesa adversária.
O Vitória, por sua vez, também não exibiu um futebol de alto nível, o que reforça uma tendência observada neste primeiro turno do Brasileirão: para superar o Vasco, não parece ser exigida uma atuação espetacular. Várias equipes, incluindo o Vitória, conseguem a vitória aproveitando-se das falhas individuais dos jogadores vascaínos. Prova disso é que o clube carioca detém o posto de líder isolado na quantidade de gols sofridos decorrentes de erros individuais no Campeonato Brasileiro.
Naquela noite de quinta-feira, o erro crucial coube a Barros, justamente quando o Vasco apresentava seu momento de maior equilíbrio na partida. Aos 23 minutos do segundo tempo, o volante recebeu a bola de Robert Renan próximo à grande área, hesitou e perdeu a posse para Renato Kayzer. O atacante, figura recorrente nas vitórias sobre o Vasco, finalizou diante de Léo Jardim e marcou. O clube de São Januário é a equipe que mais sofreu gols de Kayzer em sua carreira, com um total de seis.
As considerações de Pedro Emanuel após a derrota do Vasco para o Vitória
Desse modo, a jornada de Pedro Emanuel à frente do comando técnico do Vasco teve um início desfavorável. A equipe encerrou o primeiro turno na zona de rebaixamento, acumulando 20 pontos e garantindo, no mínimo, a 17ª posição na tabela ao término da 19ª rodada. Apesar da necessidade iminente de reforços, o técnico português expressou confiança na capacidade do atual elenco em suportar a pressão de lutar contra o rebaixamento.
Em suas declarações, Pedro Emanuel minimizou a situação atual do clube: “Não é um momento muito ruim, é um momento menos bom da temporada. O que nos alimenta é olhar pra tabela e ver que o campeonato é muito competitivo e equilibrado. Uma ou duas vitórias já mudam. Agora também sabemos que o Vasco é um time gigante. Isso pra nós também é uma responsabilidade. E precisamos saber lidar com isso, temos que saber viver com essa pressão, ela faz parte do futebol. Com o tempo, vamos superar isso com trabalho, rigor, critério e competência. Hoje demonstramos isso em muitos momentos, não posso dizer o contrário. Os jogadores foram extremamente receptivos ao plano de jogo, e esta era nossa ideia. Um exemplo concreto é a forma como sabíamos o quanto podíamos usar o Andrés Gómez, porque esteve na Copa do Mundo, chegou há três dias e se disponibilizou pra jogar, mas não podíamos arriscar perder um jogador importante.”
O próximo desafio do Vasco será na quarta-feira seguinte, quando a equipe viajará à Colômbia para enfrentar o Independiente Medellín, pela partida de ida da segunda fase da Copa Sul-Americana.







