Plutão perdeu status de planeta há quase duas décadas: entenda os critérios da UAI

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Plutão Foto: Plutão - Vladi333/shutterstock.com

Uma mudança significativa no entendimento do Sistema Solar ocorreu em 24 de agosto de 2006, data que marcou a desatualização imediata de livros didáticos em todo o mundo. Naquela ocasião, a União Astronômica Internacional (UAI) estabeleceu novas definições científicas para classificar um planeta, o que levou ao rebaixamento de Plutão, então reconhecido como o nono planeta do Sistema Solar, para a categoria de planeta-anão.

Para ser considerado um planeta, a UAI determinou que o corpo celeste deveria preencher três requisitos essenciais: orbitar uma estrela, possuir uma forma aproximadamente esférica e ter a capacidade de dominar sua órbita, limpando-a de outros objetos de tamanho comparável, como asteroides.

Plutão se enquadrava nas duas primeiras exigências, porém não conseguia cumprir a terceira. Em vez de exercer domínio sobre sua própria órbita, o corpo celeste é influenciado pela força gravitacional de Netuno, seu vizinho gigante, que agora ocupa a posição de último planeta do Sistema Solar. Além disso, observações de missões espaciais indicaram que Plutão divide sua região espacial com outros astros de dimensões muito similares às suas.

Com essa reclassificação, Plutão recebeu a denominação de planeta-anão, que é a categoria aplicada a todos os corpos celestes que atendem apenas aos dois primeiros critérios estabelecidos pela UAI.

O motivo por trás da redefinição do conceito de planeta

Progressos tecnológicos na área da astronomia possibilitaram a descoberta de múltiplos objetos de pequenas proporções e localizados em áreas distantes do Sistema Solar. Por exemplo, no início da década de 1990, pesquisadores identificaram milhares de corpos celestes gelados no Cinturão de Kuiper, uma vasta região planetária com formato anelar.

Foi precisamente nessa área do Cinturão de Kuiper que, em 2005, cientistas observaram pela primeira vez um astro com dimensões semelhantes às de Plutão. A revelação deste novo objeto, batizado de Éris, gerou grande repercussão na comunidade científica, levantando o questionamento: se Plutão era um planeta, Éris também deveria ser.

Poucos meses depois, outro corpo celeste foi encontrado na mesma área. Em um período curto, o Sistema Solar teria supostamente adicionado mais dois planetas à sua lista.

Diante desse cenário, a UAI interveio, anunciando novos critérios para a classificação planetária. Os astrônomos notaram uma característica comum em todos os objetos recém-descobertos: ao contrário dos oito planetas reconhecidos, nenhum desses novos corpos celestes conseguia dominar sua própria órbita.

Assim, a UAI decidiu que os objetos que não preenchessem esse requisito de domínio orbital seriam enquadrados na categoria de planetas-anões.

Aspectos únicos de Plutão no Sistema Solar

A nova classificação se alinhou perfeitamente com o conhecimento já existente sobre Plutão.

Historicamente, o planeta-anão sempre foi considerado um elemento distinto no Sistema Solar. Além de possuir um tamanho significativamente inferior aos demais planetas, ele exibe uma característica peculiar: um movimento orbital inclinado em relação às órbitas dos outros planetas. Enquanto a maioria dos corpos celestes possui órbitas quase circulares, a de Plutão é descrita como mais “achatada”.

Atualmente, os astrônomos especulam que Plutão não se originou na porção do Sistema Solar onde se encontra atualmente.

Contudo, essa informação era desconhecida quando Plutão foi descoberto em 1930. Naquela época, os cientistas não identificaram outros corpos celestes semelhantes nas proximidades, levando-os a crer que ele era singular em sua órbita. Somente com o avanço da tecnologia, foi possível obter mais detalhes sobre seu entorno e as propriedades do então planeta.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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