Vacina contra o câncer da Moderna e Merck avança à fase final e faz ações dispararemPor Carolina Costa
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Uma vacina experimental personalizada contra o câncer, desenvolvida em parceria entre a Merck e a Moderna, apresentou resultados iniciais bastante positivos em seu primeiro ensaio clínico de fase final. O anúncio, feito em 19 de agosto de 2026, marca um avanço significativo na busca por tratamentos inovadores para o melanoma, uma das formas mais agressivas de câncer de pele.
A combinação da vacina injetável, baseada na tecnologia de mRNA, com a imunoterapia Keytruda da Merck, alcançou marcos importantes no estudo de Fase 3. Este estudo envolveu mais de 1.100 pacientes que sofriam de melanoma avançado ou de alto risco, e que já haviam passado por cirurgia para remoção completa do câncer detectável.
O principal objetivo da pesquisa era prolongar o tempo de sobrevida dos pacientes sem que a doença recidivasse, comparado ao tratamento apenas com Keytruda. Além disso, a terapia combinada demonstrou a capacidade de reduzir o risco de o câncer se espalhar para outras partes do corpo, complementando dados positivos de um estudo de Fase 2 anterior.
Vacina personalizada traz nova esperança para pacientes com melanoma
Os resultados obtidos sugerem que esta combinação terapêutica pode se tornar uma nova alternativa de tratamento para o melanoma, que, embora represente cerca de 1% dos cânceres de pele, é responsável pela maioria das mortes relacionadas à doença. Geralmente, as recorrências do melanoma acontecem nos primeiros dois ou três anos após o tratamento inicial e a remoção do tumor.
Stephane Bancel, CEO da Moderna, afirmou que este é um “grande momento para a medicina” e, principalmente, “um grande momento para os pacientes”. A Dra. Jane Healy, chefe de desenvolvimento inicial de oncologia da Merck, considerou a melhora clinicamente significativa em comparação com o Keytruda, que é o tratamento padrão para melanoma.
A Dra. Healy também ressaltou que a terapia foi bem tolerada pelos pacientes, com efeitos colaterais semelhantes aos de outras vacinas comuns. A validação dessa abordagem personalizada é um marco de décadas de pesquisa conjunta entre as duas empresas.
Como a tecnologia de mRNA atua no combate ao câncer
A abordagem por trás da vacina é individualizada, focando nas características únicas de cada tumor. Cada câncer possui um conjunto particular de mutações, mesmo entre pacientes com o mesmo tipo de doença. A vacina personalizada de mRNA é projetada para mirar nessas mutações específicas do tumor de cada indivíduo.
O objetivo é “treinar” o sistema imunológico do paciente para reconhecer e destruir esses marcadores tumorais específicos. A combinação com o Keytruda potencializa essa resposta, ajudando o corpo a combater o câncer de maneira mais eficaz.
- Foco em mutações genéticas exclusivas de cada tumor.
- Treinamento do sistema imunológico para identificar e eliminar células cancerígenas.
- Combinação com a imunoterapia Keytruda para maximizar a eficácia do tratamento.
Repercussão no mercado financeiro e a visão de analistas
A notícia do sucesso do ensaio clínico teve um impacto imediato no mercado de ações. As ações da Moderna dispararam mais de 120% nas negociações matinais após o anúncio, enquanto as da Merck registraram uma alta superior a 10%. Essa magnitude reflete o peso relativo das empresas, com a Merck avaliada em cerca de US$ 333 bilhões e a Moderna, antes do pregão, em aproximadamente US$ 25 bilhões.
Analistas de mercado, como Mani Foroohar, da Leerink Partners, já previam que os resultados da Fase 3 seriam um evento decisivo para as ações da Moderna. A avaliação da empresa já refletia a expectativa de que a vacina personalizada contra o câncer pudesse, eventualmente, ter aplicação em vários tipos de tumores, não se limitando apenas ao melanoma.
O futuro da aprovação e a expansão da pesquisa
Os fabricantes dos medicamentos planejam apresentar os dados completos da pesquisa em um próximo congresso médico internacional. O estudo de Fase 3 continuará avaliando outros desfechos, incluindo o benefício da sobrevida global para os pacientes.
O Dr. Dean Li, presidente dos Laboratórios de Pesquisa da Merck, informou que as empresas devem iniciar as conversas com as agências reguladoras sobre o tratamento e sua segurança “nos próximos meses”. Ainda não há clareza sobre quando os pedidos de aprovação serão formalmente submetidos nos Estados Unidos.
Atualmente, a Merck e a Moderna estão conduzindo diversos ensaios clínicos para investigar a eficácia da vacina em outros tipos de tumores. Entre eles estão o câncer de pulmão de não pequenas células, câncer de bexiga e carcinoma de células renais, sinalizando o grande potencial dessa nova classe de terapia para a oncologia.







