Colega de classe cria com IA deepfakes sexuais de adolescentes em escola e choca vítimas
Oito estudantes adolescentes foram alvo de montagens pornográficas fraudulentas, conhecidas como deepfakes sexuais, criadas por um colega na mesma escola. As imagens foram produzidas utilizando fotos obtidas de perfis restritos nas redes sociais, gerando grande perturbação entre as jovens na data de 6 de agosto de 2026. Ao tomar conhecimento do ocorrido, o grupo buscou imediatamente o apoio da direção da instituição de ensino.
Inspirada pelo depoimento público da atriz Paolla Oliveira sobre o tema, uma das adolescentes afetadas decidiu revelar sua própria vivência. Ela explicou que as fotografias das colegas foram alteradas digitalmente por meio de inteligência artificial, sendo incorporadas em contextos pornográficos falsos. “Havia fotos nossas que, na verdade, não eram verdadeiras. Eram montagens com inteligência artificial dos nossos rostos em cenários pornográficos”, declarou uma das vítimas.
Como a manipulação foi descoberta dentro da escola
As estudantes desconfiaram de imediato que o responsável pelas manipulações fosse uma pessoa de seu círculo, visto que as fotos originais haviam sido obtidas de suas contas privadas. Mais tarde, a apuração confirmou que o autor das deepfakes era um colega da mesma turma. “Ele frequentava a mesma sala de aula que nós”, contou a jovem.
A vítima detalhou que o estudante mantinha um relacionamento próximo com o grupo, comparecendo a festas de aniversário, trocando mensagens carinhosas e interagindo constantemente. Esse comportamento prévio intensificou o sentimento de traição e desorientação entre as meninas. “Experimentei uma sensação de raiva profunda, uma tristeza imensa. Ele estava presente em nossos aniversários, nos oferecia caronas e trocava mensagens afetuosas, como de Feliz Natal e Ano-Novo. Quando ele precisava de auxílio, também estávamos lá para ele. Portanto, considero que foi um verdadeiro choque para todas nós”, desabafou.
Desdobramentos da investigação e responsabilização legal
O pai de uma das vítimas, que é advogado, iniciou um processo de produção antecipada de provas com o objetivo de identificar o criador das imagens. Graças aos dados fornecidos pelo aplicativo Telegram, foi possível localizar o número de telefone e o endereço de IP usados na manipulação. “O Telegram disponibilizou o número do aparelho móvel e o IP usados. No universo digital, tudo pode ser rastreado”, garantiu o advogado.
Segundo o advogado, o jovem responsável pelas deepfakes foi formalmente responsabilizado por ato infracional e recebeu uma medida socioeducativa, conforme determina a legislação para menores de idade. A gravidade do delito destaca a necessidade de campanhas de conscientização sobre crimes cibernéticos.
Aumento preocupante de casos de deepfakes em ambiente escolar
Profissionais da área de segurança digital advertem que este incidente está longe de ser um caso isolado. Informações da SaferNet revelam que, em apenas meio ano, foram registrados 222 casos de adolescentes vítimas de deepfakes sexuais em instituições de ensino no Brasil. Desse número, 65 ocorrências foram concentradas no estado de São Paulo, evidenciando uma tendência alarmante.
A estudante envolvida acredita que divulgar publicamente sua história é uma maneira vital de encorajar outras vítimas a buscarem ajuda e a realizarem denúncias. “Nós nos amparamos mutuamente. Em todos os instantes, estávamos unidas”, enfatizou.
Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.
