Gravidade molda planeta: NASA divulga visualização 3D inédita do geoide terrestre

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Geoide terrestre - Divulgação/Nasa Foto: Geoide terrestre - Divulgação/Nasa

A Agência Espacial Americana (NASA) divulgou uma visualização tridimensional inovadora do geoide terrestre, uma representação do campo gravitacional do nosso planeta. Por muitos séculos, a percepção comum e as imagens divulgadas sugeriam uma Terra perfeitamente redonda, mas a comunidade científica e a geodesia já reconhecem há décadas a sua forma irregular. Esta nova imagem detalhada da NASA revela as ondulações e como a força da gravidade, influenciada pela massa interna, modela o planeta para além de qualquer geometria idealizada.

Essa representação visualiza o geoide da Terra como uma superfície equipotencial, que seria a forma de um oceano global se ele estivesse sob a influência exclusiva da gravidade. A imagem apresentada não indica uma deformação física direta do planeta, mas sim um modelo que ilustra as alterações na atração gravitacional de acordo com a distribuição de massa terrestre.

A agência espacial esclareceu que as ondulações observadas não correspondem a elevações ou depressões físicas reais na escala mostrada. Elas, na verdade, indicam as variações no campo gravitacional do nosso planeta.

Compreendendo o geoide e o formato real da Terra

Conforme a definição da NASA, o geoide é uma superfície equipotencial diretamente ligada ao campo gravitacional da Terra. Em termos práticos, ele representa o nível que os oceanos assumiriam caso estivessem em repouso absoluto e respondessem unicamente à força da gravidade.

Michael Watkins, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, explicou o fenômeno, afirmando: “Como a distribuição de materiais nas profundezas da Terra varia, seu campo de gravidade possui elevações e depressões”.

Essa perspectiva ajuda a entender por que a Terra não possui uma forma geométrica ideal. Áreas com maior concentração de massa terrestre exercem uma atração gravitacional ligeiramente superior, enquanto regiões de menor densidade resultam em “vales” nessa superfície gravitacional.

Como os cientistas mediram o campo gravitacional do planeta

Segundo informações da NASA, as variações de altura do geoide nesta visualização vão de um pico de +85 metros na Islândia a uma depressão de -106 metros no sul da Índia. A agência espacial detalhou que essas diferenças foram exageradas em 10.000 vezes para se tornarem perceptíveis.

A altura apresentada na visualização tem origem no modelo de campo gravitacional conhecido como GOCO06s. Este modelo global foi desenvolvido a partir de dados coletados exclusivamente por satélites e processado pelo projeto Gravity Observation Combination (GOCO).

O cálculo para este modelo incluiu mais de um bilhão de observações, coletadas ao longo de 15 anos por um total de 19 satélites. Entre os equipamentos utilizados, estão o Experimento de Recuperação da Gravidade e Clima (GRACE), da NASA, e o Explorador de Campos Gravitacionais e Circulação Oceânica em Estado Estacionário (GOCE), da Agência Espacial Europeia (ESA).

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A importância dos modelos do campo gravitacional terrestre

O campo gravitacional da Terra não se mantém uniforme nem constante; ele apresenta variações ao longo do tempo. Essas alterações são causadas pela distribuição desigual de massa nos oceanos, continentes e no interior profundo do planeta, além de fatores climáticos como o balanço hídrico continental e o degelo ou crescimento de glaciares.

Estudos anteriores mencionaram a “Batata de Gravidade de Potsdam”, uma representação visual do campo gravitacional terrestre criada pelo Centro Alemão de Pesquisa Geofísica (GFZ), em Potsdam, Alemanha. O modelo, denominado EIGEN-6C, foi desenvolvido com base em dados de satélites como LAGEOS, GRACE e GOCE, além de medições de gravidade terrestre e altimetria espacial.

Esse modelo também demonstrou um aumento de quatro vezes na resolução espacial em comparação com uma versão anterior obtida em 2005.

Estes modelos são cruciais para o monitoramento do armazenamento sazonal de água nos continentes, as variações do nível do mar, as correntes oceânicas e características geológicas ocultas sob a superfície continental. O conhecimento aprofundado dessas variações é vital para entender fenômenos como a mudança climática e o deslocamento de massas de gelo, impactando diretamente estudos sobre o aumento do nível dos oceanos e a distribuição global de recursos hídricos.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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