Um novo estudo da empresa de cibersegurança Surfshark, divulgado em 20 de agosto de 2026, revelou que os aplicativos de Meta e Google estão entre os que mais coletam dados dos usuários. A análise detalhada mapeou a amplitude da busca por informações digitais por cinco das maiores empresas de tecnologia do mundo, com o Meta AI emergindo como o aplicativo mais intensivo em tipos de dados. O levantamento acende um alerta sobre a privacidade e o volume de informações pessoais que transitam no ambiente digital.
Gigantes da tecnologia se destacam na busca por informações
A pesquisa da Surfshark aprofundou-se em mais de 30 categorias distintas de dados, abrangendo desde o histórico de navegação na internet até o acesso a fotos, vídeos e identificadores únicos dos dispositivos. Essa análise visou compreender a extensão da coleta de informações pelas chamadas “Big Techs” no cenário atual. A Meta, conglomerado por trás de plataformas amplamente utilizadas como Facebook, Instagram e WhatsApp, apresentou a maior média de tipos de dados coletados por seus diversos aplicativos. O Google, por sua vez, embora possua uma média ligeiramente inferior por aplicativo individual, se destaca pela enorme quantidade de softwares sob sua alçada que foram incluídos na amostragem, evidenciando a capilaridade de sua rede de coleta. Esse volume e a variedade dessas informações são considerados pilares essenciais para moldar a experiência digital dos usuários.
Panorama dos aplicativos que mais exigem dados
A investigação da Surfshark revelou uma lista específica de aplicativos com maior demanda por informações do usuário, demonstrando a diversidade de plataformas envolvidas.
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- O assistente de inteligência artificial Meta AI se posiciona no topo, exigindo acesso a impressionantes 33 tipos diferentes de dados, um número expressivo que chama a atenção.
- Outras plataformas ligadas à Meta que aparecem logo abaixo na lista de maiores coletores são Horizon, Business Suite, Messenger e o próprio Facebook, todas com alta demanda por dados.
- No ecossistema Google, o aplicativo Maps é o que mais consome dados, uma consequência direta da sua funcionalidade que integra informações de localização GPS detalhadas e as preferências da conta Google do usuário para oferecer serviços personalizados.
- Entre os produtos da Amazon, o assistente virtual Alexa mostra-se o mais “sedento” por dados, coletando informações para aprimorar suas interações e respostas.
- O Apple Music, da empresa Apple, é o líder em coleta de informações dentro de sua categoria de entretenimento e streaming.
- Finalizando a lista das grandes empresas, o Outlook, serviço de e-mail e calendário da Microsoft, domina a coleta em seu segmento para otimizar a experiência do usuário.
Categorias de dados: o que as empresas coletam
A amplitude da coleta de dados pelas grandes empresas de tecnologia é notável, cobrindo diversas facetas da vida digital dos usuários e indo além do óbvio. O estudo da Surfshark analisou mais de 30 categorias distintas, que incluem desde informações diretamente fornecidas pelo usuário, como nome e e-mail, até dados observados e inferidos sobre comportamentos e interesses. Entre as mais significativas estão:
- Informações de uso do aparelho: engloba dados sobre o tipo de dispositivo (smartphone, tablet, computador), sistema operacional, identificadores únicos do hardware e software, além da duração e frequência de uso dos aplicativos.
- Atividade online: refere-se ao histórico de navegação na internet, às pesquisas realizadas em motores de busca, aos cliques em links, aos vídeos assistidos e às interações com uma vasta gama de conteúdos digitais.
- Dados de localização: abrange informações precisas ou aproximadas sobre onde o usuário se encontra ou esteve em determinado período, geralmente coletadas via GPS, Wi-Fi ou torres de celular.
- Conteúdo do usuário: inclui acesso a fotos, vídeos e outros arquivos de mídia que podem ser armazenados no dispositivo ou compartilhados através das plataformas, como mensagens e posts em redes sociais.
- Interações sociais: envolve dados sobre a rede de contatos, mensagens trocadas, grupos dos quais o usuário participa e as dinâmicas de seus relacionamentos sociais online.
- Informações financeiras e de compra: abrange o histórico de transações, itens visualizados ou comprados em plataformas de e-commerce e dados relacionados a meios de pagamento, quando aplicável.
Essa vasta variedade de dados permite a construção de um panorama comportamental extremamente detalhado sobre cada indivíduo, impactando diretamente a forma como ele interage com o mundo digital.
Por que as empresas investem tanto na coleta de dados
A principal motivação por trás da intensa e multifacetada coleta de dados está na criação de “perfis digitais” completos e dinâmicos para cada indivíduo. Estes perfis são como espelhos digitais dos usuários, contendo um vasto conjunto de informações que vão desde interesses e hábitos de consumo até o tipo de aparelho usado para acessar os serviços e o tempo dedicado a cada plataforma. Ao analisar esses dados em larga escala, as empresas conseguem antecipar necessidades, prever comportamentos e até mesmo influenciar decisões, tornando a interação com suas plataformas mais “personalizada” e, consequentemente, mais viciante. Essa personalização onipresente é a base e o motor econômico para o modelo de negócios de muitas dessas companhias, que lucram com publicidade e serviços direcionados.
O impacto dos perfis digitais no dia a dia do usuário
As informações acumuladas nos perfis digitais são estrategicamente usadas para moldar a experiência online e as interações comerciais de forma quase imperceptível. A Meta, por exemplo, refina a entrega de publicidade em suas redes sociais a ponto de os anúncios serem extremamente específicos e relevantes, aumentando exponencialmente suas chances de engajamento e conversão. De forma semelhante, o Google capitaliza sobre esses dados para aprimorar a personalização de todo o seu ecossistema de serviços – desde resultados de busca até sugestões de vídeos – e para direcionar anúncios em milhões de sites parceiros. A assistente Alexa, da Amazon, utiliza as informações para oferecer respostas e funcionalidades que se adaptam perfeitamente ao histórico, às preferências e até mesmo ao tom de voz do usuário. Essa customização onipresente é uma faceta cada vez mais presente e influente na vida digital contemporânea.
Dicas para gerenciar suas permissões e proteger a privacidade
Em um cenário de coleta de dados tão abrangente, os usuários possuem ferramentas e o direito de exercer maior controle sobre suas informações. É crucial revisar periodicamente as permissões concedidas aos aplicativos tanto em smartphones quanto em computadores. As configurações de privacidade de cada aplicativo e do sistema operacional permitem visualizar de forma transparente quais informações estão sendo acessadas, como localização, contatos, acesso à câmera ou ao microfone. Remover permissões que não são estritamente necessárias para o funcionamento essencial de um serviço pode ajudar a mitigar a exposição de dados e reduzir a pegada digital. Além disso, estar ciente de como os dados são coletados e utilizados é o primeiro passo para tomar decisões mais informadas e conscientes sobre a própria privacidade no ambiente digital.
