Róger Guedes comenta fase no Qatar, detalhes de sondagens e chance de defender nova seleçãoPor Thiago Lemos
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O atacante Róger Guedes, peça fundamental do Al Rayyan, no Qatar, compartilhou em entrevista concedida no dia 28 de agosto de 2026, informações sobre sua carreira, incluindo a recente renovação de contrato até 2030. Apesar do acordo que pegou muitos de surpresa no Brasil, o ex-jogador do Corinthians revelou ter sido procurado pelo clube alvinegro para um possível retorno, além de ter sido alvo do Grêmio, onde atuou nas categorias de base.
O atleta afirmou que as ofertas de clubes brasileiros são uma constante em sua trajetória, atribuindo-as ao seu desempenho em campo e ao histórico no futebol nacional. A decisão de estender seu vínculo com o Al Rayyan por mais quatro anos, segundo ele, foi algo inesperado no Brasil, especialmente por estar em seu último ano de contrato anterior.
Guedes detalhou que o Grêmio demonstrou um interesse mais intenso, mantendo um bom diálogo com sua equipe, assim como o Corinthians. O presidente Stábile chegou a contatar seu agente, Paulo Pitombeira. Contudo, não houve propostas formais de contrato. O jogador ressaltou sua satisfação e a da família na região, fatores decisivos para a renovação.
A fase positiva no clube catari, aliada à estabilidade familiar, contribui para que o atacante, aos 29 anos, sinta-se cada vez mais adaptado ao país. Sua performance tem gerado especulações sobre uma possível convocação para a seleção do Qatar, embora isso dependa ainda da conclusão do processo de naturalização.
Conforme o próprio Guedes explicou, a Confederação do Qatar possui interesse em sua participação. O debate gira em torno da legislação: se uma nova lei permitiria a naturalização após três anos de residência (o que já seria aplicável a ele), ou se a antiga regra de cinco anos de permanência e ausência de jogos por outra seleção seria mantida. Ele frisou que, apesar do interesse, não houve negociações concretas, apenas discussões sobre a legislação aplicável.
A ligação entre Róger Guedes e o Al Rayyan é notável. Em três anos, o jogador ajudou a equipe a levantar a Copa QSL e a Copa do Golfo. Mesmo sem ter conquistado o título da liga, sua relevância para o time é inegável, e a admiração é mútua. Guedes, que anteriormente havia manifestado o desejo de jogar no Qatar, explicou os motivos de sua forte identificação com a equipe.
A recepção calorosa dos torcedores e o acolhimento do povo catari foram determinantes para que ele se sentisse em casa desde o primeiro dia. O atacante comparou a experiência com a do Corinthians, onde os estádios estão sempre lotados, destacando o carinho recebido no Qatar como um fator crucial. Ele chegou com o objetivo de se destacar e contribuir com gols e troféus.
O jogador descreveu a temporada anterior como a melhor de sua carreira, registrando 36 gols e 10 assistências em 40 partidas. Ele mencionou que alguns campeonatos locais não divulgam dados, como a QSL, que foi o primeiro título da equipe. Guedes ainda conquistou o prêmio de melhor jogador da Copa do Golfo e foi artilheiro da Liga do Qatar por duas temporadas consecutivas. Para o ano corrente, seu foco é a conquista do título da Liga, meta principal desde sua chegada e também do Sheikh Al-Qaqa bin Hamad Al Thani, além de buscar novamente a artilharia, o que seria uma grande marca pessoal.
A vivência no futebol do Qatar também tem provocado uma redefinição em sua posição em campo. A alta quantidade de gols marcados sugere, segundo o próprio atleta, uma transição para o papel de “camisa 9”.
Onde Róger Guedes projeta nova posição para seu futuro no ataque
Guedes relembrou que no Palmeiras atuava como ponta, com funções de ataque e defesa pelo corredor. Essa dinâmica mudou no Atlético-MG sob o comando de Thiago Larghi, que percebeu sua boa finalização e a vantagem de tê-lo próximo à área, aumentando as chances de gols. A partir daí, ele passou a jogar mais como ponta esquerda ou segundo atacante, mantendo essa função na China e em seu retorno ao Corinthians, com técnicos como Sylvinho.
No Al Rayyan, o jogador se consolidou como segundo atacante, mas se enxerga mais como um “camisa 10” que busca a bola desde os volantes e até dos zagueiros. Essa liberdade é diferente do que vivenciava no Brasil, onde era um camisa 10 mais ofensivo. Ele considera sua principal característica o perfil de segundo atacante, que ataca espaços e também recua para buscar a bola. Guedes acredita que, daqui para frente, sua função se inclinará ainda mais para a de centroavante, dado seu volume de gols.
O atacante enfatizou que nunca gostou de atuar em uma única posição de forma sistemática, sempre preferindo a movimentação em campo, característica que, segundo ele, foi compreendida pelos treinadores ao longo de sua carreira.
Aspirações futuras de Róger Guedes e sonhos não realizados
Em sua entrevista, Róger Guedes revelou um antigo sonho de jogar na Roma, da Itália, algo que não se concretizou até o momento. O Real Madrid também figurava entre seus desejos de infância.
Ele explicou que, desde criança, admirava a Roma e o Real Madrid, sonhando em atuar por um desses clubes. No Real, a admiração era pelo time em si e por Cristiano Ronaldo. Já na Roma, o ídolo era Totti, cuja influência é tanta que Guedes usa meias baixas até hoje por causa dele e do argentino Verón. No entanto, ele nunca teve a oportunidade de conhecer Totti.
O atacante não chegou a jogar em ligas europeias. Sua carreira se desenvolveu no Brasil, passando por Criciúma, Palmeiras, Atlético-MG e Corinthians, além de ter experiências na China e, atualmente, no Qatar.
Sobre propostas oficiais da Europa, Guedes listou algumas: o Porto, na época em que estava no Atlético-MG, mas ele optou pela China em 2018. O Benfica também fez uma oferta durante sua passagem pelo Corinthians, antes de ir para o Al Rayyan. Em 2018, recebeu uma proposta da Rússia, possivelmente do CSKA Moscou. Em 2016 e meados de 2017, a Atalanta demonstrou interesse. Ele esclareceu que, embora houvesse muitas especulações, essas foram as propostas formais que chegaram aos clubes onde jogava.
Róger Guedes avalia treinadores Artur Jorge e Leonardo Jardim em sua carreira
Durante sua estadia no Al Rayyan, Róger Guedes teve a chance de trabalhar com dois treinadores portugueses que hoje estão no comando de equipes brasileiras: Leonardo Jardim, do Flamengo, e Artur Jorge, do Cruzeiro. O atacante expressou seu apreço por ambos.
Ele destacou a boa experiência com Leonardo Jardim, que o levou para o Qatar. Trabalharam juntos por um ano, e embora tenham perdido a Liga e uma Copa local, Guedes considerou o trabalho muito positivo. O time terminou em segundo lugar na Liga, e ele concorreu ao prêmio de melhor jogador da competição, avaliando o período como muito bom.
A relação com Artur Jorge foi descrita como diferente e mais próxima, com Guedes o considerando um “papai” no futebol. Jorge proporcionou total confiança e liberdade em campo, e a comissão técnica era excelente. Guedes acredita que a experiência prévia de Jorge no Brasil os ajudou a entender o jogador brasileiro, tanto taticamente quanto no trato pessoal. O treinador tinha um grande foco na parte tática, especialmente ofensiva, o que agradou muito ao atacante.
Guedes concluiu expressando sua gratidão a ambos. Ele mencionou o recente confronto entre eles na Libertadores, com Jardim vencendo um jogo e Artur outro. O atacante elogiou o impacto rápido de Artur Jorge no Cruzeiro, tirando a equipe da zona de rebaixamento e a colocando entre os quatro primeiros, e também o ótimo trabalho de Leonardo Jardim em um dos principais clubes do Brasil.







