Prisões marcam investigação de PM carbonizado no Ceará; colega e marido são suspeitos de matar o policial Raphael Sampaio da SilvaPor Luís Henrique Costa
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As autoridades do Ceará investigam a morte do policial militar Raphael Sampaio da Silva, encontrado sem vida e carbonizado dentro de um carro na Região Metropolitana de Fortaleza. O caso, ocorrido em 11 de agosto de 2026, teve um rápido desdobramento com a prisão de uma colega de batalhão da vítima, a policial militar Júlia Natália Girão Gomes, e do marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, ambos suspeitos de envolvimento no crime. A motivação oficial permanece em apuração, mas a família da vítima aponta um relacionamento extraconjugal entre Raphael e Júlia como peça-chave no mistério.
Descoberta e identificação do corpo do policial militar
O corpo de Raphael Sampaio, de 27 anos, foi encontrado em um veículo incendiado no bairro Ancuri, área que faz divisa entre Fortaleza e Itaitinga. A descoberta ocorreu após uma denúncia sobre um carro em chamas ser abandonado no local, levando equipes do Corpo de Bombeiros para apagar o fogo. Durante a ação, foi identificado um corpo no interior do automóvel, posteriormente reconhecido como o do soldado da PM.
A perícia inicial sugere que Raphael foi baleado antes de ter o corpo carbonizado. Ele havia ingressado na Polícia Militar do Ceará em junho de 2022 e estava lotado na 2ª Companhia do 16º Batalhão de Polícia Militar (2ºCia/16ºBPM), exatamente o mesmo batalhão onde atuava uma das suspeitas de seu assassinato, Júlia Natália.
Os principais suspeitos envolvidos no caso de homicídio
Até o momento, a investigação da morte de Raphael Sampaio levou à prisão de duas pessoas: a policial militar Júlia Natália Girão Gomes e seu marido, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior. Ambos são considerados suspeitos de participação no homicídio.
Júlia Natália foi detida em flagrante em 11 de agosto de 2026 por suspeita de envolvimento direto no assassinato. Já Antoneudo foi preso no mesmo dia, inicialmente por posse ilegal de munições e documentos falsos. Em sua audiência de custódia, a prisão em flagrante de Antoneudo foi relaxada por decisão judicial. No entanto, o juiz acatou o pedido dos investigadores e decretou a prisão temporária dele, o que permite que ele permaneça detido por um período determinado enquanto as investigações prosseguem sobre sua possível participação no homicídio. Para Júlia Natália, a decisão foi mais severa: o juiz do 7º Núcleo de Custódia e Garantias, de Maracanaú, decretou sua prisão preventiva, que não possui prazo definido para expirar. Esta medida, de caráter mais duradouro, indica indícios mais robustos de autoria ou participação, ou a necessidade de garantir a ordem pública ou a instrução criminal.
Histórico de envolvimento em fraudes do casal Júlia e Antoneudo
Além da atual acusação de homicídio, os suspeitos Júlia Natália e Antoneudo Ribeiro possuem um histórico de envolvimento em atividades criminosas. Júlia Natália, que ingressou na Polícia Militar em 2022 após o concurso de 2021, é investigada por suposta participação em um esquema de venda de contas falsas para motoristas de aplicativos de transporte. Ela responde por crimes de estelionato, lavagem ou ocultação de bens e por integrar organização criminosa.
Seu marido, Antoneudo, é apontado como o mentor da fraude, enquanto Júlia teria colaborado cedendo dados pessoais, além de instrumentos financeiros e de comunicação para viabilizar as ações ilícitas do grupo. Em setembro de 2025, Antoneudo foi capturado por seu envolvimento na venda desses perfis falsos e passou cinco meses detido. Ele responde a acusações de estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido. Esse histórico levanta questões sobre possíveis ligações ou desdobramentos financeiros que poderiam estar por trás da motivação do assassinato do soldado Raphael Sampaio.
O relacionamento extraconjugal como possível motivo do crime
Apesar de a polícia ainda não ter divulgado oficialmente a motivação para o assassinato do soldado Raphael Sampaio, a família da vítima já apresentou uma hipótese central para o crime. Segundo a família, Raphael mantinha um relacionamento extraconjugal com Júlia Natália, a colega de batalhão que agora está presa como suspeita.
Rosilane Sampaio, tia de Raphael, relatou que o relacionamento entre o soldado e Júlia existia desde, pelo menos, março de 2026. Naquela época, o policial teria mostrado fotos da colega de equipe. A família lamenta a perda e insiste que, independentemente da relação, nada justificaria a violência fatal.
Contradições no depoimento da policial presa durante a investigação
Após a morte de Raphael, a Polícia Civil iniciou as investigações e tentou localizar Júlia Natália, sem sucesso por telefone ou em sua residência. Posteriormente, informações levaram à sua localização em um distrito no município de Aquiraz, na região metropolitana de Fortaleza. Lá, ela teria emergido de um matagal, buscando socorro de moradores locais. Inicialmente, a policial foi tratada como uma vítima de sequestro ligada à morte de Raphael.
Em seu primeiro depoimento aos investigadores, Júlia afirmou ter recebido uma carona do soldado na madrugada do dia 11 de agosto de 2026. Segundo sua versão, em determinado local, os dois foram abordados por criminosos que teriam matado Raphael e a retirado do carro à força, pelos cabelos. Ela alegou ter sido amarrada e colocada no porta-malas de outro veículo. Contudo, em um depoimento posterior, Júlia se recusou a responder a várias perguntas dos investigadores, alegando não se lembrar de fatos importantes do crime e exercendo seu direito de permanecer em silêncio, esperando a presença de um advogado.
A polícia, por sua vez, obteve imagens que contradizem as versões apresentadas pela policial. Vídeos a mostram na oficina de seu marido na manhã de 11 de agosto de 2026, no mesmo período em que ela alegava estar amarrada e sequestrada. Outra gravação mostra o casal Júlia e Antoneudo deixando a filha na escola no momento em que a policial afirmava estar refém. Essas evidências transformaram Júlia de uma possível vítima de sequestro na principal suspeita presa pela morte do soldado Raphael Sampaio.
Advogado dos suspeitos detido ao tentar entregar celular
O advogado Walmir Medeiros, que representava Júlia Natália, foi detido em 14 de agosto de 2026. A prisão ocorreu após ele supostamente tentar entregar um aparelho celular à sua cliente, que estava presa. Em declaração, Walmir Medeiros negou que tivesse levado um telefone intencionalmente para Júlia.
Ele explicou que, durante uma conversa com a policial, precisou se ausentar da sala e esqueceu seu próprio celular sobre a mesa. Júlia, então, teria aproveitado a oportunidade para pegar o aparelho e fazer uma ligação para a própria sogra. O advogado afirmou ter retornado cerca de oito minutos depois, encontrando Júlia ao telefone. Ele disse ter perguntado à cliente sobre a ligação, e ela teria respondido que ligou para saber sobre a filha e discutir a possibilidade de mudá-la de colégio.
O que a polícia ainda busca esclarecer sobre o caso
Apesar das prisões de Júlia Natália Girão Gomes e Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, a Polícia Civil do Ceará continua as investigações para elucidar todos os detalhes do caso. A participação exata de cada suspeito no homicídio do policial Raphael Sampaio, bem como a motivação oficial e completa do crime, ainda não foram divulgadas pelas autoridades. O inquérito segue em andamento para reunir todas as provas e esclarecer as circunstâncias da morte do soldado.








