Trail Blazers entra em crise financeira na NBA, demite 70 e avalia mudar de estadoPor Thiago Lemos
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O Portland Trail Blazers, time da NBA, enfrenta um período de intensa turbulência financeira e incertezas sobre seu futuro na cidade, com a chegada do novo proprietário Tom Dundon no início deste ano. A situação, que ganhou novos contornos em 23 de julho de 2026, é marcada por drásticos cortes de custos, incluindo a demissão de aproximadamente 70 funcionários e o encerramento de contratos com emissoras de jogos. O cenário se agravou com o começo da reforma do Moda Center, a arena da equipe, o que gerou discussões sobre a possível saída dos Blazers de Portland.
Desde a sua aquisição, Tom Dundon promoveu o desligamento de figuras importantes do setor de transmissões, conforme apurado pela imprensa internacional. Kevin Calabro, narrador por nove temporadas, optou por sair após receber uma oferta de contrato muito inferior à anterior. Travis Demers, que narrava os jogos de rádio dos Blazers há sete temporadas, também não teve seu vínculo empregatício renovado. Além deles, Michael Holton, analista de rádio e ex-jogador da franquia entre 1986 e 1988, foi dispensado após uma longa associação de 19 temporadas, incluindo nove como analista de rádio e apresentador de TV.
O time também encerrou a colaboração com Neil Everett, antigo âncora da ESPN que cobria os jogos em estúdios de televisão desde 2021. Jamie Hudson, que atuava como coapresentadora ao lado de Everett, e Tom Haberstroh, responsável por análises estatísticas nas transmissões televisivas nos últimos três anos, também foram desligados.
As medidas adotadas por Tom Dundon, embora gerem debate, não são inesperadas para quem acompanha sua trajetória. Ele é proprietário do Carolina Hurricanes, um time de hóquei dos Estados Unidos que se destacou por sua competitividade sob sua administração. Dundon adquiriu a franquia da NBA por 4,25 bilhões de dólares, o equivalente a mais de 21 bilhões de reais, no começo do ano. Mesmo com o sucesso na equipe da NHL, sua forma de comandar é conhecida por um rigoroso controle de despesas e por estratégias focadas na diminuição de custos. Este padrão de gestão austera é frequentemente observado em novas administrações de grandes franquias esportivas, visando reestruturar as finanças e otimizar operações a longo prazo.
Além das recentes demissões de colaboradores e da dispensa de membros da equipe de transmissões, o executivo se envolveu em um embate político e financeiro sobre o destino do Moda Center e a permanência dos Blazers em Portland. O cerne do desacordo gira em torno da reforma do centro esportivo, avaliada em 600 milhões de dólares, o equivalente a aproximadamente 3 bilhões de reais. Conforme veículos de comunicação americanos, a franquia pleiteia que a obra seja financiada com verbas públicas, além de solicitar garantias extras, como indenizações anuais via ajustes no imposto sobre a propriedade, o uso de mão de obra sindicalizada e dispositivos para conter possíveis elevações nos custos da construção. Contudo, a Prefeitura de Portland demonstra resistência a essa proposta, apresentando uma visão divergente.
A Câmara Municipal expressa como principal preocupação a ausência de clareza sobre como os recursos seriam empregados. Os representantes locais reiteram que não pretendem aprovar um investimento de tal porte sem o pleno conhecimento dos pormenores do projeto. O Portland Trail Blazers é instado a fornecer um plano técnico minucioso para a modernização, assegurar maior transparência na gestão dos fundos públicos e garantir a supervisão durante a execução da obra, além de propor ações para a manutenção de empregos vinculados ao empreendimento. Em contrapartida, a franquia tem mantido uma postura reticente, sem apresentar o projeto e prosseguindo com um diálogo informal com o poder público ao longo de todo o processo.
A situação de impasse também atraiu a atenção da NBA. Adam Silver, o comissário da liga, manifestou preocupação com o ritmo lento das tratativas e esperava por um progresso mais significativo no consenso entre a administração municipal e a franquia. Apesar de uma eventual alteração de cidade para a equipe não ter sido formalmente anunciada, membros da prefeitura conjecturam que essa possibilidade é utilizada como ferramenta de pressão nas discussões, buscando alcançar termos mais vantajosos para o time de basquete.
Essa apreensão se intensifica pelo fato de que o contrato atual dos Trail Blazers para uso do Moda Center se estende até 2030, com a possibilidade de ser prolongado até 2035. Adicionalmente, o apoio financeiro público para a atualização da arena está condicionado à formalização de um novo acordo de arrendamento com duração mínima de duas décadas. Dessa forma, a modernização do centro esportivo e a continuidade da franquia em Portland se tornam questões intrinsecamente conectadas.







