Venda da SAF do Vasco é investigada por agência de Fair Play que restringe elos com Palmeiras e CrefisaPor Thiago Lemos
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A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) abriu um processo para verificar um potencial conflito de interesses na compra da SAF do Vasco pelo grupo do empresário Marcos Lamacchia. Ele é enteado de Leila Pereira, que preside o Palmeiras.
O órgão, que monitora a conformidade com as normas de Fair Play Financeiro no país, estabeleceu medidas preventivas válidas durante a investigação. O Vasco não pode ter vínculos comerciais com o Palmeiras e com a Crefipar, conglomerado que pertence a Leila Pereira e controla a Crefisa.
Com a decisão, o Vasco está impedido de negociar jogadores ou compartilhar instalações com o clube paulista. Também não poderá pegar empréstimos da Crefisa, algo que já aconteceu no ano de 2025.
A investigação foi iniciada no dia 27 de agosto de 2026, com base em um trabalho prévio da unidade técnica da Anresf que começou em junho. A Segunda Turma de Julgamento fundamentou sua resolução em documentos que o Vasco havia fornecido sobre a proposta de investimento de Lamacchia.
O propósito é analisar profundamente o tema, que pode violar as normas de Fair Play da CBF. As diretrizes proíbem que o mesmo grupo tenha controle ou influência em mais de uma equipe. A Anresf verificará se essa ligação existe na possível aquisição do Vasco por Lamacchia, que é enteado de Leila.
O artigo 86 do regulamento da Anresf é claro ao proibir que “qualquer pessoa, física ou jurídica, detenha, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube”.
Marcos é filho de José Lamacchia, que é marido de Leila Pereira. Ela tem mandato como presidente do Palmeiras até o final do ano de 2027 e também comanda a Crefisa.
Recentemente, em um jogo entre Palmeiras e Vasco no Nubank Parque pelo Campeonato Brasileiro, Leila Pereira e Marcos Lamacchia estiveram juntos no campo do estádio. Eles posaram para fotos com as camisas dos dois clubes.
As conexões entre Leila, Lamacchia, Palmeiras e Vasco já estavam sob o radar da Anresf há vários meses. Em julho, o Flamengo formalizou um pedido à agência para que analisasse e vetasse a negociação da SAF vascaína com o empresário. Este movimento do rival reforça a importância do tema para o cenário do futebol.
Até o momento, a Anresf não avaliou o mérito da questão, ou seja, se existe realmente um conflito em virtude do parentesco entre a presidente do Palmeiras e o empresário que busca o controle do Vasco. Essa análise será realizada no procedimento que foi instaurado no dia 27 de agosto de 2026.
Contudo, foi a potencialidade desse conflito que levou a agência a impor as medidas cautelares. O objetivo é impedir, antes da conclusão da avaliação, que ocorram decisões que possam gerar interferências esportivas irreversíveis.
A determinação impede que Vasco e Palmeiras troquem atletas, mesmo gratuitamente, realizem transações financeiras, utilizem infraestruturas compartilhadas como centros de treinamento, ou troquem profissionais e dados confidenciais.
A proibição se estende também aos vínculos entre o Vasco e a Crefisa. No ano anterior, a financeira emprestou R$ 80 milhões ao clube e atua como garantidora no contrato de investimento entre o Vasco e Marcos Lamacchia.
Em julho deste ano, André Sica, advogado que defende Marcos Lamacchia na aquisição da SAF do Vasco, disse que já mantinha contato com a Anresf. Naquele momento, Sica garantiu que a negociação seria finalizada, mesmo que a agência apresentasse objeções.
“O Vasco tem conversado com a Anresf há bastante tempo. A tranquilidade que transmito a você é a mesma que passo a eles. Vamos adotar qualquer solução indicada pela CBF, é simples assim. Marcos possui total capacidade para aplicar qualquer uma das operações que a Anresf possa sugerir”, afirmou Sica há cerca de um mês.
O Vasco recebeu a notificação sobre a instauração do procedimento na noite do dia 27 de agosto de 2026. O Palmeiras, a Almirante Participações – empresa de investimento de Lamacchia – e a Crefipar também foram informados e podem se pronunciar, mesmo não sendo partes diretas do processo.







