Apple Music implementa selo obrigatório para identificar músicas feitas com inteligência artificial

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apple music - Primakov/Shutterstock.com

O Apple Music vai começar a identificar faixas musicais que contam com o uso de inteligência artificial generativa. A medida, que estabelece uma sinalização obrigatória para gravadoras e distribuidoras, deverá ser implementada para os usuários do serviço de streaming ainda em 2026. A iniciativa surge como resposta à crescente demanda por transparência na indústria fonográfica, impactada pelo aumento no volume de produções assistidas por IA.

Uma nova era de transparência no Apple Music

As novas diretrizes exigem que os parceiros da Apple usem as “AI Transparency Tags” sempre que a inteligência artificial tiver um papel significativo na criação de alguma parte importante de uma música. Essa informação, antes restrita ao ambiente interno das distribuidoras desde março, agora se tornará visível diretamente para os ouvintes da plataforma. A notificação sobre a mudança foi enviada a colaboradores da indústria, embora uma data específica para o início da exibição dos selos para o público não tenha sido divulgada oficialmente.

Como a indústria musical reage ao avanço da inteligência artificial

O movimento da Apple reflete uma pressão crescente de entidades como a Recording Industry Association of America (RIAA) e a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI). Essas organizações têm defendido a necessidade de marcações claras para diferenciar o conteúdo tradicional das produções com IA, preocupadas com a integridade e a autenticidade da música. A chegada de inteligência artificial tem gerado um volume expressivo de novos conteúdos: em abril, Oliver Schusser, chefe global do Apple Music, afirmou que cerca de um terço dos uploads mensais eram de material gerado por IA. No entanto, o consumo dessas músicas ainda é baixo, representando menos de 1% do total de execuções no catálogo da plataforma.

Diferenças entre a abordagem da Apple e do Spotify

Enquanto o Apple Music avança com uma sinalização obrigatória para os criadores, outras plataformas de streaming adotam abordagens distintas. O Spotify, por exemplo, implementou um sistema voluntário de rotulagem para faixas com IA em abril de 2026. Além disso, a empresa anunciou em agosto que pretende tratar essas músicas como um conteúdo separado, excluindo-as do sistema de recomendação para os usuários. Diferentemente do concorrente, o Apple Music ainda não detalhou se planeja medidas similares em relação à curadoria ou à visibilidade de músicas geradas por inteligência artificial em suas recomendações.

Proposta de padronização para selos de IA

Uma coalizão de organizações da indústria musical tem trabalhado em conjunto para criar um sistema de identificação padronizado para músicas geradas por IA. A intenção é que essas tags sejam tão reconhecíveis e informativas quanto os selos de conteúdo explícito. Em julho, o grupo propôs a criação de dois tipos principais de marcadores:

  • Música gerada por IA (AI-generated): Esta categoria identificaria faixas em que a inteligência artificial foi utilizada nos instrumentos e voz principais, ou que foram totalmente criadas pela tecnologia.
  • Música criada com assistência da IA (AI-assisted): Aplicável a músicas onde a responsabilidade pela voz e pelas partes instrumentais ainda é humana, mas houve intervenção da inteligência artificial em algumas etapas da produção.

Os desafios da fiscalização e o futuro do consumo de música

A Apple, embora tenha estabelecido a obrigatoriedade dos selos, não detalhou como pretende fiscalizar os envios de gravadoras e distribuidoras ou quais sanções serão aplicadas em caso de descumprimento. Contudo, a empresa assegura que possui as ferramentas para tal. “Desenvolvemos internamente tecnologias que nos permitem ver que tipo de música as pessoas estão enviando, e qual modelo de IA está sendo usado”, disse Oliver Schusser. Essa capacidade de detecção é fundamental para garantir a eficácia da nova política. A medida é introduzida em um período de ajustes no mercado de streaming, com o Apple Music no Brasil tendo reajustado o valor de sua assinatura para R$ 23,90 no mês passado, refletindo as mudanças contínuas no setor e no modelo de negócios.