Falha em pulmão de aço causa a morte de Martha Lillard, última usuária do aparelho nos EUA
A última mulher conhecida por viver em um pulmão de aço nos Estados Unidos, Martha Ann Lillard, faleceu em 26 de junho de 2026, aos 78 anos de idade, após o aparelho que a mantinha viva apresentar uma falha irreparável. Lillard, natural de Oklahoma, dependia desse equipamento para respirar desde os cinco anos de idade, quando foi diagnosticada com poliomielite.
O fim de uma era: a falha do suporte vital para Martha Ann Lillard
O ventilador mecânico, fabricado na década de 1950, parou de funcionar e não pôde ser consertado devido à impossibilidade de encontrar peças de reposição no mercado. A obsolescência da tecnologia, combinada com a raridade do equipamento, impossibilitou o reparo e o retorno da funcionalidade do pulmão de aço.
A vida sob a dependência do pulmão de aço
Por mais de sete décadas, Martha Ann Lillard viveu confinada dentro do cilindro de metal. Essa tecnologia criava pressão negativa para expandir seus pulmões e permitir a respiração. Os médicos inicialmente estipularam que ela passasse 23 horas por dia no aparelho, dedicando a hora restante à reabilitação para mitigar a atrofia de seus membros paralisados.
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Esses “pulmões de aço” foram cruciais na primeira metade do século XX para salvar vidas de pacientes com paralisia respiratória causada pela poliomielite. Eles representaram um avanço significativo antes do advento das vacinas eficazes que erradicariam a doença em muitos países.
Poliomielite: a doença que marcou uma geração
A poliomielite, ou pólio, é uma infecção viral altamente contagiosa que ataca o sistema nervoso, com potencial de causar paralisia irreversível em poucas horas. Nos casos mais severos, a doença paralisa os músculos respiratórios, tornando a respiração independente impossível e, frequentemente, fatal sem intervenção como a do pulmão de aço.
A história de Lillard ressalta a devastação causada pela pólio em tempos pré-vacina. Graças a campanhas de vacinação em massa, como a iniciada nos Estados Unidos logo após seu diagnóstico, a doença foi praticamente eliminada globalmente, tornando seu caso um dos últimos remanescentes dessa era.
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Desafios na manutenção de tecnologias médicas obsoletas
A morte de Martha Ann Lillard levanta discussões importantes sobre a sustentabilidade de equipamentos médicos antigos e a dificuldade de manter tecnologias que já não são produzidas em larga escala. À medida que as doenças que exigem esses aparelhos se tornam raras, a oferta de peças de reposição e técnicos especializados diminui. Isso cria um dilema para os poucos pacientes que ainda dependem delas.
A manutenção de equipamentos como o pulmão de aço enfrenta desafios crescentes devido a fatores como:
- A interrupção da fabricação por empresas que se voltaram para tecnologias mais modernas;
- A escassez de peças de reposição originais, que muitas vezes precisam ser fabricadas sob medida;
- Os custos elevados de manutenção e reparo, dada a raridade dos componentes;
- A dificuldade em encontrar técnicos especializados com conhecimento para operar e consertar máquinas tão antigas.
O legado de uma luta pela sobrevivência
A trajetória de Martha Ann Lillard é um lembrete vívido da resiliência humana diante de adversidades extremas e da importância contínua da saúde pública e da pesquisa médica. Sua história encerra um capítulo na história da medicina, marcando o fim de uma era em que pacientes viviam por décadas dependendo de uma invenção que se tornou um símbolo da luta contra a poliomielite.
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