Especialistas compartilham dicas para proteger animais de estimação do frio no invernoPor Bruna
7 min de leitura
![]() |
Temperaturas mais baixas, cada vez mais frequentes em decorrência das mudanças climáticas, representam riscos concretos para a saúde dos animais de estimação. Diferente dos humanos, que podem se agasalhar ou ligar aquecedores, os pets dependem do ambiente e da atenção de seus tutores para enfrentar essas variações bruscas de temperatura.
Por essa razão, é fundamental conhecer as melhores práticas para cuidar dos animais no frio, garantindo o bem-estar e a saúde de todos durante os meses de inverno. As informações são de Alexandre Rossi, conhecido como Dr. Pet, que oferece orientações valiosas para os tutores.
A publicação original sobre o tema ocorreu em 15 de junho de 2025.
Adaptação dos cães ao frio nem sempre é suficiente, segundo especialistas
Cães, de fato, desenvolvem uma camada de subpelo mais densa no período de inverno, com a função de conservar o calor corporal. No entanto, essa adaptação não ocorre instantaneamente.
O desenvolvimento dessa pelagem depende de fatores como a duração da luz solar diária e a temperatura ambiente. Em casos de quedas bruscas de temperatura, o organismo do animal pode não ter tempo hábil para se ajustar, levando-o a sentir frio mesmo em raças consideradas robustas.
A variabilidade climática, por outro lado, pode desorganizar o ciclo de crescimento dos pelos. Tutores frequentemente observam queda de pelos durante todo o ano, um sintoma que pode estar associado a essa desregulação.
Orientações essenciais para proteger seu pet nas estações mais frias
O clima gelado exige uma atenção especial com os animais de estimação, abrangendo o espaço onde vivem, vestimentas e imunização. É importante aprender a proteger o seu companheiro durante o inverno e identificar os sinais de desconforto causados pela temperatura.
A escolha da vestimenta adequada para cães
É frequente humanizarmos as sensações dos pets, imaginando que eles sentem o mesmo frio que nós. Contudo, essa percepção nem sempre corresponde à realidade. Um cão ofegante, mesmo em baixas temperaturas, talvez não precise de agasalho. Em contraste, filhotes, idosos, animais com pelagem curta ou mais sensíveis geralmente sentem mais a mudança climática.
Alexandre Rossi, conhecido como Dr. Pet, compartilha experiências de que sua cadela Estopinha sentia bastante frio e mostrava-se mais confortável com roupa, enquanto Barthô, outro de seus cães, evitava camas no inverno e parecia mais ativo com temperaturas baixas.
Caso seja preciso vestir o animal, a observação do comportamento é crucial. Alguns cães ficam paralisados ao serem vestidos, interpretando a roupa como uma restrição de movimento, e não por “manha”.
Assim, a introdução das vestimentas deve ser gradativa. Inicie apresentando a peça sem vesti-la, depois vista por curtos períodos, sempre associando a recompensas e brincadeiras. Selecione modelos que proporcionem conforto e liberdade de movimentos.

Como preparar o ambiente e a cama do seu animal contra o frio
Um equívoco frequente é criar um abrigo isolado e aquecido no quintal para o cão, o que geralmente não se mostra eficaz. A maioria dos animais prefere a proximidade da família, mesmo em temperaturas baixas. Se possível, posicione a cama perto da entrada da casa ou até mesmo dentro do quarto.
A umidade é um fator prejudicial para a cama do pet. Embora o papelão seja um excelente isolante térmico, ele perde sua eficácia ao molhar. Portanto, é essencial utilizar uma base impermeável, como uma lona plástica resistente, sob a estrutura da cama.
Cobertores são de grande ajuda, mesmo que o cachorro tenha o hábito de roer ou escavar, comportamento natural que não causa problemas se o tecido não for ingerido. Opte por cobertores de fibras naturais, que tendem a provocar menos alergias e a emaranhar menos os pelos.
É importante ter cautela: certas fibras sintéticas podem conter elementos que interferem no sistema endócrino ou desencadeiam reações alérgicas, especialmente em cães com maior predisposição.
Alterações no metabolismo e apetite dos pets durante o frio
O clima gelado impacta o metabolismo dos animais. Ao tremer, por exemplo, o corpo consome mais energia para preservar a temperatura, o que pode intensificar tanto o apetite quanto a sede, visto que a água é crucial para os processos metabólicos. É fundamental manter água fresca sempre acessível, mesmo se o pet reduzir sua movimentação.
Apesar do maior gasto energético, não é aconselhável permitir que o animal ganhe peso em excesso. O acúmulo de gordura, que pode ter tido relevância evolutiva para proteger contra o frio e a falta de comida, hoje, com a disponibilidade constante de alimentação e ambientes controlados, resulta em mais desvantagens do que benefícios para a saúde.
Micção inadequada pode indicar que o animal está sentindo frio
É frequente que alguns cães, principalmente fêmeas castradas, apresentem incontinência urinária durante o inverno. Tal condição pode estar ligada à diminuição da atividade do esfíncter da uretra. Em certas situações, a suplementação hormonal, sob orientação veterinária, pode aliviar o problema.
Outra explicação é que o pet pode estar relutante em deixar sua cama devido ao frio intenso. Um cobertor térmico adequado (para animais que não roem) ou um isolamento mais eficaz pode ser benéfico. A meta é que o animal se sinta confortável para se levantar, urinar e beber água, minimizando incidentes e desconfortos.
Como o frio afeta gatos e roedores, exigindo atenção especial
Felinos são particularmente vulneráveis às baixas temperaturas. Eles costumam se encolher, deitar sobre as patas e cauda, e evitar posições de maior exposição, como dormir de barriga para cima. Muitos buscam esconderijos ou superfícies mais aquecidas. A gata Miah, de Alexandre Rossi, por exemplo, já causou preocupação ao “desaparecer” pela casa no inverno. Embora a maioria dos gatos não tolere roupas, é viável criar espaços bem isolados e protegidos para que se sintam seguros.
Para roedores, o frio pode induzir a estados de torpor ou hibernação. Em hamsters, especificamente, essa condição pode ser confundida com óbito, pois o animal fica flácido, sem reação e com o corpo gelado. O erro mais perigoso é tentar aquecê-lo de maneira repentina. O correto é manter o ambiente a aproximadamente 20 °C e permitir uma recuperação gradual para o estado normal.
Importância das vacinas e o protocolo ideal para o inverno
O inverno eleva a incidência de certas doenças respiratórias, como a tosse dos canis. A imunização é uma medida protetora relevante, mas deve ser aplicada com discernimento. Nem todas as vacinas são indispensáveis para todos os animais. É aconselhável consultar um veterinário para que ele determine o protocolo de vacinação mais adequado, com base nas recomendações da WSAVA, que sugere esquemas vacinais adaptados a cada localidade e modo de vida do pet.
O cuidado com os animais de estimação no inverno vai muito além de simplesmente vesti-los ou oferecer um cobertor. Abrange a compreensão do funcionamento do corpo deles, de suas limitações fisiológicas e da maneira como reagem às baixas temperaturas.
Cada animal possui uma reação individual ao frio, e a responsabilidade dos tutores é observar atentamente e proporcionar opções seguras e bem planejadas. O conforto não é um luxo, mas um componente essencial para o bem-estar, a saúde e uma demonstração genuína de afeto.







