Sensores em tubarões fornecem dados oceânicos para aprimorar previsão de furacões
Pesquisadores da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, estão utilizando tubarões equipados com sensores para coletar dados oceânicos cruciais, visando aprimorar a previsão da intensidade de furacões. A iniciativa, que teve dados relevantes coletados até 13 de agosto de 2026, busca transformar os animais marinhos em observadores móveis em tempo quase real, oferecendo uma nova perspectiva para a ciência climática.
A pesquisa se concentra na costa leste americana, uma região historicamente afetada por eventos climáticos extremos. Os dados obtidos pelos tubarões podem significar uma melhor preparação e maior segurança para milhões de pessoas que vivem em áreas vulneráveis, ao fornecer informações mais precisas sobre como esses fenômenos se intensificarão ao se aproximarem do continente.
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Como os tubarões viram “observadores” do oceano
Pequenos dispositivos eletrônicos são anexados aos tubarões para medir condições vitais do oceano. Eles registram a condutividade elétrica da água do mar, uma métrica diretamente ligada à salinidade, além da temperatura e da profundidade enquanto os animais nadam e mergulham. Essas informações são então enviadas para modelos oceanográficos, atmosféricos e climáticos.
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Essas medições são cruciais porque o conteúdo de calor na camada superior do oceano é o principal combustível para a formação e intensificação dos furacões. Entender as variações nessas métricas ajuda os cientistas a modelar com mais precisão a energia disponível para esses sistemas meteorológicos.
A escolha estratégica dos tubarões para a pesquisa
Embora sensores em animais como elefantes-marinhos já sejam usados em regiões polares, onde a coleta de dados é escassa, os tubarões apresentam vantagens significativas. De acordo com Aaron Carlisle, pesquisador e professor da Escola de Ciências e Políticas Marinhas da Universidade de Delaware, os tubarões são abundantes, amplamente distribuídos e mais fáceis de acessar do que muitos mamíferos marinhos protegidos.
Os pesquisadores selecionam cuidadosamente as espécies que frequentam a superfície com regularidade, permitindo que os dispositivos transmitam informações aos satélites. As análises apontaram os seguintes animais como candidatos promissores para o estudo no Atlântico Norte:
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- Tubarões-mako-de-barbatana-curta
- Tubarões-azuis
- Tubarões-martelo-lisos
- Tubarões-brancos juvenis
A importância do calor na intensificação dos furacões
“Estamos mais interessados no conteúdo de calor da camada superior do oceano”, afirmou Aaron Carlisle. Ele explicou que esta porção da coluna d’água é determinante para a intensidade dos furacões. Quanto mais quente essa camada, mais energia o furacão pode absorver, resultando em um fenômeno mais forte e potencialmente mais destrutivo.
A coleta de dados em tempo quase real diretamente da região onde os furacões se formam e se movem permite uma compreensão dinâmica e atualizada das condições oceânicas. Isso contrasta com métodos mais estáticos e pode preencher lacunas de informação em áreas de difícil acesso para equipamentos de monitoramento convencionais.
Detalhamento do processo de marcação dos animais
O processo de marcação inicia-se em maio, quando espécies altamente migratórias se aproximam da costa americana, após deixarem seus habitats de inverno mais distantes no Atlântico. Pesquisadores viajam de 50 km a 65 km mar adentro em embarcações especializadas, lançando linhas com iscas e esperando, em média, de duas a três horas por um tubarão.
Assim que um tubarão morde a isca, uma equipe especializada, comparada a equipes de pit stop de corrida, atua rapidamente para fixar as etiquetas na nadadeira dorsal. Esse procedimento leva geralmente menos de cinco minutos. A posição na nadadeira dorsal é estratégica, pois permite que o dispositivo se comunique e transmita dados à rede de satélites em órbita sempre que o tubarão sobe à superfície.
O impacto nos tubarões é minimizado, pois os dispositivos são fixados com materiais projetados para corroer e se soltar naturalmente com o tempo. Antes da liberação, cada animal passa por uma avaliação de saúde, garantindo que o estresse ou ferimentos não alterem seu comportamento natural, o que poderia comprometer a qualidade dos dados.
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Melhores previsões para comunidades costeiras
Se bem-sucedido, o projeto promete dados que poderão refinar significativamente as previsões sobre a intensidade dos furacões à medida que se aproximam da costa leste dos Estados Unidos. Caroline Wiernicki, doutoranda em ciências marinhas na Universidade de Delaware, destaca que essas informações podem fornecer dados mais confiáveis às populações que vivem em estados como Carolina do Norte e Massachusetts.
A iniciativa também ajuda a desmistificar a imagem de vilões que os tubarões frequentemente têm na cultura popular, como visto em filmes clássicos como “Tubarão” ou na série “Sharknado”. Em vez de figuras de terror, esses animais se tornam aliados cruciais na proteção humana contra os fenômenos naturais mais perigosos.
















