A fumaça proveniente dos extensos incêndios florestais no Canadá, que tem coberto parte do nordeste dos Estados Unidos nos últimos dias, deve diminuir significativamente antes da final da Copa do Mundo, agendada para este domingo, 19 de julho, em East Rutherford, Nova Jersey.
De acordo com as projeções meteorológicas, uma frente de tempestades está prevista para limpar a atmosfera, resultando em uma redução substancial da concentração de partículas poluentes na área do MetLife Stadium, onde ocorrerá a decisão entre as seleções da Espanha e da Argentina.
Esta previsão traz alívio para as preocupações em torno da partida, que havia sido alvo de incertezas após a fumaça deixar o céu cinzento e levar à emissão de alertas de qualidade do ar em vários estados americanos. Apesar da melhora esperada, especialistas alertam que indivíduos mais sensíveis à poluição ainda podem sentir os efeitos de uma fumaça residual.
Previsão indica melhora da qualidade do ar com a chegada das chuvas
Tyler Roys, meteorologista sênior da AccuWeather, indicou que a frente fria que se deslocou pela região no sábado, 18 de julho, provavelmente irá remover a parte mais densa da fumaça.
A expectativa é que permaneça apenas uma névoa leve, sem que isso represente um impacto significativo para a realização do evento esportivo.
Jeff Berardelli, meteorologista-chefe da emissora WFLA-TV, complementou ao afirmar que a chuva tem o potencial de “varrer a atmosfera”, promovendo uma melhoria considerável na qualidade do ar antes do apito inicial da grande final.
O Índice de Qualidade do Ar (AQI) está previsto para cair da categoria considerada “insalubre para grupos sensíveis” para um nível “moderado”, uma classificação que representa um baixo risco para a maioria da população local.
Adicionalmente, as projeções indicam que a temperatura se manterá em torno de 27°C, com pouca umidade e ventos fracos durante o período do jogo.
Seleção da Espanha altera treino devido ao impacto da fumaça
No sábado, a fumaça ainda era visível nas imediações do estádio, mesmo após a passagem das tempestades registradas.
Durante sua preparação para a final, a seleção da Espanha optou por interromper seu último treinamento ao ar livre devido às condições climáticas adversas, que também geraram alertas de enchentes repentinas em algumas partes de Nova Jersey.
Fora do complexo esportivo, turistas e torcedores acompanhavam a movimentação normalmente. Joost Timpers, um cidadão holandês que pedalou por mais de uma hora com seus filhos para visitar a arena, relatou não ter percebido uma diferença relevante na qualidade do ar.
Incêndios florestais continuam intensos em províncias do Canadá
Enquanto a situação atmosférica apresenta melhora na costa leste americana, os incêndios florestais persistem ativos em diversas províncias canadenses.
Dados fornecidos pelo Sistema Canadense de Informações sobre Incêndios Florestais revelam que centenas de focos de incêndio permanecem ativos. Em Ontário, quase duzentos incêndios já consumiram uma área que supera o total registrado durante toda a temporada anterior.
Na Colúmbia Britânica, o número de incêndios teve um aumento acentuado depois que milhares de raios atingiram a província na sexta-feira. Nova Escócia e o noroeste de Ontário também enfrentam focos de grande proporção, levando à evacuação de várias comunidades.
Meteorologistas explicam que o fogo se alastrou com maior intensidade devido às condições de calor extremo, seca e baixa umidade, um cenário que vem sendo agravado pelas contínuas mudanças climáticas.
Nova disputa política se acende entre Estados Unidos e Canadá
A questão da fumaça também reacendeu uma nova controvérsia política entre os Estados Unidos e o Canadá.
O ex-presidente Donald Trump utilizou suas redes sociais para afirmar que o país está sendo “invadido” por um ar “sujo, poluído e insalubre” vindo do Canadá e renovou a ameaça de impor tarifas à nação vizinha.
Em resposta, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, declarou que as mudanças climáticas constituem uma responsabilidade compartilhada entre as nações, incluindo os próprios Estados Unidos.
Já o premiê de Ontário, Doug Ford, classificou as declarações de Trump como “absolutamente inaceitáveis” e fez questão de lembrar que o Canadá já prestou auxílio aos americanos em outras ocasiões de desastre, como incêndios florestais e furacões.
Apesar da melhora prevista para a final da Copa do Mundo, os especialistas enfatizam que os incêndios continuam longe de serem controlados. Enquanto as chamas permanecerem ativas no Canadá, a fumaça poderá voltar a afetar diferentes regiões da América do Norte, dependendo das mudanças nos padrões dos ventos.
