Ranking de passaportes 2026: Brasil alcança melhor posição histórica enquanto EUA perdem força
O Brasil consolidou sua presença no cenário global ao garantir o 16º lugar no Henley Passport Index, um ranking internacional que avalia a força dos passaportes. Esta é a melhor colocação já alcançada pelo país na história do levantamento, que mede o acesso sem a necessidade de visto prévio a diversos destinos. A Argentina compartilha a mesma posição, com ambos os países permitindo a entrada em 169 nações sem visto.
A crescente influência do passaporte brasileiro em viagens internacionais
O significativo avanço do Brasil na classificação é um reflexo direto de uma série de acordos e tratados internacionais bem-sucedidos. Essas parcerias têm como objetivo simplificar os trâmites para viajantes e impulsionar as relações bilaterais. Entre os acordos que contribuem para essa melhoria, destaca-se o Mercosul, que garante a livre circulação de seus cidadãos entre os países membros da América do Sul, bastando apenas um documento de identidade válido, como o RG. Essa facilidade não apenas estimula o turismo regional, mas também fomenta o intercâmbio cultural e comercial na área.
No mesmo tema: Visto de embaixadora do Brasil é revogado por decisão da administração Trump nos EUA
Para os viajantes brasileiros, essa posição no ranking se traduz em maior liberdade e menos burocracia. A possibilidade de visitar 169 nações sem visto prévio ou com visto emitido na chegada abre um leque de oportunidades, desde viagens de lazer e estudos até negócios e visitas familiares. Além dos países do Mercosul, os cidadãos brasileiros se beneficiam de outras convenções com nações da África, Ásia e Europa. O Espaço Schengen, que engloba 27 países europeus com fronteiras abertas entre si, permite a circulação livre por até 90 dias sem a exigência de visto, ampliando as opções de lazer e negócios para milhões de pessoas. No início do ano, o governo brasileiro expandiu os acordos de facilitação de entrada em seu próprio território, concedendo isenção de visto para cidadãos de oito países, incluindo Irlanda, Dinamarca e China — esta última em maio, com validade para estadias de até 30 dias. Essas medidas recíprocas são vistas como um impulsionador fundamental para a valorização contínua do passaporte nacional, sinalizando um maior engajamento do Brasil com a comunidade global.
O declínio do poder do passaporte norte-americano no cenário mundial
Em contraste com a ascensão brasileira, o passaporte dos Estados Unidos tem experimentado uma contínua perda de poder ao longo das últimas duas décadas. Em 2026, o documento norte-americano ocupa a 10ª posição no ranking, empatado com a Islândia, permitindo viagens sem visto para 180 destinos. Esta é uma queda notável, considerando que, há 20 anos, em 2006, os EUA detinham a liderança global ao lado da Finlândia e Dinamarca, com acesso a 130 destinos. Nesse mesmo período, o Brasil estava na 20ª colocação.
Razões por trás da perda de influência dos Estados Unidos
A diminuição da força do passaporte dos Estados Unidos pode ser atribuída, em parte, à sua própria política de reciprocidade. O Henley Openness Index, um indicador que avalia a abertura dos países para outras nacionalidades, classifica os EUA na 73ª posição. Isso significa que os Estados Unidos permitem a entrada sem visto de apenas 46 outras nações, um número consideravelmente baixo em comparação com outras potências globais. Essa falta de abertura, especialmente quando comparada a países líderes como Singapura, que oferece acesso a 192 destinos e mantém políticas de reciprocidade mais amplas, impacta negativamente sua classificação.
Analistas do índice apontam que essa política de “fechamento” pode ser uma faca de dois gumes, pois, embora portadores do passaporte norte-americano ainda possam acessar 180 destinos sem visto, o país não é igualmente receptivo. Um exemplo concreto é a exigência de visto para cidadãos norte-americanos que desejam visitar a China, algo que não ocorre para portadores de outros passaportes considerados “poderosos”. Essa falta de alinhamento com as tendências globais de mobilidade tem sido um fator persistente no enfraquecimento da posição dos EUA ao longo dos anos, limitando as vantagens que um passaporte historicamente forte poderia oferecer.
Os critérios que definem a força de um passaporte
O Henley Passport Index é meticuloso em sua metodologia, monitorando o número de destinos que podem ser visitados sem a necessidade de visto prévio ou com a emissão do visto na chegada ao país (conhecido como visa-on-demand). Esta liberdade de circulação global é um indicador crucial do “soft power” de uma nação, refletindo sua influência e suas relações diplomáticas internacionais.
Singapura se destaca como líder incontestável, concedendo a seus cidadãos acesso sem visto a 192 dos 227 destinos globais. Em seguida, um empate na segunda posição é observado entre Coreia do Sul, Japão e Emirados Árabes Unidos, com cada um oferecendo acesso a 188 países sem a exigência de visto. Para o Dr. Christian Kaelin, presidente da Henley & Partners e idealizador do índice, “a verdadeira riqueza não é mais definida apenas pelo capital financeiro, mas pela liberdade de escolher onde eles e as futuras gerações podem viver, trabalhar, estudar, investir e pertencer”, enfatizando a importância da mobilidade global na vida contemporânea.
Os 20 passaportes mais influentes do mundo em 2026
- 1. Singapura (192 destinos)
- 2. Japão, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos (188 destinos)
- 3. Suécia (187 destinos)
- 4. Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Espanha (186 destinos)
- 5. Áustria, Grécia, Malta, Portugal, Suíça (185 destinos)
- 6. Hungria, Polônia, Reino Unido (184 destinos)
- 7. Austrália, Canadá, Tchéquia, Letônia, Malásia, Nova Zelândia, Eslováquia, Eslovênia (183 destinos)
- 8. Croácia, Estônia (182 destinos)
- 9. Liechtenstein, Lituânia (181 destinos)
- 10. Islândia, Estados Unidos (180 destinos)
- 11. Bulgária e Romênia (178 destinos)
- 12. Mônaco (177 destinos)
- 13. Chipre (175 destinos)
- 14. Chile e Hong Kong (174 destinos)
- 15. Andorra (170 destinos)
- 16. Argentina e Brasil (169 destinos)
- 17. São Marino (167 destinos)
- 18. Israel (166 destinos)
- 19. Barbados e Brunei (163 destinos)
Perspectivas futuras para a mobilidade global de passaportes
A dinâmica observada no Henley Passport Index reflete as complexas interações diplomáticas e as prioridades de cada nação em relação à mobilidade. Enquanto alguns países investem em acordos para facilitar o trânsito de seus cidadãos, outros mantêm políticas mais restritivas. A tendência global aponta para uma crescente valorização da liberdade de movimento, o que indica que passaportes de países com maior abertura e reciprocidade tendem a ganhar mais relevância em um mundo cada vez mais conectado.

















