Ponte Preta detalha divisão de R$ 1 bilhão para SAF em futebol, estádio e dívidasPor Thiago Lemos
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A transição da Ponte Preta para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ainda desperta várias questões entre os torcedores. As principais dúvidas envolvem o volume de recursos direcionados ao futebol, o montante para quitação de débitos do clube e o futuro do Estádio Moisés Lucarelli, se seria vendido ao investidor.
O Mix Vale teve acesso à minuta da proposta avaliada em R$ 1 bilhão, negociada entre o clube e o grupo interessado na SAF. O documento esclarece que o Majestoso, o Centro de Treinamento do Jardim Eulina e a unidade Paineiras permanecerão como propriedade do clube, não fazendo parte da operação societária da futura empresa.
Contudo, a manutenção da propriedade do estádio pelo clube não implica que ele será gerido diretamente pela associação. O modelo proposto prevê a cessão do Moisés Lucarelli à SAF por meio de um contrato de comodato, o que permite o uso do bem sem a transferência de titularidade. A duração estabelecida é de 30 anos, com a possibilidade de renovação automática pelo mesmo período, conforme previsto em cláusula contratual.
Durante o período do comodato, a empresa terá permissão para explorar comercialmente o estádio, gerando receitas de jogos, camarotes, bares, publicidade e eventos. A minuta da proposta sugere que 85% dessas receitas seriam destinadas à SAF e os 15% restantes à associação, porcentagem que ainda está sendo ajustada pelas partes envolvidas.
Em contrapartida, o grupo investidor assume diversas obrigações. Entre elas, um aporte de R$ 400 milhões para modernizar o Majestoso, incluindo a construção de uma arena multiuso com capacidade para cerca de 21 mil pessoas, apta a sediar shows e eventos corporativos, além de melhorias no Centro de Treinamento.
A proposta destina ainda R$ 300 milhões para o desenvolvimento do futebol profissional e das categorias de base, distribuídos ao longo de 10 anos (R$ 30 milhões anuais). Outros R$ 300 milhões serão usados para a quitação das dívidas do clube.
A minuta também define que a futura controladora da SAF será responsável pela gestão do futebol profissional e da base. A estrutura de governança contempla um Conselho de Administração com cinco membros, sendo quatro indicados pelo investidor e um pela associação. O modelo apresentado indica que a atual diretoria não integraria a estrutura executiva da SAF.
Um aporte inicial de R$ 10 milhões para a Ponte Preta também está previsto. A liberação desses recursos, no entanto, depende do cumprimento de exigências jurídicas e financeiras que serão estabelecidas no contrato final.
Mesmo sem participar diretamente da gestão da empresa, o clube associativo terá a responsabilidade de fiscalizar o cumprimento de todas as obrigações assumidas pelo investidor, conforme detalhado na proposta.
A negociação ainda não foi finalizada. O documento será submetido à análise do Conselho Deliberativo e, posteriormente, a uma possível votação dos associados, etapas essenciais para a efetivação da SAF.







