Cantor Afroito vira alvo de críticas após abrir vaquinha de R$ 1 milhão para comprar casaPor Luís Henrique Costa
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O artista Afroito gerou debate nas redes sociais ao lançar uma campanha de arrecadação online com a meta de R$ 1 milhão. O objetivo é quitar seis meses de aluguel em atraso e adquirir o imóvel onde reside, na cidade do Recife. A divulgação do financiamento coletivo ocorreu por meio de uma postagem no Instagram em 23 de julho.
“Durante os últimos seis meses, não houve notificação sobre os aluguéis em atraso, apesar dos encontros presenciais com a locatária”, afirmou o cantor em declaração. Ele ainda complementou que, “ao receber a notificação com o montante devido pelos seis meses, fiquei paralisado e busquei uma solução para a situação.”
O financiamento coletivo teve início em 20 de julho e, em um período de nove dias, arrecadou R$ 8.395, representando menos de 1% do valor total almejado. A iniciativa tem um prazo de 60 dias para atingir seu objetivo. Da quantia de R$ 1 milhão, R$ 800 mil seriam destinados à compra da casa, enquanto o saldo restante cobriria taxas, multas e uma dívida de aproximadamente R$ 50 mil referentes aos aluguéis não pagos.
Em um vídeo, o cantor declarou ter “cometido um erro grave”. Ele explicou que, sem agenda de shows, alugou uma residência que estava desocupada por dez anos e não conseguiu arcar com os pagamentos de aluguel nos seis meses mais recentes. “Vivo neste local há um ano, com a intenção de, em certo ponto, transformá-lo em meu lar permanente. Contudo, com as despesas atrasadas, a situação tornou-se quase insustentável. Por essa razão, iniciei uma vaquinha, pois nutro a esperança de contar com a colaboração de vocês para me livrar desse ciclo de inadimplência e concretizar o sonho de possuir um espaço no mundo”, afirmou o artista.
A repercussão da campanha nos comentários das redes sociais foi de críticas intensas. Um seguidor expressou: “Desculpa, mas isso é o cúmulo do surto. Você quer uma casa de 1 milhão de reais no seu nome pago com o dinheiro de vaquinha?”. Outro questionou a decisão do artista: “Tem que ter mais responsabilidade, amigo. Como aluga uma casa desse tamanho sem estabilidade financeira?”.
Artista se defende e explica uso de financiamento coletivo
O músico explicou que o crowdfunding “é uma ferramenta utilizada pela arte há bastante tempo” e que ele “não associa o financiamento coletivo a algo negativo”.
Ele admitiu que “talvez o tom do vídeo tenha gerado esse impacto”. No entanto, o artista argumentou: “não atribuo financiamento coletivo a algo negativo, porque é uma ferramenta empregada pela arte há muito tempo. Creio que a maioria das pessoas enquadra o crowdfunding apenas em situações de necessidades extremas e urgentes, onde é preciso conseguir dinheiro rapidamente para alguém. Mas neste cenário, trata-se de ponderar e decidir se você realmente deseja ou não colaborar”, declarou.
O artista revelou que, a princípio, recebeu um prazo de 15 dias para desocupar o imóvel. Atualmente, o cantor continua residindo na casa.
“Na minha última conversa com o assessor da proprietária, informei que a vaquinha era minha única saída”, relatou. Ele acrescentou: “Disse a ele que ainda queria comprar a casa. Expliquei que não dispunha do montante da multa e que só teria uma resposta em 60 dias.”
Afroito mencionou que a campanha oferece contrapartidas aos participantes. Entre os benefícios prometidos estão um disco de vinil de seu álbum de estreia, “Menga”, e convites para a inauguração da residência, nomeada ParanãLab, caso a meta seja alcançada e a compra do imóvel concretizada.
“É uma tentativa de resolver uma série de questões. Mas sem transformar isso em um problema alheio”, explicou. Ele defende a proposta, afirmando: “Vejo um valor proporcional e justo no meu trabalho, é o que estou solicitando. No contexto dos convites, do vinil, das colaborações. Penso que é uma troca que pode ser equivalente para o investidor. Não sei como cada um percebe isso. Mas, em certo momento, aquele valor foi interpretado como: ‘ele está me pedindo todo esse dinheiro'”, completou.
Histórico de moradia e dificuldades financeiras do artista
O cantor relatou que, anteriormente, “morei em kitnets”, e que escolheu a casa atual por considerá-la ideal para suas atividades artísticas em um período de crescimento na carreira. Ele optou por não fornecer informações detalhadas sobre a residência ou seu bairro.
“Eu vivia antes em kitnets, em moradias menores. Tentei criar músicas nesses locais, mas não me adaptava. Não havia espaço suficiente, era muito restrito. Às vezes, me apresento com oito a dez pessoas. E os proprietários também não gostavam muito”, descreveu. Ele acrescentou: “Pensei assim: se invisto em gravações e em estúdio para ensaios, posso somar essas minhas necessidades e alugar um lugar como este.”
Contudo, após seis meses, a quantidade de convites para shows reduziu, e ele passou a ter dificuldades para cobrir o aluguel, cujo valor mensal é de R$ 5 mil.
Por essa razão, o artista decidiu contatar a proprietária do imóvel para comunicar a entrega da casa em 15 dias. Foi subsequentemente a essa comunicação que ele recebeu uma notificação extrajudicial com a exigência do pagamento da dívida.
“Primeiramente, dediquei um tempo enorme para tornar a casa habitável, pois ela estava infestada de mofo, cupim, timbu e outros problemas. O timbu não é o maior incômodo, mas como a residência estava fechada por dez anos, tornou-se um local de proliferação desses animais”, revelou.
Além disso, o músico compartilhou que foi necessário dedetizar todo o local e empreendeu grande esforço para aprimorar as condições do imóvel.
“O custo financeiro pode não ultrapassar R$ 2 mil ou R$ 1.500, mas o empenho em encontrar alguém para realizar o serviço… A casa possui muita madeira. Acima de um cômodo nos fundos, havia uma grande infestação de cupins que se espalhava por toda a estrutura. Por isso, precisei dedetizar o imóvel por completo. E mesmo com a casa envenenada, não havia outro lugar para dormir. Isso não é levado em conta. O transtorno causado não está incluído no cálculo final”, declarou.







