Empresa italiana recria clássico Mercedes 190 Evo II com motor de 765 cvPor Luís Henrique Costa
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Um dos sedãs mais emblemáticos da década de 1990 acaba de ganhar uma interpretação contemporânea focada em altíssimo desempenho. A companhia italiana Vespera Automobili revelou o seu mais recente projeto de restauração e modificação profunda, batizado oficialmente como Vespera Iride Evo 5. O veículo nasce como um tributo direto ao lendário Mercedes-Benz 190 Evo II, um carro que marcou época nas pistas europeias e nas ruas. Para entender o peso histórico dessa recriação, o modelo original da montadora alemã teve apenas 502 unidades fabricadas em 1990, exigência fundamental para a homologação no campeonato de turismo DTM, onde travou batalhas memoráveis contra o BMW M3 E30.
Nesta nova leitura, a oficina europeia decidiu manter a silhueta clássica que consagrou o automóvel, mas substituiu praticamente todos os componentes originais por tecnologias de ponta. O objetivo central da fabricante foi entregar um nível de dirigibilidade comparável ao dos supercarros atuais, sem perder a essência visual que atrai colecionadores ao redor do mundo. Todo o processo de montagem ocorre de forma estritamente artesanal, exigindo centenas de horas de trabalho especializado para finalizar cada exemplar encomendado.
Transformação estrutural e uso intensivo de materiais de competição
Para atingir os rigorosos padrões de peso e rigidez torcional exigidos pelo novo conjunto mecânico, a carroceria de fábrica foi inteiramente descartada em favor de painéis moldados em fibra de carbono. Essa mudança drástica permitiu aos projetistas alterar as dimensões do sedã de forma significativa. A largura total do veículo cresceu exatos 20 centímetros em relação ao carro da década de 90, fruto de um alargamento de 9,9 centímetros em cada lateral. Esse ganho de proporção acomoda eixos mais largos e proporciona uma postura agressiva no asfalto.
O pacote aerodinâmico também recebeu atenção especial da equipe de design. A traseira ostenta um aerofólio de grandes proporções, enquanto as laterais ganharam saias redesenhadas e novas tomadas de ar posicionadas logo atrás das caixas de roda. Na dianteira, o sistema de iluminação abandonou as lâmpadas halógenas antigas para adotar projetores totalmente em LED, garantindo visibilidade noturna adequada às velocidades que o carro pode atingir. O conjunto roda sobre aros da marca OZ Rally Racing, uma escolha que reforça a conexão visual com os veículos de rali e turismo do passado.
Um detalhe peculiar sobre a pintura demonstra o nível de exigência do projeto. A unidade de apresentação foi pintada em um tom chamado Verde Montreal, contrastando com elementos dourados. No entanto, a fabricante estabeleceu uma regra estrita: assim que um cliente escolhe uma cor específica para o seu carro, essa tonalidade é permanentemente banida do catálogo da empresa. Isso garante que jamais existirão dois exemplares idênticos rodando pelo mundo.
Engenharia mecânica reformulada para entregar potência extrema
O coração do projeto exigiu uma intervenção profunda por parte dos engenheiros da oficina italiana. Em vez de adotar um propulsor moderno de outra marca, a equipe optou por preservar a linhagem germânica utilizando o bloco Mercedes M103 de seis cilindros em linha. Na sua configuração de fábrica, esse motor deslocava 2.6 litros e funcionava com aspiração natural. Após a desmontagem completa, a capacidade volumétrica foi ampliada para 3.0 litros.
Para suportar o aumento brutal de força, o interior do bloco recebeu pistões e bielas forjados de alta resistência. A grande virada de desempenho, no entanto, veio com a instalação de um sistema de sobrealimentação por turbocompressor, calibrado para operar com altas pressões. O gerenciamento dessa força é feito por uma caixa de câmbio manual de seis marchas, uma decisão técnica que contraria a tendência atual das transmissões automatizadas de dupla embreagem, mas que atende ao desejo dos puristas por maior interação com a máquina.
A tração permanece exclusivamente nas rodas traseiras, controlada por um diferencial de deslizamento limitado que ajuda a distribuir a força de maneira eficiente durante acelerações bruscas e contorno de curvas. Os números oficiais divulgados pela montadora revelam o impacto dessas modificações no comportamento do veículo:
- Potência máxima aferida de 765 cavalos.
- Torque brutal de 913 Nm disponível para as rodas traseiras.
- Aceleração de zero a 100 km/h cumprida em apenas 3,4 segundos.
- Velocidade máxima estimada na casa dos 300 km/h.
- Peso total do conjunto contido em 1.450 quilogramas.
Participação de especialistas e foco na dinâmica de condução
O desenvolvimento do acerto de chassi e suspensão não ocorreu de forma isolada dentro dos laboratórios da empresa. O projeto contou com a consultoria técnica de Loris Capirossi, um nome amplamente respeitado no universo do esporte a motor e conhecido por sua vasta coleção de veículos exclusivos. A experiência do piloto foi fundamental para afinar as respostas do volante e garantir que o excesso de potência não tornasse o carro indomável em estradas sinuosas.
O sistema de frenagem precisou ser superdimensionado para lidar com as novas velocidades alcançadas pelo sedã. Os engenheiros buscaram inspiração nos freios utilizados pelo modelo de competição original, mas aplicaram compostos modernos de fricção e pinças de múltiplos pistões capazes de estancar o veículo com segurança. A calibração de todo o sistema dinâmico visa proporcionar uma experiência analógica, onde o motorista sente as reações mecânicas sem a interferência excessiva de sistemas eletrônicos de assistência.
Exclusividade no acabamento interno e modelo de vendas sob encomenda
Embora a estrutura externa e o conjunto motriz já estejam definidos, a cabine do esportivo ainda passa pelos últimos ajustes de design. A filosofia adotada para o interior mistura o ambiente espartano dos carros de corrida com o luxo exigido por compradores de alto padrão. Os revestimentos combinam painéis de fibra de carbono exposta com áreas forradas em couro natural e tecido Alcantara, materiais que ajudam a reduzir o peso e evitam reflexos indesejados durante a condução.
A configuração do habitáculo segue a mesma premissa da pintura externa: o cliente tem liberdade total para escolher texturas, costuras e o formato dos assentos. A intenção da marca é entregar um autêntico veículo de turismo feito à mão, onde o conforto em viagens mais longas não seja sacrificado pela rigidez do chassi. Cada botão e alavanca está sendo desenhado para transmitir solidez e precisão tátil.
A aquisição de um exemplar segue moldes extremamente discretos. A fabricante não divulga o preço base do projeto em seus canais oficiais, reservando essa informação apenas para potenciais compradores que passam por um processo de triagem. Essa estratégia comercial reforça o posicionamento da marca no nicho de altíssimo luxo, tratando cada automóvel como uma obra de arte mecânica destinada a garagens de colecionadores criteriosos.







