Crise da IA leva Google a limitar RAM em aplicativos Android com prazo até 2027

5 min de leitura
Inteligência Artificial Foto: Inteligência Artificial - Summit Art Creations/ Shutterstock.com

O Google implementou novas diretrizes para o gerenciamento de memória em aplicativos Android, reagindo a uma escassez global sem precedentes de componentes. Essas regras mais severas visam garantir o bom funcionamento dos softwares em diversos aparelhos, incluindo os de menor capacidade. Os desenvolvedores contam com o prazo até fevereiro de 2027 para realizar as otimizações necessárias e diminuir o uso de memória por seus aplicativos.

Escassez de componentes e o impacto nos dispositivos

  • Centros de dados de inteligência artificial utilizam a totalidade da capacidade de memória e armazenamento disponível globalmente.
  • A procura por processadores para data centers cresceu exponencialmente, impulsionada principalmente por agentes de IA.
  • A falta de chips impacta gravemente o setor automotivo, com uma crise que se agrava para Nexperia e memória DRAM.

Diante da oferta restrita e do aumento dos preços de componentes de memória e armazenamento, as fabricantes de smartphones adotam abordagens variadas. Algumas optam por diminuir a capacidade de memória ou de armazenamento em seus produtos, enquanto outras transferem os custos adicionais diretamente para os consumidores. Anteriormente, era comum que celulares básicos viessem com 6 GB ou 8 GB de memória, mas muitos agora oferecem apenas 4 GB, o que prejudicará o desempenho dos aparelhos.

Os novos parâmetros de memória estabelecidos pelo Google buscam assegurar uma utilização mais eficiente em smartphones com capacidade limitada. Caso um aplicativo ultrapasse os limites predefinidos, o sistema operacional Android atuará para desacelerar ou encerrar a aplicação, prevenindo falhas ou lentidão. A empresa solicitou aos desenvolvedores que concentrem esforços na otimização de três áreas principais: o consumo de memória dinâmica (que engloba RSS anônimo e swap), a memória de bitmap e o código DEX.

Detalhes sobre a otimização de memória dinâmica

O uso dinâmico de memória diz respeito à porção temporária de memória que um aplicativo consome durante sua operação. É essencial que os desenvolvedores apliquem um gerenciamento mais eficiente, garantindo que a memória seja desocupada assim que sua necessidade cessa. Isso acontece, por exemplo, quando o usuário para de interagir com o aplicativo ou o minimiza na tela.

Inteligência Artificial, teclado
Inteligência Artificial, teclado – Summit Art Creations/shutterstock.com

Gerenciamento eficiente da memória para bitmaps

A memória utilizada por bitmaps representa outra vertente crítica que os programadores devem priorizar. Embora bitmaps sejam elementos gráficos comuns para exibir imagens ricas em detalhes, eles demandam significativamente mais memória em comparação com o texto. O uso exagerado de bitmaps pode rapidamente esgotar os recursos do aparelho. Por isso, o Google aconselha os desenvolvedores a utilizarem bitmaps de forma consciente e a adotarem métodos mais eficazes de gestão de imagens.

Impacto no mercado de smartphones de baixo custo

A escassez de memória tem causado um colapso no mercado de smartphones de baixo custo. Isso significa que encontrar aparelhos acessíveis com bom desempenho está cada vez mais difícil para os consumidores, que precisam se adaptar às novas realidades de hardware e preço.

Desempenho do Windows 11 e a crise de memória

A Microsoft assegura que seu sistema operacional, o Windows 11, opera sem problemas com apenas 8 GB de RAM, mesmo em meio à atual escassez de memória. Isso contrasta com as tendências anteriores de hardware e mostra a otimização dos sistemas para lidar com as limitações de componentes.

Previsões sobre a duração da escassez de memória

A empresa SK Hynix, gigante no setor de semicondutores, projeta que o ano de 2027 será o mais desafiador em relação à escassez de memória. A previsão da companhia é que essa crise de componentes se estenda, pelo menos, até 2030, indicando um cenário de longo prazo para as restrições no mercado.

A importância da otimização de código pelos desenvolvedores

O Google também enfatiza a necessidade de otimizar o código dos aplicativos. Frequentemente, durante o processo de desenvolvimento, os softwares acumulam trechos de código redundantes ou que não são utilizados. Em alguns casos, os desenvolvedores disponibilizam aplicativos com mais código do que o essencial, o que resulta em maior consumo de memória. Conforme as novas diretrizes, é exigido que os programadores façam uma limpeza e reduzam o código do aplicativo em, no mínimo, 25%, utilizando ferramentas como o R8 antes de submeter o software à Google Play Store.

Assim como acontece com os entusiastas de tecnologia em relação aos computadores, os usuários de smartphones demonstram hesitação em adquirir novos aparelhos. Essa tendência impulsionou as empresas a buscarem uma estratégia mais ativa, focando em melhorar a experiência com os dispositivos já existentes para seus clientes.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

Notícias relacionadas